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Sobre o que permanece

(esse texto recebi este texto em 2011 no mês de setembro enquanto esperava tratamento espiritual… LINDOO e muito significativo para este momento da minha vida)

Às vezes as pessoas que amamos nos magoam, e nada podemos fazer senão continuar nossa jornada com nosso coração machucado.

Às vezes nos falta esperança. Às vezes o amor nos machuca profundamente, e vamos nos recuperando muito lentamente dessa ferida tão dolorosa.

Às vezes perdemos nossa fé, então descobrimos que precisamos acreditar, tanto quanto precisamos respirar…é nossa razão de existir.

Às vezes estamos sem rumo, mas alguém entra em nossa vida, e se torna o nosso destino.

Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta nosso coração pela falta de uma única pessoa.

Às vezes a dor nos faz chorar, nos faz sofrer, nos faz querer parar de viver, até que algo toque nosso coração, algo simples como a beleza de um pôr do sol, a magnitude de uma noite estrelada, a simplicidade de uma brisa batendo em nosso rosto.

É a força da natureza nos chamando para a vida.

Você descobre que as pessoas que pareciam ser sinceras e receberam sua confiança, te traíram sem qualquer piedade.

Você entende que o que para você era amizade, para outros era apenas conveniência, oportunismo. 

Você descobre que algumas pessoas nunca disseram eu te amo, e por isso nunca fizeram amor, apenas transaram…

Descobre também que outras disseram eu te amo uma única vez.

E agora temem dizer novamente, e com razão, mas se o seu sentimento for sincero poderá ajudá-las a reconstruir um coração quebrado.

Assim ao conhecer alguém, preste atenção no caminho que essa pessoa percorreu, são fatores importantes: a relação com a família, as condições econômicas nas quais se desenvolveu. (dificuldades extremas ou facilidades excessivas formam um caráter), os relacionamentos anteriores e as razões do rompimento, seus sonhos, ideais e objetivos.

Não deixe de acreditar no amor. Mas certifique-se de estar entregando seu coração para alguém que dê valor aos mesmos sentimentos que você dá.

Manifeste suas idéias e planos, para saber se vocês combinam. E certifique-se de que quando estão juntos, aquele abraço vale mais que qualquer palavra.

Esteja aberto a algumas alterações, mas jamais abra mão de tudo, pois se essa pessoa te deixar, então nada irá lhe restar.

Tenha sempre em mente que às vezes tentar salvar um relacionamento, manter um grande amor, pode ter um preço muito alto se esse sentimento não for recíproco.

Pois em algum outro momento essa pessoa irá te deixar e seu sofrimento será ainda mais intenso, do que teria sido no passado.

Pode ser difícil fazer algumas escolhas, mas muitas vezes isso é necessário.

Existe uma diferença muito grande entre conhecer o caminho e percorrê-lo.

A tristeza pode ser intensa, mas jamais será eterna.

A felicidade pode demorar a chegar, mas o importante é que ela venha para ficar e não esteja apenas de passagem…

François de Bitencourt

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Deuses com defeitos humanos no Monte Olimpo

Tradução: Édipo, o mother fucker original  (não tenho coragem de traduzir, tá?)

Uma das disciplinas que gosto nesta minha segunda graduação é grego, sempre me interessei por esta mitologia. Lembrei de uma banda de Floripa que está meio parada com uma música temática. Por acaso quando estava reescrevendo este post recebi um telefonema de Floripa e o vocalista disse que pode voltar…

Nas últimas semanas fiz três freelas de pesquisa e/ou fomatação de artigos para 2 doutorandos do Rio Grande do Sul e mais um para Santa Catarina.  Estou me organizando, por causa de greve na UFRJ ainda não fui avaliada no primeiro período em algumas disciplinas que fiz em casa. E ainda iniciei presencialmente todas as disciplinas do segundo período. Sair da cama e voltar à vida “quase” normal apesar de doente tem suas dificuldades, por isso não tenho escrito por aqui.

Mas voltando ao Grego II, teremos uma introdução sobre o contexto histórico e estudaremos a Ilíada que foi supostamente escrita por Homero. E o que tem a Ilíada haver com Édipo? A Ilíada é sobre os últimos anos da guerra de Tróia e a disputa de Aquiles com Agamenon… e o Édipo é aquele da Jocasta. E são gregas… pronto hehehe

EMENTA Discplina Grego II: Alguns aspectos da civilização micênica da Idade do Bronze. Os poemas homéricos. Terceira declinação. Verbos temáticos vocálicos: modo indicativo (tempos secundários) Estruturas sintáticas básicas do grego clássico. Formação de palavras. Tradução de pequenos textos.

