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Inauguração da Livraria Cultura – Cine Vitória

A partir desta segunda dia 17 de dezembro será aberta para o público a Livraria Cultura da Cinelândia, a partir das 12h, e finaliza a primeira etapa do retrofit no antigo Cine Vitória. (atualizado após a inauguração)

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O cinema do Edifício Rivoli, estilo art deco foi construído em 1939 no centro do Rio de Janeiro e é tombado como patrimônio histórico cultural do município. A reforma preservou o piso preto e branco, além do belo painel, o balcão e parte da arquitetura original: fachada e os revestimentos de mármore e granito passaram por restauração com quase 3.200 m². Tudo começou no ano passado, quando o BNDES aprovou financiamento para as livrarias de Manaus, Recife, Curitiba e Rio de Janeiro (duas unidades);  incluiu também no projeto modernização de sete filiais.

O arquiteto Fernando Brandão nos apresenta uma loja conceito que de imediato remete às espirais do conhecimento utilizados na gestão ou da aprendizagem – outros exemplos de arquitetura similar: a rampa dos museus do Vaticano (foto) ou Guggenheim. O plano inclinado da busca de conhecimento, e de sabedoria nunca se tornará sinônimo de ladeira, difícil. Assim como no livro Rayuela de Julio Cortazar nos deliciamos ao percorrer as várias possibilidades de leituras hiper (textuais) nas estantes enquanto o caminho é feito para cima – na espiral o caminho é parecido, mas a evolução praticamente inevitável. E que neste prazeroso labirinto o caminho para a saída proporcione não apenas conhecimento, mas sabedoria…

rampa no Museu do Vaticano

rampa no Museu do Vaticano

Uma das arquitetas da Livraria Cultura, Daniela Moniz informou que para preservar a estrutura alterou-se o projeto original que está diferente do padrão das outras filiais, mas a equipe ficou muito satisfeita com os resultados: a bilheteria do antigo cinema será utilizada para os eventos no teatro, e a parede onde estava a tela também foi preservada por isso o projeto vazado para dar visibilidade.

O nome do teatro é homenagem à fundadora da livraria, com 180 lugares no subsolo e abrirá as portas no início de 2013. Hoje Maitê Proença e Clarice Niskier leram “A beira do abismo me cresceram asas” com o auditório lotado. A alemã refugiada do nazismo que para melhorar o orçamento começou alugando livros e em 1969 inaugurou a loja agora tem seis teatros chamados Eva Herz – acompanhe a programação. Tive uma rápida conversa com seu filho Pedro Herz – presidente do conselho de administração da firma e descobri que ele fala alemão, talvez o motivo da empresa ter sempre disponível um dos mais completos catálogos com títulos nesta língua.

Aconteceram shows do grupo de gafieira do dançarino Alexandre Silva, chorinho com Movimento Artístico da Praia Vermelha. Lançamentos itinerantes da Editora Retina 78 que já passou por São Paulo, quiosque da rede globo e ainda irá para Florianópolis e Belo Horizonte: Suburbia e Luiz Gonzaga – O menino cantador . A blogueira Babi Dewet teve fila com vários teens pedindo autógrafo para no seu exemplar de “Sábado à Noite“. A livraria estava cheia, e sobressaiu para os presentes a citação de vários autores escritos com giz na lateral das estantes, como Tolkien e Michael Ende.

Conheci o trabalho de Pedro Dória quando ele escrevia para o blog No Mínimo. Tive o oportunidade de inquirir sobre o motivo de um jornalista que se mostra muitas vezes à frente do seu tempo e que aparentemente gosta de tecnologia, escolher um tema de passado tão distante “1564 – Enquanto o Brasil Nascia”. Ele afirmou que como profissional era seu dever esquadrinhar e descrever a informação, não importando a temporalidade o fato está lá para ser investigado. Perguntei também sobre a escolha de falar sobre a família Sá. Dória respondeu que escrevia sobre a formação da cultura e da região Sudeste,  suas influências neste determinado espaço de tempo – a família Sá foi personagem de destaque e participou deste período ativamente.

