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Resumos de capítulo – Lingüística Histórica

LIvro de Carlos Alberto Faraco

LIvro de Carlos Alberto Faraco

Trabalho para a disciplina Lingüística IV

2)      Indique os principais pontos do capítulo 4 de Faraco (2005: 91-127), em redação não esquemática.

No capítulo chamado “A lingüística histórica é uma disciplina científica”, fala-se das ocupações do pesquisador de lingüística histórica: transformação das línguas em determinados tempos, e as teorias, métodos e ferramentas utilizadas nas análises.

Faraco inicia destacando a importância da observação mediada por determinados pressupostos teóricos, mesmo que caracterizada pela diversidade e embates entre pontos de vista diversos.

O autor descreve que antes de Saussure, estudos “nos século XVII e XVIII abordavam a língua como uma realidade estável, atemporal e organizada segundo princípios da lógica” p.95 – universais e não históricos; já no século XIX a língua era vista como necessariamente histórica. O autor genebrino estabelece duas dimensões: uma histórica (diacrônica) e outra estática (sincrônica). Faraco afirma ainda que Saussure defendia a autonomia entre ambos, não negando a interdependência – apesar de ter sido estabelecida uma rigorosa distinção metodológica..

Faraco apresenta uma análise clássica do lingüista Mattoso sobre a divisão morfológica sincrônica do verbo “comer”, ou “estrela”: seria absurdo propor uma divisão em mantendo a estrutura morfológica do verbo em latim para análise sincrônica, do estágio atual da língua, por exemplo.

O autor fala da precedência da sincronia, e critica alguns lingüistas por ignorarem a questão histórica, o que revela uma “espécie de retorno às concepções universalizantes e logicizantes dos séculos XVII e XVIII” (p. 100). Apresenta crítico Coseriu que propõe que se veja a língua em moviemento (Saussure tem uma visão estática) e os lingüistas Weinenrich, Labov e Herzog que defendem a construção de um modelo de língua capaz de acomodar sistematicamente a heterogeneidade sincrônica.

Faraco distingue duas concepções de linguagem: a que considera a língua um objeto autônomo; outra como um objeto intrinsecamente ligado à realidade histórica, cultural e social da comunidade falante. Também cita os métodos diferenciados e as visões que direcionarão uma orientação teórica da mudança lingüística. Fala ao pesquisador iniciante da importância de selecionar a sua orientação teórica, e para quem quer optar pelo ecletismo que para Faraco é um “amontoado acrítico, e por isso ingênuo de teorias”.

A seguir, são apresentadas a Teoria Variacionista e a Teoria Gerativista. Ele apresenta as características de cada uma delas e também relata uma tentativa de aproximação entre ambas, a chamada ‘Sociolinguística Paramétrica’, sendo que um dos primeiros a implementá-la foi Fernando Tarallo.

Discute e explica conceitos explicação, e seu significado peculiar nesta área: “interpretar as mudanças e explicitar arrolar fatores contigenciais”p. 117

Faraco ainda apresenta as três diferentes vias para o estudo histórico das línguas: “voltar ao passado e nele se concentrar, voltar ao passado para iluminar o presente, estudar o presente para iluminar o passado” (p. 118).

Respectivamente os neogramáticos para o primeiro, e a análise variacionista para o último, e apresenta exemplos do método comparativo: português trecentista, o trabalho de classificação das línguas indígenas e estudo dos seus dialetos, além de outras contribuições filológicas.

Na terceira via “estudar o presente para iluminar o passado” está o princípio da uniformidade, isto é, “as comunidades humanas, embora diferentes em cada situação conjuntural, partilham no presente e passado de certas propriedades recorrentes” p. 123. O autor ressalva ainda que as três vias não se anulam. Sobre a qualidade de alguns dados cita-se Labov: “A lingüística histórica pode, então, ser pensada como a arte de fazer o melhor uso de dados ruins”.

Ao finalizar o capítulo, fala sobre o método comparativo e resultados positivos confirmados empiricamente por registros dialetológicos posteriores “pressupõe uma certa quantidade de dados, e principalmente, a localização de relações sistemáticas entre eles” p. 126. E a seguir um quadro comparativo que mostra a diferenciação no consonantismo das línguas germânicas: inglês, latim, alemão.

3)      Faça um breve resumo do capítulo 5 de Faraco (2005: 128-174).