Música Édipo     (clique para ouvir ou fazer download da música)

Édipo,
O que eu posso fazer?
Eu sei, eu sei,
Você não pode me ver
Édipo,
Como vai sua mãe?
E o seu pai onde foi parar?

Édipo,
E a sua esposa?
Quando vai me apresentar?

Édipo, Édipo, Édipo, Édipo Rei
A vida não é fácil
(2x)
Meu amigo eu sei

Esse cara já foi rei
Pois é, quem diria
Agora anda por aí
De esquina em esquina
Vendendo loteria

Édipo, Édipo, Édipo, Édipo
E sua filha? (2x)
Essa menina não é fácil
Segura a guria

Para quem não entende inglês, esta é a Linha Real de Tebas (reis em itálico), ou a árvore genealógica de Édipo.

Outras (es)historinhas sobre os ocupantes do Monte Olimpo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia_grega#Deuses_gregos

Angústia e morte

Resolvi escrever este post após ver este texto que fala um pouco do que é sobreviver a uma morte do ente querido a vida é um fio e me lembrei também do que uma amiga escreveu sobre a morte de pais no blog.

Estou com um livro em minhas mãos chamado A História Universal da Angústia “concebido segundo a História Universal da Infâmia, de Jorge Luis Borges, que compilou uma série de contos sobre bandidos de vários países e épocas”.

Na contracapa existe uma advertência: ele contém de fato, toda a humanidade. No que ela tem de mais e menos humano. “História da Angústia” fala do evangelista Lucas internado em um manicômio, Saul diante de Davi e Golias, a família Graco tentando fazer reforma agrária no império Romano, Parsifal, e ainda não podia faltar Hamlet.

A parte que mais chocou foi que entre os contos escritos havia um grande capítulo chamado A GIGANTESCA MORGUE apresentando apenas notícias reais com assassinatos (sem motivos, passionais, familiares), massacres (raciais, ideológicos, étnicos, políticos, religiosos, atômicos), atentados frustados ou não, suicídios, serial killers, violência sexual…126 fatos que em meio à ficção chocam por sabermos que existiram e infelizmente alguns não muito distantes de nós.

O psicólogo austríaco Freud cunhou o termo Todestrieb, pulsão de morte em português e também relacionada com o deus Tânato (grego transl. Thánatos). Tive um colega de universidade que trabalhava com os ritos da morte na área de antropologia, e o presenteei com um livro que se chama “O Dicionário dos Suicidas Ilustres”. Nele, o autor lista não apenas aqueles que conseguiram, mas aqueles que tentaram se suicidar (alguns tiveram vida longa):

Kurt Cobain, Ernest Hemingway, Ana C. Cesar, Reinaldo Arenas, Jacqueline Kennedy Onassis, Aristóteles, Roland Barthes, Jean Michel Basquiat, Walter Benjamin, Cleópatra, Florbela Espanca, Patrícia Galvão, a Pagu, Gogol, Adolf Hitler, Judas, Getúlio Vargas, Akira Kurosawa, Virgínia Woolf, Stefan Sweig, Anna Karenina, Romeu & Julieta – alguns personagens da vida real e/ou da ficção marcam mais que outros.

Tenho interesse pelo tema, e no início do Clube da Leitura promovido pela Baratos da Ribeiro tive um dos primeiros contos a ser publicado online em 2007: http://baratosdaribeiro.com.br/blog/?p=77
Mais tarde com um blog próprio, o primeiro volume de contos lançado na FLIP e com o segundo volume no forno; outro conto nesta mesma linha: http://www.baratosdaribeiro.com.br/clubedaleitura/2011/06/17/para-fora-por-gloria-celeste/

A angústia e estranhamento estão presentes em outro post que fiz aqui sobre Woyzeck, que luta para se humanizar enquanto o ambiente o bestializa violentamente.

Teremos que por muito tempo ainda conviver com palavras como mentira, bullying, abuso de poder e autoridade, assédio moral e sexual, corrupção, coerção, coação, burn out, injúria, calúnia, difamação. Aqui não existe a morte física, mas a psicológica que em muitos casos leva ao desejo de autodestruição.

Por outro lado existe um espectro que puxa a humanidade para frente e nos faz melhores, ou querer ser melhores com ações que contrastam em muito com as descritas “na gigantesca morgue”.

Quem realmente perde algo, e tem a impressão de se tornar um quase nada, vazio é possuído pelo desespero (experiência própria e de muitos seres viventes). Experiência vivida, conhecimento adquirido.  O instinto de preservação nos dá após algum tempo a possibilidade de reconstruir e caminhar aprendendo o que somos. Inteiros e com luz própria.

Se quer ler mais sobre a morte, uma boa indicação de leitura são os livros IV e IX das Confissões de Santo Agostinho.

Como trilha sonora gosto de finais felizes… lembra de Tower of Strength?

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