Nem tudo é apenas tradição neste espaço renovado: a rampa/estante conecta pavimentos e várias seções: dentro do conceito store in store, o chamado espaço Geek , destinado aos fãs e nerds (ou não) que gostam de ficção científica, jogos, itens colecionáveis: livros, HQs, RPG… (capacho do batman, cards de magic, pôsters, uma edição de Sandman anotada e armário inspirado no TBBT chamaram atenção); totens para experimentação de games em uma arquitetura pensada para se jogar – Playstation, Wii e Xbox 360.

O espaço para e-books é dedicado ao melhor e-reader eleito pela conceituada revista Wired! – Kobo, lançado este mês com a marca da Livraria Cultura. Neste espaço os clientes poderão degustar e comprar na hora o primeiro modelo lançado no Brasil que já possui mais de 10 mil ebooks grátis disponíveis no formato.

No segundo pavimento temos um espaço para exposições, com curadoria de José Carlos Honório e do outro lado no mesmo nível divisamos os guias de viagem e moleskines (Livraria Cultura é a primeira loja em toda América Latina a ter um espaço exclusivo para os produtos Moleskine® ). Assim como a loja de São Paulo do Conjunto Nacional terá um café com varanda e um espaço gourmet que terá curso ministrado por convidados. Seguindo a rampa em espiral vazada para o grande vão central entre os mais de 50 mil títulos à venda, ainda encontramos Bluray, CDs, DVDs e discos com o diferencial de acervo (design, arquitetura, fotografia) e atendimento que conheço dos três anos que morei em Pernambuco e freqüentava a Cultura no Recife Antigo – na época a maior do país.

A revitalização do centro do Rio ganhou pontos, e o preeenchimento do vazio que faz agora uma ligação merecida entre a Lapa e a Cinelândia. Finalmente transformar o ambiente em um centro cultural com alternativas gratuitas (pocket show, entretenimento infantil, lançamentos, palestras, etc) se interligando com a variada programação de eventos à sua volta me proporciona a sensação de este não será apenas mais um local, mas um ponto de encontro de quem já freqüenta o Teatro Municipal, Teatro Rival, Amarelinho, Centro Cultural da Justiça Federal, Lapa, Goethe Institut, escola de Música da UFRJ: a convergência e mistura no sentido ótimo do moderno e clássico e que chamamos Cultura, juntando diversas tribos. Encontrei como previsto alguns conhecidos que gostam de ler saindo do trabalho, e músicos antes da sua apresentação na Lapa passaram por lá.

Disse e repito:  descobri que além de livro novo, gosto de cheiro de @LivCultura nova \o/

Agradecemos o convite da Máquina Public Relations, que estendemos aos leitores do blog

 

MAIS

Mercado – livraria cultura é cada vez mais carioca http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=71547

Visual antes da restauração

 Liberação do financiamento pelo BNDES

Histórico do Cine Vitória http://www.riocomela.com.br/index.php/2012/12/14/cine-vitoria-e-livraria-cultura/

Revitalização e a importância da cultura

Conheça mais a Livraria Cultura

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2º Congresso Nacional do Samba e balanço da programação do evento

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Programa Congresso Nacional do Samba

No sábado foram abordados os temas, sempre com uma palestra seguida de mesa redonda: “A Diversidade do Samba e o Patrimônio Cultural Imaterial”, “O Samba e suas Performances”, “Samba, Carnaval e Redes Sociais” e “Samba, Carnaval e Direitos Autorais”.

“A Diversidade do Samba e o Patrimônio Cultural Imaterial” iniciou com uma brilhante apresentação do autor e músico Spirito Santo, que falou do seu livro Do Samba ao Funk do Jorjão, com prefácio de Nei Lopes. Como é difícil a inserção da cultura negra na academia, e como os dados coletados vão de encontro a alguns estudos feitos às pressas, onde um “congueiro de uma semana” coleta os dados superficiais e produz teses, dissertações e até livros teóricos sobre o assunto.  E alguns enganos e erros que ocorrem na repetição do que ele chama de “mitos do samba” dentro da bibliografia adotada dentro das Universidades.

O outro destaque desta temática  foi o estudo da professora de Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina, Tereza Virgínia de Almeida que também é compositora e produtora cultural. No estudo “Samba e Memória Musical – da tradição à transcontextualização”, a pesquisadora reflete sobre a presença do samba e suas mudanças no contexto contemporâneo pós-moderno apresenta conceitos como nomadismo; movência; intercâmbio dos conceitos de tradição e ruptura.