Na introdução do capítulo chamado “História da nossa disciplina”, Carlos Alberto Faraco afirma que delineará um panorama que não será apenas um relato da história, mas a interpretação mediada dos acontecimentos da disciplina lingüística histórica: momentos, autores e obras importantes. Costuma-se dividir a lingüística histórica em dois grandes períodos: o primeiro, de 1786 a 1878 (período da formação e consolidação do método comparativo), e o segundo, que vem de 1878 (ano da publicação do manifesto dos neogramáticos) até os dias atuais do século XXI.

E no segundo período sinaliza que haverá contínua tensão: idas, vindas, retomadas, (re)negociações e (re)avaliações entre duas linhas predominantes: “uma mais imanentista, que – continuadora, de certa forma, do pensamento neogramático e caudatária do estruturalismo e, depois, do gerativismo – vê a mudança como um fato primordialmente interno, isto é, como um acontecimento que se dá no interior da língua e condicionado por fatores da própria língua. A outra, mais integrativa, que – enraizada nos primeiros críticos dos neogramáticos e fundada nos estudos de dialetologia e, depois, de sociolingüística – entende que a mudança deve ser vista como articulada com o contexto social em que se inserem os falantes, isto é, como um evento condicionado por uma conjunção de fatores internos (estruturais) e externos (sociais)”.  p. 129

O autor também alerta para o fato da lingüística ter nascido nas preocupações e percepções filológicas de várias sociedades e enumera alguns antecedentes: hindus já no século IV a.C.; gregos, alexandrinos, romanos, árabes; pela gramática de Port-Royal, no século XVII, dentre outros.

Nos primeiros momentos descreve o interesse dos intelectuais europeus no estudo de línguas de civilizações antigas; as primeiras observações das semelhanças e comparações entre sânscrito, latim e grego; fundação da Escola de Estudos Orientais em Paris (onde estudaram os intelectuais Friedrich Schlegel e Franz Bopp, que desenvolveriam a gramática comparativa). Nesta primeira fase observa-se que grande parte dos pesquisadores apresentados pelo autor eram alemães.

Schlegel e Bopp reforçam a tese do pioneiro W. Jones, e ampliam pesquisas sobre o parentesco do sânscrito com o latim, grego, germânico, lituano, eslavo, armênio, celta, albanês, gótico, alemão e o persa no léxico e estruturas gramaticais, morfologia, correspondências sistemáticas. O autor cita ainda os estudos comparativos do lingüista Rasmus Rask que paralelamente e independentemente desenvolveu trabalhos comparativos relevantes com línguas nórdicas e metodologicamente exemplares, mas por ter sido publicado em dinamarquês teve pouca repercussão nos meios científicos.

A seguir cita Jacob Grimm – costuma-se dizer que o estudo propriamente histórico foi estabelecido pela publicação do livro Deutsche Grammatik – que identificou a existência de correspondências fonéticas sistemáticas entre o indo-europeu e línguas do ramo germânico com no passar do tempo. “Aliou-se, desse modo, o empreendimento comparativo ao histórico, donde vem a denominação que se costuma dar à lingüística do século XIX: gramática ou lingüística histórico-comparativa.” p.135

As chamadas “Leis de Grimm” apresentavam porém, várias exceções que incomodaram os germanistas por algum tempo ainda. Faraco comenta o trabalho do iniciador Fridrich Diez  na Filologia Românica, e sua importância no refinamento metodológico dos estudos históricos; e apresenta Schleicher que além de sugerir uma tipologia (Stammbautheorie) das línguas a partir da sua formação (botânico) e cunhar o termo Ursprasche (“língua remota”), hoje denominado proto-indo-europeu, foi o primeiro a realizar estudo de uma língua indo-européia a partir da fala.

A partir da publicação do manifesto neogramático – lingüistas relacionados com a Universidade de Leipzig – o escritor Faraco os compara a um divisor de águas na lingüística histórica ao criticar os antecessores e estabelecer orientação metodológica diferente e mais rigorosa; e um conjunto de postulados teóricos para interpretação das mudanças lingüísticas.

Os neogramáticos eram defensores de que as mudanças sonoras se davam num processo de regularidade absoluta e não admitiam exceções, o que o dinamarquês Karl Verner embasou quando demonstrou que nas exceções do enunciado de Grimm havia mudanças regulares, e que ocorriam de acordo com o contexto lingüístico. Apesar desta guinada metodológica rigorosa, os neogramáticos se utilizavam de analogia, que, para eles, estava no plano gramatical, e não fonético.

