Arquivo mensal: novembro 2012

Entrevista com profissional de mídias sociais – Patrícia Moura (parte 2)

Trabalho:  entrevistar uma pessoa do meio jornalístico ou publicitário, que deveria começar com um lead e prosseguir num ping-pong. Disciplina Introdução às Profissões em Comunicação.

Patrícia Moura online

CM – O Inglês é obrigatório?

PM – Não, não, porque tem muitas agências que só atendem clientes brasileiros e não vão pedir isso no processo seletivo.

Hoje, se eu vou abrir um processo seletivo, eu preciso que no mínimo o candidato tenha canais pessoais nas principais redes sociais. Ele precisa ser usuário pra entender a dinâmica de cada rede. Se a pessoa diz “Ah eu não gosto, não quero botar minha vida lá…” Desculpa, não vai trabalhar comigo. Então, isso para mídias sociais é o mínimo. Todo recrutador de mídias sociais faz uma análise dos canais das pessoas, vêem o que elas publicam, se elas falam besteira, se colocam fotos inadequadas, então em mídias sociais isso é o mínimo. E muita gente perde oportunidade aí, né? Hoje por exemplo, eu não peço um currículo, eu peço um Linkedin. Eu até recebo currículo, mas eu quero ver o Linkedin da pessoa. Ela pode até dizer: “Ah meu Linkedin está desatualizado, não mexo há muito tempo.” Ok.

Se ela fala assim: “O que que é isso?” (risos) …

FM – Eu tenho Linkedin, mas por exemplo, eu nunca usei o mural do Linkedin pra falar nada. Tem um exemplo de uma profissional de publicidade…

PM – Você não precisa usar. Você tem que manter ele atualizado. Só isso. É o seu currículo online.

FM – Tem uma profissional de publicidade conhecida, que integra seus tweets com o google talk para o Linkedin, então às vezes eu a vejo comentando sobre Ana Maria Braga no Linkedin.

PM – É… É um problema comum.

FM – Eu não acho isso adequado!

PM – Não é mesmo. É uma ferramenta que tem essa facilidade, mas o profissional tem que ter muito cuidado ao integrar, porque pode estar falando uma coisa super pessoal em outra plataforma e no Linkedin ter vários recrutadores, diretores de empresa, profissionais de mercado lendo uma coisa que não é adequada naquela rede.

FM – Patrícia, me diz o que você já fez desde a graduação, em quais agências você trabalhou?

PM – Eu comecei trabalhando como redatora de uma empresa que comercializava esperas telefônicas. Eu era responsável por esses textos. Dali eu fui pra uma agência que trabalhava conteúdos pra marketing, voltados pro segmento médico. Então eram diversos fascículos (…), enfim, ferramentas de gerenciamento de escritório…

FM – Você também era redatora?

PM – Sim, eu era redatora nessa agência de marketing médico (TSO, que hoje se tornou uma editora). Em 2008, no ano seguinte, eu consegui entrar no mercado digital no Rio, através da agência Frog.

Eu fui analista de mídias sociais. Jr, depois eu fui promovida a pleno. Lá eu era responsável por criação, planejamento, execução de campanhas pra uma série de marcas já conhecidas: grupo Ediouro e as cinco editoras que compõem o grupo, fui responsável pela entrada da Oi nas mídias sociais, fiz um job pra Kuat, alguns pra revista Coquetel, de palavras cruzadas… dentre outros mil planejamentos.

FM – Teve algum case de sucesso na Frog, que você tenha sido responsável?

PM – Sim, alguns pra Ediouro eu criei um personagem chamado O Leitor Voraz, na época, em 2008, o Twitter era bastante novo no Brasil, entrei no Twitter em 2007, ele foi criado no final de 2006 e não havia personagens corporativos. Então eu desenvolvi a criação do personagem, que era um garoto devorador de livros e ele já fazia alguns concursos culturais e dava dicas de todos os lançamentos do grupo Ediouro e falava um pouco sobre os autores de cada livro. Ele foi responsável pelo processo de rejuvenescimento da marca. Então ele deu tão certo naquele momento, que ele ganhou perfis em várias outras redes sociais e ganhou um portal próprio.