“Acredito que pensar o samba como patrimônio, no atual contexto, marcado e demarcado pelos interesses do capitalismo tardio, passe por encontrar estratégias para que as ações sociais de preservação e transcontextualização possam, cada vez mais, ser exercidas por sujeitos efetivamente comprometidos com a dívida histórica que esta sociedade, infelizmente, ainda preserva em relação a seus afro-descendentes”.

Mas quem pensa que só havia “samba tradicional” no evento se enganou, o gênero e suas influências/influenciadores foram intensamente debatidos: MPB, jongo, funk, jazz, paradinhas do mestre André e Jorjão, bossa nova, maracatu… e novos grupos como o Metá Metá apresentado por Isabela Martins de Morais e Silva que procura “mesclar em suas canções as heranças do samba com as narrativas oriundas das religiões de matriz afro-brasileira”

O Samba e suas Performances” chamou atenção com a professora  Denise Mancebo Zenocola, que na sua análise sobre o samba de gafieira fala sobre o que há de diferente na relação entre feminino e o masculino nesta dança – “ratifica a discussão do corpo na sua relação social social e de subjetividade; ressalta a espontaneidade”. No tema “Samba, Carnaval e Direitos Autorais” José Vaz de Souza Filho foi destaque apresentando  exemplos históricos das problemáticas de direito autoral dentro do samba, as vendas de autoria,  e vislumbrando algumas soluções.

Resenha do livro de Spirito Santo – Do Samba ao Funk do Jorjão

Ouça o CD Aluada, de Tereza Virgínia

Resumo dos trabalhos apresentados com minicurrículo dos pesquisadores

Na manhã de domingo foram abordados os temas, também com palestra seguida de mesa redonda: “Samba, Economia Criativa do Carnaval e Globalização” e “Samba e Territorialidade”. Em “Samba e Territorialidade” refletiu-se desde o samba paulista, de uma roda de samba em Belo Horizonte, narrativas do “povo do santo” – que criam e fazem a manutenção dos terreiros no Rio de Janeiro, até a “Pequena África”. Em “Samba, Economia Criativa do Carnaval e Globalização” Simone Aparecida Ramalho e Ana Luisa Aranha e Silva apresentam modelo de economia inclusiva:

” a experiência do projeto de geração de trabalho e renda Ala Loucos pela X, fruto da parceria entre entidades do campo saúde mental e o GRCES X9 Paulistana, que há 12 anos vem tecendo vivas redes solidárias no carnaval paulistano. Neste projeto, homens e mulheres moradores da periferia de São Paulo, discriminados pela psiquiatrização e incapacitação social, histórica e socialmente construídas que lhes confere dupla exclusão social, à semelhança de outros grupos envolvidos no campo do samba e do carnaval, ao tornarem-se aderecistas de grandes agremiações paulistas, trabalhando a partir dos princípios da economia solidária, vêm demonstrando que possibilidades potentes de geração de trabalho, renda e cidadania podem ser incluídas na economia criativa do carnaval, sem que nos distanciemos da raiz política emancipatória original e primeira do samba, mesmo diante das proporções exigidas pelos desfiles das grandes agremiações carnavalescas”

Infelizmente não foi possível acompanhar a lavagem da Pedra do Sal, que estava marcado para as 7 horas e iniciou após as 9:30 – registramos a espera e a conversa animada das baianas. Mas… o fotógrafo português Miguel do projeto Fui? cedeu fotos, bem como a pesquisadora Isabela Morais que foi a palestra no segundo dia – confira.