Um grande neogramático foi Hermann Paul, que foi referência na formação de muitos diacronistas vindouros, e apresentou uma tese bastante aceita até os dias de hoje: que a mudança lingüística é originada principalmente no processo de aquisição da língua. Faraco também apresenta o trabalho etimológico de Lübke e um dos mais importantes críticos ao movimento neogramatico: Hugo Schuchardt – um dos primeiros estudiosos a dar atenção sistemática aos pidgins e criolos -, que chamou atenção para a gama de variedades de fala existente em uma comunidade qualquer, e abriu caminho para o estudo da influência dos fatores como sexo, idade, do falante – dialetologia, e mais recentemente a sociolingüística.

Faraco apresenta do início do estruturalismo – marco da lingüística moderna – com Saussure. Seu aluno francês Antoine Meillet, que por sua vez desenvolve uma concepção mais sociológica do falante e da língua, afirma também que a lingüística faria parte da Antropologia. Estudos e análises na área que levam em conta a história das línguas e da maneira que os falantes a utilizam no contexto social de dialetologia, sociolingüística como fator de diferenciação: Labov.

O professor Faraco apresenta o Círculo de Praga, e outros teóricos estruturalistas, o impacto dessa visão teórica no estudo da mudança e análise do sistema lingüístico e continua criticando o que chama de abordagem “reducionista” pelos estruturalistas.

“O pensamento gerativista em diacronia se identifica, portanto, plenamente com a tradição forte em lingüística de considerar as mudanças como direcionadas por forças internas à língua. Retoma-se, assim, a perspectiva estruturalista: Jakobson afirmava que as leis estruturais do sistema restringem o inventário das transições possíveis dum estado sincrônico a outro (cf. Jakobson 1957, reproduzido em Jakobson, 1963, p. 77); Martinet falava nas mudanças como submetidas aos princípios da economia da língua (1955); os gerativistas falam nas mudanças como submetidas aos princípios restritivos da gramática universal. A diferença é a hipótese inatista (o biologismo) destes que não estava naqueles.” p 169.

O autor a seguir fala do “estruturalismo de roupa nova”, isto é, o gerativismo. O gerativismo inatista, e procurava um modelo a partir de um sistema de regras proposto; que se reformulou na década de 1970: “introduziu a idéia de que a gramática universal é um conjunto de parâmetros variáveis, isto é, ela restringe as gramáticas possíveis, mas admite caminhos alternativos.”p.167

Finalmente, o autor Faraco apresenta repercussões nos estudos diacrônicos da perspectiva gerativista, e mostra a partir de Schlegel no século XIX, Schleicher, Sapir estudos de diacronia dos estudos tipológicos, que chega ao pensamento de Greenberg, justificando esta aproximação pois estas  perspectivas “pautam sua interpretação da mudança por critérios fundamentalmente imanentes” p. 175, excluindo da história das línguas e os falantes e seu contexto histórico-social.

MOSTRA IMPRESSIONISMO DO MUSÉE D’ORSAY

Flávia Moura

Atualização! Em virtude das filas de mais de quatro horas em alguns períodos no último final de semana, o CCBB – Rio fará o último viradão nos dias 12 e 13 – das 9 horas do sábado às 21 horas no domingo – últimos da exposição. Veja os melhores horários durante a semana no post abaixo.

1) Trabalho para a disciplina de Introdução à Fotografia: os alunos devem visitar a exposição, pois ela se deu em virtude do surgimento do Daguerreótipo (precursor da fotografia). Então os pintores da época se sentiram ameaçados e quiseram mostrar que a arte da pintura não morreria!

painel ampliado - ponte sobre o Sena

painel ampliado – ponte sobre o Sena

A FILA

Dizer que brasileiro adora arte, eu nunca tinha ouvido falar.

Sim, já tinha ouvido falar de brasileiro que adora arte no exterior. Daqueles que se gabam porque visitou o Louvre, ou que deu uma passadinha no Moma, que se divertiu com as réplicas em cera no madame Tussauds, mas nunca, nunca, bem aqui no Rio de Janeiro, ouvi algum brasileiro que tenha se gabado por passar horas na fila para ver qualquer obra de arte que fosse. Até ontem.

Foram exaustivas 3 horas de fila, ouvindo conversa alheia, sentindo os perfumes do povo, gente perguntando quanto tempo ia durar, gente perguntando por que tinha que durar tanto tempo, gente fazendo careta pra onde ia o fim da fila e então, desistiam ou respiravam fundo e seguiam em frente firmes.