FM – Você pode dizer pra gente um exemplo de comportamento ou de ação que O Leitor Voraz tinha no Twitter? Alguma brincadeira que você fez com os twitters?

PM – A linguagem era muito lúdica, então era inovador pra época ter uma marca dando bom dia, falando gíria, brincando de follow friday e usando todos os recursos que as outras pessoas usam. Existia uma divisão até então, um patamar que a marca tinha que usar, uma linguagem toda corporativa. Então O Leitor rompeu todas essas barreiras e então ele era bem próximo do consumidor da Ediouro.

FM – Eu queria que você falasse um pouquinho sobre a brincadeira de morto-vivo…

PM – (Risos) É… teve uma ação específica pra um livro chamado Serial Killer e a gente desenvolveu uma mecanicazinha no Twitter, onde o usuário precisava dar um reply pra vários amigos dizendo que os matou e a medida em que esses amigos respondiam dizendo “morri”, esse usuário ganhava um ponto. Então a pessoa que mais matasse perfis no Twitter naquele dia, seriam os vencedores e ganhariam os livros Serial Killer.

E foi uma tarde inteira de loucura, todo mundo brincando de “matei”, “morri”, “matei de novo”… “deixa eu matar você!” “Ah, mas eu já morri pelo fulano!”, “Não tem problema, eu quero ganhar ponto também!” e a quantidade de usuários de Twitter no Brasil era pequena, então era fácil fazer um buzz

FM – E quando você saiu da Frog, foi pra qual agência?

PM – Fui pra Simples Agência, em 2009. Lá eu coordenei as ações pra um cliente, que era o Compra Fácil, um e-commerce. Na época, ainda era pouco conhecido, tinha um recall baixo. As pessoas eram muito desconfiadas com sites de compra na internet, onde confiar, botar seu cartão de crédito. Antes do boom de compras coletivas, as pessoas evitavam comprar online.

FM – E qual era o seu cargo?

PM – Eu era analista de mídias sociais sênior. Lá eu também tive a oportunidade de trabalhar o desenvolvimento de personagem e ações de buzz. Quando eu cheguei à Simples Agência, já havia um personagem pro Compra Fácil, que era um robozinho chamado Facilita, porém ele não tinha uma linguagem adequada. Ele falava das ofertas muito duramente como “Liquidificador a 39,90 na promoção.” E as pessoas não interagiam, não tinha nenhum carisma, nenhuma afinidade. Então eu tive carta branca pra trabalhar essa linguagem e a primeira coisa que o Facilita falou no dia seguinte foi “Bom dia terráqueos, cheguei ao planetinha azul.” Mais uma vez eu trabalhei o lúdico e meses depois as pessoas já estavam perguntando se podia mandar beijo pra sobrinha, que a pessoa ia printar o tweet, e estavam perguntando quando ia sair o robozinho, igual tem o do Big Brother, porque já queriam comprar o personagem. E a gente começou a vender muito pra época, cerca de R$10.000 no blog. Saímos de quase 0 pra 10.000 de vendas por mês, só linkando a foto do post ao e-commerce. Inclusive foi destaque da revista Info naquele ano.

FM – E ai você saiu da Simples Agência

PM – E fui pra Agência Binder, que foi a primeira agência de publicidade, de fato que eu trabalhei, no final de 2009. Lá eu tive uma grande responsabilidade que era coordenar, tirar do chão o departamento de mídias sociais pra transformar a agência em integrada. Pra que ela pudesse vender o serviço de comunicação integrada. Lá eu trabalhei pra vários clientes interessantes como Shopping Nova América, e todo o Grupo Ancar, que é composto por 19 shoppings em todo o país, Escola Superior Nacional de Seguros, Chevrolet Rio, Cerveja Cintra, Mariner… Lá eu tive experiências muito interessantes e alguns cases também, que chegaram a ganhar prêmio.

FM – Em que ano você saiu da Binder?