Os pontos positivos  do evento foram mesclar o cultural com o acadêmico, uma cobertura jornalística carinhosa de vários meios de comunicação e atendimento da organização atencioso. A vasta gama de profissionais e acadêmicos interessados e com trabalhos interessantíssimos no assunto também foi outro ponto alto do evento: estudiosos de cultura negra e relações raciais, cientistas sociais, sociólogos, literatos, historiadores, museólogos, antropólogos, músicos, compositores, dançarinos, políticos, filósofos, pedagogos,folcloristas, etnólogos, artistas plásticos, membros das comissões julgadoras do carnaval, jornalistas, administradores, gerenciadores de projetos, carnavalescos, advogados, cientistas políticos, cineastas, promotores de eventos, produtores musicais, estilistas, designers, atores, redatores, documentaristas…

Banner congresso

Apesar de problemas amadores na organização do evento: chamar os trabalhos selecionados em cima da hora, sem haver tempo para os pesquisadores pedirem recursos para as universidades (ocasionou muitas faltas); atrasos em excesso;  interrupção de mesas sem permitir que a platéia fizessse perguntas para os autores que vieram de outros estados… outra crítica a se pensar e que vários presentes citaram – apresentações em paralelo com temáticas em comum deram a sensação de termos perdido muita coisa interessante.   O balanço final do evento foi positivo, e que nas próximas edições seja primoroso para que o público possa aproveitar melhor as reflexões. O samba, a comunidade que o produz e os pesquisadores que trabalham temas que da cultura negra merecem isso, e muito mais.

Leia mais:

“fui?” é uma ação provocatória entre a arte e a comunidade, ao misturar os rostos e recantos de duas regiões portuárias: a cidade do Porto (Portugal) e o porto do Rio de Janeiro (Brasil)

Acompanhe ao vivo a cobertura pela Rádio online com entrevistas e trechos do evento

História do Samba – superinteressante

2º Congresso Nacional do Samba – portal do carnaval

Abertura do 2º Congresso Nacional do Samba: Edison Carneiro, José Ramos Tinhorão, Haroldo Costa e Sérgio Cabral.

O evento comemora os 50 anos da Carta do Samba, que criou o Dia Nacional do Samba, bem como os 100 anos de nascimento do presidente e relator do primeiro evento, Edison Carneiro. A idéia da reedição do evento surgiu no ano passado com Iran Araújo e Damião Braga da Associação dos Quilombos da Pedra do Sal, juntamente com o professor Jair Martins Miranda da Unirio que coordena o 2 Congresso. Muita gente não sabe que a data foi criada por conta do I Congresso Nacional do Samba.

Redigiu a  Carta do Samba, que instituiu o 2 de dezembro como dia Nacional do Samba

Redigiu a Carta do Samba, que instituiu o 2 de dezembro como dia Nacional do Samba

O I Congresso Nacional do Samba foi realizado também na Câmara Municipal do Rio de Janeiro -, em uma época em que se acreditava que o samba estava “agonizando” teve participação de Pixinguinha, Ary Barroso, Aracy de Almeida e Almirante, dentre outros. Coordenado em 1962 pelo escritor Edison Carneiro para repensar o gênero, sua preservação e refletir sobre o futuro do samba e, a Carta do Samba foi redigida por Carneiro I Congresso. Nas palavras de um dos homenageados da noite Haroldo Costa:

“Carneiro foi além – estabeleceu algumas normas, discutiu alguns capítulos de importância da história do samba naquela década. Importante reconhecer que muitas das questões que foram levantadas – foram desenvolvidas, ampliadas, e adotadas. Gostaria de lembrar de uma só: a presença da escola de samba no âmbito da questão social, de dar voz à sua comunidade, de proporcionar  estudos, profissões através de cursos profissionalizantes e atravéz de um empenho na parte esportiva. Isso tudo foi preconizado naquela primeira carta.”

Na abertura do 2º Congresso Nacional do Samba o vereador Reimont entregou do Conjunto de Medalhas de Mérito Pedro Ernesto aos representantes do escritor José Ramos Tinhorão, e post-mortem a Edison Carneiro. Foram homenageados ainda os escritores Haroldo Costa e Sérgio Cabral.

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Sergio Cabral, Haroldo Costa, José Ramos Tinhorão

Estavam presentes pesquisadores, o deputado Chiquinho da Mangueira e personalidades do samba. Mas o que teve destaque foi a participação da Associação das Velhas Guardas da Escolas de Samba do Rio de Janeiro, entrando seus belos estandartes.  E depois, um coquetel muito animado. Para completar a noite, na frente da câmara havia um evento com música e manifestações culturais encerrando o Mês da Consciência Negra. Emocionante –  Veja na galeria de fotos que será atualizada ainda esta semana, a arquitetura do local é muito bem conservada.