Não era de se surpreender. A foto à esquerda, mostra os fundos do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) que dá para a lateral da Casa França Brasil. Exatamente ali naquele bequinho era o fim da fila às 14:20h aproximadamente. Era a outra ponta do U e todos teríamos um longo caminho a percorrer. Eu mesma fiz careta e me surpreendi com o amor do brasileiro pela arte e felizmente, desconhecia o tempo em que ficaria de pé esperando minha vez de entrar.

Se soubesse, o que teria sido mais forte? Meu amor pela arte ou a dor nas pernas? Venceu o trabalho para a disciplina de Introdução à Fotografia.

Fila em horário de pico

Fila em horário de pico

ENTRANDO PELO CANO

Entrei pelo cano quando pela entrada da Candelária julguei não ter fila. Feliz, fotografei o painel que convida para a Mostra Impressionismo do Musée D’Orsay.

Gente posando, sorrindo, fazendo careta, trepando nas costas do outro, tudo porque o painel ampliado dava pruma ponte sobre o Sena e era ali, nas ruas imaginárias de paralelepípedo que os visitantes faziam sua pose.

Tive certa dificuldade para pegar o painel todo, tal o número de “posers” encostados (foto à direita).

PROIBIDO FOTOGRAFAR

É expressamente proibido fotografar lá dentro. Regra do Musée D’Orsay trazido para o Brasil. Lá na França também não pode tirar fotografias da exposição. Inevitável não é.

Brasileiro dado ao jeitinho, sempre dá um jeito de fazê-lo e eu quase inocentemente não resisti à tentação. Fui advertida pela segurança que me seguia em silêncio, para meu desespero. Felizmente ela não me forçou a apagar.

OS PINTORES

Visitei todos: Louis Welden Hawkins, Georges Garen, Claude Monet, Henri Ottmann, Paul Gauguin, Camille Pissarro, Stanislas Lépine, Henry Fantin-Latour, Pierre-Auguste Renoir, Alfred Stevens, Léon Bonnat, Gustave Coubert, Jean Béraud, Paul Cézanne, Charles Argrand, Henri de Toulouse-Lautrec, Edgar Degas, James Tissot, Boldini, Manet, Fernand Halphen e Sisley espalhados entre 85 obras.

Sabe-se que com o surgimento da Fotografia por meio do Daguerreótipo, esses pintores resolveram fazer um levante por meio da pintura, para mostrar que ela não morreria. Essa explosão de arte, foi chamada de Impressionismo, pois objetivava retratar luz, movimento, sombra e cenas realisticas da França do século XIX, muito embora tenha se extendido por outros cantos da Europa.

Estação Saint-Lazare, 1877

Estação Saint-Lazare, 1877

AS OBRAS

Infelizmente não pude fotografar todas as obras que me emocionaram. Monet é um mestre incontestável, não só pela riqueza de seu traço, mas por fugir do lugar comum. Na obra Os Carvoeiros ou Os Descarregadores de Carvão, 1875 – óleo sobre tela, ele mostra o Rio Sena não como um costumeiro ponto turístico, mas local de trabalho corriqueiro, enevoado e escuro.

Pissarro é outro que atrai o olhar do espectador, já que seus quadros parecem estar acesos, tão intensa é a riqueza de cores e detalhes. No quadro O Sena e o Louvre, 1901 – óleo sobre tela, ele vai contra o estilo que o consagrou, onde retratava o cotidiano no campo e mostra a vida urbana em Paris. Esse quadro é de uma luminosidade absurda. Já Stanislas Lépine, ao pintar Montmartre, rue Saint-Vincent, 1878, registra uma Montmartre ainda rural onde os detalhes cotidianos chamam a atenção. Desde os matizes de cores no céu, à tonalidade das folhas das árvores, às sombras e a luz rebatida no chão, bem como seus habitantes em momentos comuns.

Henri Fantin-Latour em A Família Dubourg, 1878 não consegue passsar despercebido dado a grandiosidade de sua tela e perfeição no traço. A família retratada era feia de fato, salvo a cunhada, mas o que impressiona além do tamanho, é a proximidade com a fotografia nessa tela. Até a cadeira de madeira onde o sogro aparece sentado é reproduzida com perfeição.

O banho -  the bath
“O Banho, 1867 – alfred stevens, óleo sobre tela.”

Alfred Stevens surpreende em O Banho, 1867 – óleo sobre tela. Não pelo tamanho da tela, mas pela minúcia. Trata-se de um quadro pequeno, mas se o espectador reter a atenção ali, notará a reprodução perfeita da banheira em que sua musa se esparrama, trabalhado em tons de cinza, o relógio na parede, a pulseira que reluz como ouro, o detalhe das páginas do livro sobre a cadeira, a bica em forma de cisne que pinga água e parece real. Tudo isso faz desta obra algo inigualável e das minhas preferidas apesar de não pertencer aos principais nomes da pintura.