PM – Em 2011, quando eu recebi uma proposta pra ser gerente de mídias sociais da Casa Digital, no Rio também. A Casa Digital é uma agência totalmente voltada pra política. Eles nasceram em eleições e tiveram êxito nessa área, continuaram atendendo clientes como Governo do Rio de Janeiro, Prefeitura do Rio de Janeiro, Governo de Brasília… Então fiquei lá até esse ano, 2012, trabalhando diretamente pra esses clientes em algumas campanhas importantes pra cidade.

FM – Dessas agências que você trabalhou, qual a que você tem mais afinidade? Você gostou de trabalhar com política ou prefere trabalhar com a parte criativa?

PM – Na realidade, eu continuo trabalhando com política até hoje, mas a minha paixão são produtos, marcas, então nesse caso, as agências digitais anteriores e a Binder tem mais a ver com o meu perfil, mas a área de política dá bastante dinheiro, digamos assim… (risos) e tem oportunidades de crescimento sempre, também.

FM – Pra finalizar a entrevista, você tem alguma mensagem pras pessoas que estão se formando agora, que queiram trabalhar como publicitários, no geral?

PM – Bom, minha sugestão é que planeje a sua carreira. Os jovens deixam muito, igual a música do Zeca “Deixa a vida me levar, vida leva eu…”, “Se arrumar um emprego no banco e tiver uma oportunidade de ganhar mais, eu vou e depois eu volto.” NÃO. Você não vai voltar. Então tem que ter foco, tem que planejar. “Vou fazer faculdade até tal ano, e durante a faculdade, vou fazer inglês,  Photoshop, vou a tal evento e depois vou fazer a pós, depois o mestrado, doutorado… ou um curso de criação em Miami…” Mas tem que ter um foco, tem que ter uma meta. É difícil conseguir emprego, não é fácil, tem que persistir, tem que ser bastante determinado a conseguir isso. Quem fica muito na dúvida, acaba não conseguindo uma posição rápido. Tem que estar bastante atento para o que o mercado está pedindo, o que está acontecendo e nas noticias. Eu acho que eu sou meio kamikaze também (risos) de querer abraçar o mundo com as pernas. Mas foi assim que deu certo pra mim, então é assim que eu entendo o mundo da comunicação e o que eu posso recomendar é que a pessoa seja bastante focada na carreira e consiga planejar bastante seus estudos.

Entrevista concedida a Carolline de Miranda,
Felipe Farias e Flavia Moura em 23/09/2012

da esq p/ dir.: Felipe, Patrícia, Carolline, Flávia Moura

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Entrevista com profissional de mídias sociais – Patrícia Moura (parte 1)

Trabalho:  entrevistar uma pessoa do meio jornalístico ou publicitário, que deveria começar com um lead e prosseguir num ping-pong. Disciplina Introdução às Profissões em Comunicação.
Patrícia Moura

O combinado era nos encontrarmos na casa da publicitária Patrícia Moura num final de tarde de domingo para entrevista e fotos. Por problemas de logística, a equipe composta por 3 alunos da Estácio  de Sá e entrevistada, foi deslocada para casa de um dos membros da equipe, onde além de produzi-la, poderíamos contar com ajuda de seu pai, um conceituado repórter fotográfico para registrar o trabalho da equipe.

Patrícia tem 28 anos e se formou em Publicidade e Propaganda pela Estácio em 2006 e já no ano seguinte se pós-graduou em Mídias Digitais, na mesma instituição.

Após larga experiência em diversas agências, hoje ela coordena a campanha em meio digital de um candidato às eleições pela prefeitura de Niterói, dá aulas para turma de pós-graduação de Mídias Digitais da Estácio e está organizando com mais dois outros profissionais da área, um evento de métricas que acontecerá em São Paulo ainda este ano no mês de novembro. Abaixo, ela nos conta um pouco de sua trajetória, seus obstáculos, mostra sua visão do mercado de publicidade e dá dicas preciosas para quem está iniciando na área.

Carolline de Miranda – Por que você escolheu essa profissão?