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Para saber mais: acompanhe a cobertura do site carnavalesco

Leia a Carta do Samba 1962

Matéria do jornal O Dia sobre o evento, bem como detalhes sobre o homenageado Haroldo Costa

No evento foi falado que esta música traduzia o espírito da época. Vídeo filmado na residência de João Nogueira e possui a participação além de Beth Carvalho do Clube do Samba: Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Clementina de Jesus, Clara Nunes, Sônia Lemos, Nelson Sargento, Sérgio Cabral, Dominguinhos do Estácio e muitos outros. Samba de Nelson Sargento.

O 2º Congresso Nacional do Samba é realizado com apoio de voluntários e do projeto de extensão Portal do Carnaval, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). O Portal do Carnaval será lançado na internet em janeiro de 2013, e  terá como objetivo permitir a troca de informações, serviços, produtos, negócios e perfis de profissionais envolvidos. O projeto conta com financiamento do Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O evento também foi feito em parceria com instituições ligadas ao samba carioca: Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso (Lesga) e a Federação dos Blocos Carnavalescos do Estado do Rio de Janeiro (Fbcerj).

Entrevista com profissional de mídias sociais – Patrícia Moura (parte 1)

Trabalho:  entrevistar uma pessoa do meio jornalístico ou publicitário, que deveria começar com um lead e prosseguir num ping-pong. Disciplina Introdução às Profissões em Comunicação.
Patrícia Moura

O combinado era nos encontrarmos na casa da publicitária Patrícia Moura num final de tarde de domingo para entrevista e fotos. Por problemas de logística, a equipe composta por 3 alunos da Estácio  de Sá e entrevistada, foi deslocada para casa de um dos membros da equipe, onde além de produzi-la, poderíamos contar com ajuda de seu pai, um conceituado repórter fotográfico para registrar o trabalho da equipe.

Patrícia tem 28 anos e se formou em Publicidade e Propaganda pela Estácio em 2006 e já no ano seguinte se pós-graduou em Mídias Digitais, na mesma instituição.

Após larga experiência em diversas agências, hoje ela coordena a campanha em meio digital de um candidato às eleições pela prefeitura de Niterói, dá aulas para turma de pós-graduação de Mídias Digitais da Estácio e está organizando com mais dois outros profissionais da área, um evento de métricas que acontecerá em São Paulo ainda este ano no mês de novembro. Abaixo, ela nos conta um pouco de sua trajetória, seus obstáculos, mostra sua visão do mercado de publicidade e dá dicas preciosas para quem está iniciando na área.

Carolline de Miranda – Por que você escolheu essa profissão?

Patrícia Moura – Eu sempre quis fazer Comunicação. É bem difícil dizer de onde surgiu esse meu desejo, mas eu sempre tinha uma ligação muito forte com os jingles, propaganda com a TV aberta… Acho que isso me despertou a curiosidade sobre o mundo da publicidade.

Flavia Moura – Quais foram seus primeiros passos profissionais?

PM – Bom, eu comecei como redatora e o estágio foi o primeiro passo profissional. Eu só consegui o estágio no sétimo período e isso é bastante complicado pra quem está querendo buscar uma carreira. Muito fácil conseguir emprego, trabalho, “freela”, o difícil é conseguir um bom estágio que vá te colocar dentro de uma empresa legal, ou de uma agência de publicidade que possa te proporcionar uma jornada dali pra frente.

FM – Eu queria saber em que momento você descobriu o nicho das mídias sociais em publicidade? Porque esse ainda não era um mercado de publicidade, então eu queria saber em que momento veio esse clique “é por aí que eu vou”?

PM – Primeiro teve a monografia, que é o projeto de conclusão de curso, onde eu optei por estudar o Orkut e subentende-se que eu tive que estudar teoria de redes sociais. À partir dali, eu não sabia muito bem com o quê que eu ia atuar. O que me vinha à cabeça era: nossa! Eu quero trabalhar no Google, ou para o Orkut. Mas não tinha muito idéia de em que mercado eu poderia atuar, porque a publicidade nas plataformas sociais ainda engatinhava, era um padrão de mídia muito tradicional.