RÉPLICAS & CURIOSIDADES: Paul Cézanne, Léon Bonnat e Stanislas Lépine

Chegando em casa, lembrei-me que sobre a cabeceira da cama, tenho a réplica de um Cézanne, autorizada pelo Museu do Louvre – Os Jogadores de Cartas, 1890-1892.

O Autorretrato, 1855 de Léon Bonnat me deixou tão encantada que quase me apaixonei por ele, não fosse o fato de eu ser casada e pertencer a outro século.

Montmartre, rue Saint-Vincent, 1878 quando o famoso bairro ainda era rural. Contraste de luz e sombra, variação da luz rebatida no chão e tonalidade do verda das árvores, torna essa obra das minhas prediletas.

Noite ou O Baile, 1878 – James Tissot, óleo sobre tela

Luz, claridade, perfeição nos detalhes da entrada de um baile. As camadas dos vestidos fazem  um belíssimo movimento.

fonte internet

Me abstive de comentar sobre Monet, Renoir e outros grandes mestres, bem como os que inauguraram o estilo pontilhista, pois as telas destacadas neste trabalho foram as que mais me despertaram a atenção.

MAIS: por Glória Celeste (concurso, melhor horário para filas e viradão da virada)

Não deixe para a última hora! e escolha o melhor horário…

filasimprDesde o dia 18 de dezembro há um concurso:  o participante deverá postar uma foto sua, em frente a algum painel que está na rotunda criada pela brasileira Virgínia Fienga, arquiteta responsável pelo novo projeto do Museu d´Orsay; seguir o perfil da Exposição Impressionismo – Paris e a modernidade no Instagram(@ImpressionismoCCBB).

 A foto deverá ser tirada pelo instagram, e se já tiver sido postada anteriormente no INSTAGRAM, o participante deverá postar a hashtag #ImpressionistasNoBrasil e postar a foto novamente.

As três fotos mais criativas ganharão PRÊMIOS:  1º Um catalogo da mostra + 1 capinha de IPhone,  2º 1 capinha de IPhone,  3º Um kit de papelaria ( 1 caderno + 2 lápis + 1 marcador de livros)

viradao da virada

     Já falta menos de um mês para o fim da exposição Impressionismo – Paris e a    Modernidade –  termina no dia 13/01/2013. Não deixe para os últimos dias, pois costumam receber muito público. Lembrando que tem VIRADÃO DA VIRADA do dia 29 para 30/12, com show ao vivo e DJ. A cafeteria e a livraria do térreo ficarão abertas durante este Viradão. Edu Krieger é compositor de uma centena de músicas gravadas por artistas como Maria Rita, Ana Carolina, Maria Gadú, Roberta Sá, Teresa Cristina, Pedro Luís e a Parede, Casuarina, Ara Ketu e Falamansa, entre outros. DJ Janot  é criador da festa Brazooka, ano passado lançou pela gravadora Dubas seu terceiro CD, “O Som Brazooka do DJ Janot: 10 anos”. Abriu o show dos Rolling Stones e tocou no Live Earth, na Praia de Copacabana, e em eventos no exterior: como o Brazilian Day ( Nova York), Expo de Zaragoza e Carnaval de Lisboa.

   A mostra tem curadoria de Caroline Mathieu, conservadora-chefe do Museu d’Orsay, Guy Cogeval, presidente do Mu­seu d’Orsay, e Pablo Jiménez Burillo, diretor geral do Instituto de Cultu­ra da Fundación MAPFRE. Organizada com obras do Museu d’Orsay, conta com a colaboração científica da própria instituição e da Fun­dación MAPFRE.

A exposição também possui coordenação da Expomus, apoio do Ministério da Cultura, por intermédio da Lei de Incentivo a Cultura e Leia Rouanet, com patrocínio do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre, do Banco do Brasil e da BBDTVM, e apoio da Cielo e da Brasilprev. A promoção é da Rede Globo.

Inauguração da Livraria Cultura – Cine Vitória

A partir desta segunda dia 17 de dezembro será aberta para o público a Livraria Cultura da Cinelândia, a partir das 12h, e finaliza a primeira etapa do retrofit no antigo Cine Vitória. (atualizado após a inauguração)

entrada

O cinema do Edifício Rivoli, estilo art deco foi construído em 1939 no centro do Rio de Janeiro e é tombado como patrimônio histórico cultural do município. A reforma preservou o piso preto e branco, além do belo painel, o balcão e parte da arquitetura original: fachada e os revestimentos de mármore e granito passaram por restauração com quase 3.200 m². Tudo começou no ano passado, quando o BNDES aprovou financiamento para as livrarias de Manaus, Recife, Curitiba e Rio de Janeiro (duas unidades);  incluiu também no projeto modernização de sete filiais.