Patrícia Moura – Eu sempre quis fazer Comunicação. É bem difícil dizer de onde surgiu esse meu desejo, mas eu sempre tinha uma ligação muito forte com os jingles, propaganda com a TV aberta… Acho que isso me despertou a curiosidade sobre o mundo da publicidade.

Flavia Moura – Quais foram seus primeiros passos profissionais?

PM – Bom, eu comecei como redatora e o estágio foi o primeiro passo profissional. Eu só consegui o estágio no sétimo período e isso é bastante complicado pra quem está querendo buscar uma carreira. Muito fácil conseguir emprego, trabalho, “freela”, o difícil é conseguir um bom estágio que vá te colocar dentro de uma empresa legal, ou de uma agência de publicidade que possa te proporcionar uma jornada dali pra frente.

FM – Eu queria saber em que momento você descobriu o nicho das mídias sociais em publicidade? Porque esse ainda não era um mercado de publicidade, então eu queria saber em que momento veio esse clique “é por aí que eu vou”?

PM – Primeiro teve a monografia, que é o projeto de conclusão de curso, onde eu optei por estudar o Orkut e subentende-se que eu tive que estudar teoria de redes sociais. À partir dali, eu não sabia muito bem com o quê que eu ia atuar. O que me vinha à cabeça era: nossa! Eu quero trabalhar no Google, ou para o Orkut. Mas não tinha muito idéia de em que mercado eu poderia atuar, porque a publicidade nas plataformas sociais ainda engatinhava, era um padrão de mídia muito tradicional.

Entre a faculdade e a pós, que na verdade só levou seis meses, eu conheci pessoas e conheci eventos da área de tecnologia, que me apresentaram ao mercado publicitário em São Paulo e lá já havia agências trabalhando com mídias digitais. Então acredito que isso tenha sido em meados de 2007, mas no Brasil já havia agências e empresas trabalhando com isso, mas muito poucas e quase todas concentradas em São Paulo.

FM – Ok. Sobre esse mercado de publicidade, qual o momento que ele está vivendo? Está em baixa…?

CM – Você acredita que ele está saturado, como dizem?

PM – Não, não sei se saturado é o termo. Mas houve um aprendizado geral no mercado publicitário. As mídias sociais realmente mexeram com a estrutura do mercado de comunicação. Todo mundo que fazia de um jeito teve que aprender um novo jeito de fazer. Todo mundo!

Desde o jornalista, ao diretor de arte, ao redator, criativo, ao cliente, planejamento, todo mundo teve que se dar conta de que hoje qualquer parte da campanha pode virar uma piada nas mídias sociais, ou pode se desdobrar em outras ações na web. Então, teve esse primeiro momento do aprendizado, da conscientização, teve um momento de conscientização… O mercado não sabia que isso ia tomar o tamanho que tomou. (…) a gente está num terceiro momento, onde boa parte das agências brasileiras já absorveu esse serviço de alguma maneira, já integraram esses serviços propostos, mas os clientes ainda não têm total consciência do poder das mídias sociais.

Hoje, 40% das empresas segundo pesquisas também, já estão dando atenção às mídias sociais. Ainda tem muita gente pra engatinhar no digital, pra aprender a criar seu próprio site, a criar canais de comunicação eficazes. Acho que o aprendizado do impacto do digital em todos os outros canais de comunicação ainda vai ser em longo prazo. Acho que todas as agências “Off” estão ainda testando muito na metodologia de tentativa e erro, pra chegar num modelo de negócio interessante pra eles mesmos e comprovar a lucratividade, rentabilidade pros clientes que querem atuar no digital.

Patrícia Moura online

CM – E é rentável para o profissional? Dá pra comprar a casa própria (risos)?

PM – Eu acho que é igual. Igual aos outros patamares salariais. Houve um tempo áureo da publicidade que não existe mais e eu nem sei se vai voltar que realmente quem trabalhava em grandes agências ganhava muito, muito, muito dinheiro, era o tempo da propaganda liberada pra cigarro, era o tempo que bebida alcoólica podia anunciar em qualquer horário… Hoje os clientes estão muito mais conscientes de onde estão colocando o dinheiro, eles querem resultado efetivo, cálculo de resultado, prova de que aquela campanha deu certo, trouxe o retorno, que é o que a gente chama de ROI – Retorno sobre O Investimento e ninguém está jogando dinheiro fora, ninguém está nessa brincadeira pra perder, né?