Entre a faculdade e a pós, que na verdade só levou seis meses, eu conheci pessoas e conheci eventos da área de tecnologia, que me apresentaram ao mercado publicitário em São Paulo e lá já havia agências trabalhando com mídias digitais. Então acredito que isso tenha sido em meados de 2007, mas no Brasil já havia agências e empresas trabalhando com isso, mas muito poucas e quase todas concentradas em São Paulo.

FM – Ok. Sobre esse mercado de publicidade, qual o momento que ele está vivendo? Está em baixa…?

CM – Você acredita que ele está saturado, como dizem?

PM – Não, não sei se saturado é o termo. Mas houve um aprendizado geral no mercado publicitário. As mídias sociais realmente mexeram com a estrutura do mercado de comunicação. Todo mundo que fazia de um jeito teve que aprender um novo jeito de fazer. Todo mundo!

Desde o jornalista, ao diretor de arte, ao redator, criativo, ao cliente, planejamento, todo mundo teve que se dar conta de que hoje qualquer parte da campanha pode virar uma piada nas mídias sociais, ou pode se desdobrar em outras ações na web. Então, teve esse primeiro momento do aprendizado, da conscientização, teve um momento de conscientização… O mercado não sabia que isso ia tomar o tamanho que tomou. (…) a gente está num terceiro momento, onde boa parte das agências brasileiras já absorveu esse serviço de alguma maneira, já integraram esses serviços propostos, mas os clientes ainda não têm total consciência do poder das mídias sociais.

Hoje, 40% das empresas segundo pesquisas também, já estão dando atenção às mídias sociais. Ainda tem muita gente pra engatinhar no digital, pra aprender a criar seu próprio site, a criar canais de comunicação eficazes. Acho que o aprendizado do impacto do digital em todos os outros canais de comunicação ainda vai ser em longo prazo. Acho que todas as agências “Off” estão ainda testando muito na metodologia de tentativa e erro, pra chegar num modelo de negócio interessante pra eles mesmos e comprovar a lucratividade, rentabilidade pros clientes que querem atuar no digital.

Patrícia Moura online

CM – E é rentável para o profissional? Dá pra comprar a casa própria (risos)?

PM – Eu acho que é igual. Igual aos outros patamares salariais. Houve um tempo áureo da publicidade que não existe mais e eu nem sei se vai voltar que realmente quem trabalhava em grandes agências ganhava muito, muito, muito dinheiro, era o tempo da propaganda liberada pra cigarro, era o tempo que bebida alcoólica podia anunciar em qualquer horário… Hoje os clientes estão muito mais conscientes de onde estão colocando o dinheiro, eles querem resultado efetivo, cálculo de resultado, prova de que aquela campanha deu certo, trouxe o retorno, que é o que a gente chama de ROI – Retorno sobre O Investimento e ninguém está jogando dinheiro fora, ninguém está nessa brincadeira pra perder, né?

Houve um período do digital, em que eu também participei dessa “onda”, não havia profissionais com bagagem suficiente pra preencher a demanda do mercado, então esses profissionais tiveram uma supervalorização. Mas esse momento também já passou, agora todo mundo já se conscientizou. Todo mundo que está aprendendo, entrando na faculdade hoje já está com o olhar voltado pro digital, quem trabalhava com mídia offline há 10, 20 anos também, já está correndo atrás de aprender. Em 2012 já houve um freio no mercado, bem grande em relação a cargos, salários e oportunidades porque já estão aproveitando muita gente que já estava na área. Essas pessoas estão se qualificando e estão agregando essa função. O profissional que trabalha hoje no digital, ele não é privilegiado em relação ao profissional do offline.

Felipe Farias – Então, como se destacar na profissão quando tem tanta gente qualificada e se qualificando pra isso, nesse novo cenário?