O arquiteto Fernando Brandão nos apresenta uma loja conceito que de imediato remete às espirais do conhecimento utilizados na gestão ou da aprendizagem – outros exemplos de arquitetura similar: a rampa dos museus do Vaticano (foto) ou Guggenheim. O plano inclinado da busca de conhecimento, e de sabedoria nunca se tornará sinônimo de ladeira, difícil. Assim como no livro Rayuela de Julio Cortazar nos deliciamos ao percorrer as várias possibilidades de leituras hiper (textuais) nas estantes enquanto o caminho é feito para cima – na espiral o caminho é parecido, mas a evolução praticamente inevitável. E que neste prazeroso labirinto o caminho para a saída proporcione não apenas conhecimento, mas sabedoria…

rampa no Museu do Vaticano

rampa no Museu do Vaticano

Uma das arquitetas da Livraria Cultura, Daniela Moniz informou que para preservar a estrutura alterou-se o projeto original que está diferente do padrão das outras filiais, mas a equipe ficou muito satisfeita com os resultados: a bilheteria do antigo cinema será utilizada para os eventos no teatro, e a parede onde estava a tela também foi preservada por isso o projeto vazado para dar visibilidade.

O nome do teatro é homenagem à fundadora da livraria, com 180 lugares no subsolo e abrirá as portas no início de 2013. Hoje Maitê Proença e Clarice Niskier leram “A beira do abismo me cresceram asas” com o auditório lotado. A alemã refugiada do nazismo que para melhorar o orçamento começou alugando livros e em 1969 inaugurou a loja agora tem seis teatros chamados Eva Herz – acompanhe a programação. Tive uma rápida conversa com seu filho Pedro Herz – presidente do conselho de administração da firma e descobri que ele fala alemão, talvez o motivo da empresa ter sempre disponível um dos mais completos catálogos com títulos nesta língua.

Aconteceram shows do grupo de gafieira do dançarino Alexandre Silva, chorinho com Movimento Artístico da Praia Vermelha. Lançamentos itinerantes da Editora Retina 78 que já passou por São Paulo, quiosque da rede globo e ainda irá para Florianópolis e Belo Horizonte: Suburbia e Luiz Gonzaga – O menino cantador . A blogueira Babi Dewet teve fila com vários teens pedindo autógrafo para no seu exemplar de “Sábado à Noite“. A livraria estava cheia, e sobressaiu para os presentes a citação de vários autores escritos com giz na lateral das estantes, como Tolkien e Michael Ende.

Conheci o trabalho de Pedro Dória quando ele escrevia para o blog No Mínimo. Tive o oportunidade de inquirir sobre o motivo de um jornalista que se mostra muitas vezes à frente do seu tempo e que aparentemente gosta de tecnologia, escolher um tema de passado tão distante “1564 – Enquanto o Brasil Nascia”. Ele afirmou que como profissional era seu dever esquadrinhar e descrever a informação, não importando a temporalidade o fato está lá para ser investigado. Perguntei também sobre a escolha de falar sobre a família Sá. Dória respondeu que escrevia sobre a formação da cultura e da região Sudeste,  suas influências neste determinado espaço de tempo – a família Sá foi personagem de destaque e participou deste período ativamente.

Nem tudo é apenas tradição neste espaço renovado: a rampa/estante conecta pavimentos e várias seções: dentro do conceito store in store, o chamado espaço Geek , destinado aos fãs e nerds (ou não) que gostam de ficção científica, jogos, itens colecionáveis: livros, HQs, RPG… (capacho do batman, cards de magic, pôsters, uma edição de Sandman anotada e armário inspirado no TBBT chamaram atenção); totens para experimentação de games em uma arquitetura pensada para se jogar – Playstation, Wii e Xbox 360.

O espaço para e-books é dedicado ao melhor e-reader eleito pela conceituada revista Wired! – Kobo, lançado este mês com a marca da Livraria Cultura. Neste espaço os clientes poderão degustar e comprar na hora o primeiro modelo lançado no Brasil que já possui mais de 10 mil ebooks grátis disponíveis no formato.