PM – Existem coisas básicas, pelo menos na minha opinião. Um profissional que tem domínio do Inglês, ele é bem visto em qualquer área da comunicação. Ele tem um diferencial em qualquer área. Então ajuda quando você está no processo seletivo e quando a agência tem clientes internacionais. Cursos, qualificação de uma maneira geral, palestras, eventos. Existem milhares de eventos na área, existem eventos gratuitos, webnars (conferências pela web), você pode assistir às palestras via livestream, diretamente da sua casa ou do seu celular. Existe uma literatura vasta em teoria de redes sociais, de cibercultura. Eu pelo menos consegui a diferenciação muito através de teoria, porque em relação à prática, muita gente está no mercado e consegue chegar lá, mas existe um abismo entre o mundo acadêmico e o mundo do mercado, prático né? E eu segui muito a linha do meio. Eu quis muito ser as duas coisas e isso funcionou, então eu tento agregar o máximo de teoria ao meu trabalho. Você realmente tem milhares de artigos, notícias, livros, cases e de eventos, pra acompanhar ao mesmo tempo e aí, acho que se eu puder dar uma dica em cima disso, é escolher um viés que você queira atuar: “Ah, eu quero trabalhar com métricas, eu quero trabalhar com monitoramento, ou planejamento, ou com criação.” É saber eu quero isso e comer livro, mergulhar nesse mundo e tentar ser o cara que mais sabe daquilo que você escolheu.

FM – Tem algum profissional no qual você tenha se espelhado?

PM – Tem sim. Hoje a mulher no qual eu julgo ser a maior especialista em redes sociais do país. É a Raquel Recuero, da Universidade de Pelotas, porém a Raquel não é publicitária, ela é professora, pesquisadora, é uma teórica da comunicação. Ela tem alguns livros publicados sobre redes sociais e já publicava artigos sobre redes sociais desde a era do Fotolog, Myspace, etc; então ela é bibliografia recomendadíssima pra qualquer pessoa que queira entrar no mercado. O trabalho da Raquel me inspirou e me inspira até hoje!

CM – E como é que faz para o profissional não ficar “escravo” de trabalhar em agência pra sempre, só sendo “peão” a vida inteira? Tem que se arriscar, não é?

PM – Abrir sua própria agência (risos)… É uma saída que muita gente…É, hoje o home Office. Trabalhar como consultor, ou freelancer, é uma saída pra muita gente. Mas eu particularmente não vejo essa coisa de trabalhar em agência como ser peão. Eu gosto, mas talvez eu seja diferente das outras pessoas. (…) Por exemplo, tem o Roberto Justus e Walter Longo. Você pode ser o dono das seis agências, mas você pode ser o braço direito do cara que é o especialista, que está do lado dele o tempo todo e que não deve ter um salário pequeno (risos), então, ser empregado também tem suas vantagens, né? Você dorme com a cabeça mais tranqüila!

CM – Seguindo o pensamento que estamos nessa realidade das mídias sociais cuja tendência é, com o aumento da tecnologia, o uso delas aumentar junto. Então você acha que pode acontecer de o profissional de comunicação acabar sendo desnecessário? Por exemplo, uma pessoa coloca um vídeo no Youtube, vira sucesso, e a chamam pra fazer propaganda na televisão, entendeu? Será que daqui a pouco o profissional que pensa por trás disso vai ser meio obsoleto?

PM – Não, acho que não. Porque as pessoas fazem, sobem as coisas, publicam, compartilham espontaneamente. O profissional é estratégico. Ele vai traçar uma meta para que aquela campanha dê certo e alcance o target específico que ele determinou, os objetivos de comunicação e de marketing. Uma pessoa que não seja da área não vai ter essa visão. Acontece? Acontece. Tem um fenômeno que hoje toda a mídia fala dele, por exemplo, Felipe Neto fez isso sozinho sem ser publicitário. Ele conseguiu reunir uma audiência e essa é a graça, esse é o poder das mídias sociais, de qualquer pessoa, de qualquer usuário…

FF – O que fazer quando se está com os prazos atrasados e a criatividade parece que fugiu? Como se inspirar?

PM – Nossa… Eu acho que cada pessoa vai ter uma resposta diferente pra isso. Eu gosto muito de acessar blogs de comunicação que mostrem ações diferenciadas. Se eu estou sem uma idéia, desesperada, se falta uma hora pra entregar o planejamento e eu não tive “a” idéia que vai ser o mote daquele planejamento, eu acho que vou assistir cases na internet, pesquisar em blogs, vou procurar que marcas concorrentes, ou substitutas ou do mesmo mercado, o que elas fizeram.

CONTINUA!!!…

Entrevista concedida a Carolline de Miranda,
Felipe Farias e Flavia Moura em 23/09/2012
da esq p/ dir.: Felipe, Patrícia, Carolline, Flávia Moura
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