No segundo pavimento temos um espaço para exposições, com curadoria de José Carlos Honório e do outro lado no mesmo nível divisamos os guias de viagem e moleskines (Livraria Cultura é a primeira loja em toda América Latina a ter um espaço exclusivo para os produtos Moleskine® ). Assim como a loja de São Paulo do Conjunto Nacional terá um café com varanda e um espaço gourmet que terá curso ministrado por convidados. Seguindo a rampa em espiral vazada para o grande vão central entre os mais de 50 mil títulos à venda, ainda encontramos Bluray, CDs, DVDs e discos com o diferencial de acervo (design, arquitetura, fotografia) e atendimento que conheço dos três anos que morei em Pernambuco e freqüentava a Cultura no Recife Antigo – na época a maior do país.

A revitalização do centro do Rio ganhou pontos, e o preeenchimento do vazio que faz agora uma ligação merecida entre a Lapa e a Cinelândia. Finalmente transformar o ambiente em um centro cultural com alternativas gratuitas (pocket show, entretenimento infantil, lançamentos, palestras, etc) se interligando com a variada programação de eventos à sua volta me proporciona a sensação de este não será apenas mais um local, mas um ponto de encontro de quem já freqüenta o Teatro Municipal, Teatro Rival, Amarelinho, Centro Cultural da Justiça Federal, Lapa, Goethe Institut, escola de Música da UFRJ: a convergência e mistura no sentido ótimo do moderno e clássico e que chamamos Cultura, juntando diversas tribos. Encontrei como previsto alguns conhecidos que gostam de ler saindo do trabalho, e músicos antes da sua apresentação na Lapa passaram por lá.

Disse e repito:  descobri que além de livro novo, gosto de cheiro de @LivCultura nova \o/

Agradecemos o convite da Máquina Public Relations, que estendemos aos leitores do blog

 

MAIS

Mercado – livraria cultura é cada vez mais carioca http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=71547

Visual antes da restauração

 Liberação do financiamento pelo BNDES

Histórico do Cine Vitória http://www.riocomela.com.br/index.php/2012/12/14/cine-vitoria-e-livraria-cultura/

Revitalização e a importância da cultura

Conheça mais a Livraria Cultura

2º Congresso Nacional do Samba e balanço da programação do evento

programacaosamba

Programa Congresso Nacional do Samba

No sábado foram abordados os temas, sempre com uma palestra seguida de mesa redonda: “A Diversidade do Samba e o Patrimônio Cultural Imaterial”, “O Samba e suas Performances”, “Samba, Carnaval e Redes Sociais” e “Samba, Carnaval e Direitos Autorais”.

“A Diversidade do Samba e o Patrimônio Cultural Imaterial” iniciou com uma brilhante apresentação do autor e músico Spirito Santo, que falou do seu livro Do Samba ao Funk do Jorjão, com prefácio de Nei Lopes. Como é difícil a inserção da cultura negra na academia, e como os dados coletados vão de encontro a alguns estudos feitos às pressas, onde um “congueiro de uma semana” coleta os dados superficiais e produz teses, dissertações e até livros teóricos sobre o assunto.  E alguns enganos e erros que ocorrem na repetição do que ele chama de “mitos do samba” dentro da bibliografia adotada dentro das Universidades.

O outro destaque desta temática  foi o estudo da professora de Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina, Tereza Virgínia de Almeida que também é compositora e produtora cultural. No estudo “Samba e Memória Musical – da tradição à transcontextualização”, a pesquisadora reflete sobre a presença do samba e suas mudanças no contexto contemporâneo pós-moderno apresenta conceitos como nomadismo; movência; intercâmbio dos conceitos de tradição e ruptura.

“Acredito que pensar o samba como patrimônio, no atual contexto, marcado e demarcado pelos interesses do capitalismo tardio, passe por encontrar estratégias para que as ações sociais de preservação e transcontextualização possam, cada vez mais, ser exercidas por sujeitos efetivamente comprometidos com a dívida histórica que esta sociedade, infelizmente, ainda preserva em relação a seus afro-descendentes”.

Mas quem pensa que só havia “samba tradicional” no evento se enganou, o gênero e suas influências/influenciadores foram intensamente debatidos: MPB, jongo, funk, jazz, paradinhas do mestre André e Jorjão, bossa nova, maracatu… e novos grupos como o Metá Metá apresentado por Isabela Martins de Morais e Silva que procura “mesclar em suas canções as heranças do samba com as narrativas oriundas das religiões de matriz afro-brasileira”

O Samba e suas Performances” chamou atenção com a professora  Denise Mancebo Zenocola, que na sua análise sobre o samba de gafieira fala sobre o que há de diferente na relação entre feminino e o masculino nesta dança – “ratifica a discussão do corpo na sua relação social social e de subjetividade; ressalta a espontaneidade”. No tema “Samba, Carnaval e Direitos Autorais” José Vaz de Souza Filho foi destaque apresentando  exemplos históricos das problemáticas de direito autoral dentro do samba, as vendas de autoria,  e vislumbrando algumas soluções.

Resenha do livro de Spirito Santo – Do Samba ao Funk do Jorjão

Ouça o CD Aluada, de Tereza Virgínia

Resumo dos trabalhos apresentados com minicurrículo dos pesquisadores

Na manhã de domingo foram abordados os temas, também com palestra seguida de mesa redonda: “Samba, Economia Criativa do Carnaval e Globalização” e “Samba e Territorialidade”. Em “Samba e Territorialidade” refletiu-se desde o samba paulista, de uma roda de samba em Belo Horizonte, narrativas do “povo do santo” – que criam e fazem a manutenção dos terreiros no Rio de Janeiro, até a “Pequena África”. Em “Samba, Economia Criativa do Carnaval e Globalização” Simone Aparecida Ramalho e Ana Luisa Aranha e Silva apresentam modelo de economia inclusiva:

” a experiência do projeto de geração de trabalho e renda Ala Loucos pela X, fruto da parceria entre entidades do campo saúde mental e o GRCES X9 Paulistana, que há 12 anos vem tecendo vivas redes solidárias no carnaval paulistano. Neste projeto, homens e mulheres moradores da periferia de São Paulo, discriminados pela psiquiatrização e incapacitação social, histórica e socialmente construídas que lhes confere dupla exclusão social, à semelhança de outros grupos envolvidos no campo do samba e do carnaval, ao tornarem-se aderecistas de grandes agremiações paulistas, trabalhando a partir dos princípios da economia solidária, vêm demonstrando que possibilidades potentes de geração de trabalho, renda e cidadania podem ser incluídas na economia criativa do carnaval, sem que nos distanciemos da raiz política emancipatória original e primeira do samba, mesmo diante das proporções exigidas pelos desfiles das grandes agremiações carnavalescas”

Infelizmente não foi possível acompanhar a lavagem da Pedra do Sal, que estava marcado para as 7 horas e iniciou após as 9:30 – registramos a espera e a conversa animada das baianas. Mas… o fotógrafo português Miguel do projeto Fui? cedeu fotos, bem como a pesquisadora Isabela Morais que foi a palestra no segundo dia – confira.

Os pontos positivos  do evento foram mesclar o cultural com o acadêmico, uma cobertura jornalística carinhosa de vários meios de comunicação e atendimento da organização atencioso. A vasta gama de profissionais e acadêmicos interessados e com trabalhos interessantíssimos no assunto também foi outro ponto alto do evento: estudiosos de cultura negra e relações raciais, cientistas sociais, sociólogos, literatos, historiadores, museólogos, antropólogos, músicos, compositores, dançarinos, políticos, filósofos, pedagogos,folcloristas, etnólogos, artistas plásticos, membros das comissões julgadoras do carnaval, jornalistas, administradores, gerenciadores de projetos, carnavalescos, advogados, cientistas políticos, cineastas, promotores de eventos, produtores musicais, estilistas, designers, atores, redatores, documentaristas…

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Apesar de problemas amadores na organização do evento: chamar os trabalhos selecionados em cima da hora, sem haver tempo para os pesquisadores pedirem recursos para as universidades (ocasionou muitas faltas); atrasos em excesso;  interrupção de mesas sem permitir que a platéia fizessse perguntas para os autores que vieram de outros estados… outra crítica a se pensar e que vários presentes citaram – apresentações em paralelo com temáticas em comum deram a sensação de termos perdido muita coisa interessante.   O balanço final do evento foi positivo, e que nas próximas edições seja primoroso para que o público possa aproveitar melhor as reflexões. O samba, a comunidade que o produz e os pesquisadores que trabalham temas que da cultura negra merecem isso, e muito mais.

Leia mais:

“fui?” é uma ação provocatória entre a arte e a comunidade, ao misturar os rostos e recantos de duas regiões portuárias: a cidade do Porto (Portugal) e o porto do Rio de Janeiro (Brasil)

Acompanhe ao vivo a cobertura pela Rádio online com entrevistas e trechos do evento

História do Samba – superinteressante

2º Congresso Nacional do Samba – portal do carnaval

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