Houve um período do digital, em que eu também participei dessa “onda”, não havia profissionais com bagagem suficiente pra preencher a demanda do mercado, então esses profissionais tiveram uma supervalorização. Mas esse momento também já passou, agora todo mundo já se conscientizou. Todo mundo que está aprendendo, entrando na faculdade hoje já está com o olhar voltado pro digital, quem trabalhava com mídia offline há 10, 20 anos também, já está correndo atrás de aprender. Em 2012 já houve um freio no mercado, bem grande em relação a cargos, salários e oportunidades porque já estão aproveitando muita gente que já estava na área. Essas pessoas estão se qualificando e estão agregando essa função. O profissional que trabalha hoje no digital, ele não é privilegiado em relação ao profissional do offline.

Felipe Farias – Então, como se destacar na profissão quando tem tanta gente qualificada e se qualificando pra isso, nesse novo cenário?

PM – Existem coisas básicas, pelo menos na minha opinião. Um profissional que tem domínio do Inglês, ele é bem visto em qualquer área da comunicação. Ele tem um diferencial em qualquer área. Então ajuda quando você está no processo seletivo e quando a agência tem clientes internacionais. Cursos, qualificação de uma maneira geral, palestras, eventos. Existem milhares de eventos na área, existem eventos gratuitos, webnars (conferências pela web), você pode assistir às palestras via livestream, diretamente da sua casa ou do seu celular. Existe uma literatura vasta em teoria de redes sociais, de cibercultura. Eu pelo menos consegui a diferenciação muito através de teoria, porque em relação à prática, muita gente está no mercado e consegue chegar lá, mas existe um abismo entre o mundo acadêmico e o mundo do mercado, prático né? E eu segui muito a linha do meio. Eu quis muito ser as duas coisas e isso funcionou, então eu tento agregar o máximo de teoria ao meu trabalho. Você realmente tem milhares de artigos, notícias, livros, cases e de eventos, pra acompanhar ao mesmo tempo e aí, acho que se eu puder dar uma dica em cima disso, é escolher um viés que você queira atuar: “Ah, eu quero trabalhar com métricas, eu quero trabalhar com monitoramento, ou planejamento, ou com criação.” É saber eu quero isso e comer livro, mergulhar nesse mundo e tentar ser o cara que mais sabe daquilo que você escolheu.

FM – Tem algum profissional no qual você tenha se espelhado?

PM – Tem sim. Hoje a mulher no qual eu julgo ser a maior especialista em redes sociais do país. É a Raquel Recuero, da Universidade de Pelotas, porém a Raquel não é publicitária, ela é professora, pesquisadora, é uma teórica da comunicação. Ela tem alguns livros publicados sobre redes sociais e já publicava artigos sobre redes sociais desde a era do Fotolog, Myspace, etc; então ela é bibliografia recomendadíssima pra qualquer pessoa que queira entrar no mercado. O trabalho da Raquel me inspirou e me inspira até hoje!

CM – E como é que faz para o profissional não ficar “escravo” de trabalhar em agência pra sempre, só sendo “peão” a vida inteira? Tem que se arriscar, não é?

PM – Abrir sua própria agência (risos)… É uma saída que muita gente…É, hoje o home Office. Trabalhar como consultor, ou freelancer, é uma saída pra muita gente. Mas eu particularmente não vejo essa coisa de trabalhar em agência como ser peão. Eu gosto, mas talvez eu seja diferente das outras pessoas. (…) Por exemplo, tem o Roberto Justus e Walter Longo. Você pode ser o dono das seis agências, mas você pode ser o braço direito do cara que é o especialista, que está do lado dele o tempo todo e que não deve ter um salário pequeno (risos), então, ser empregado também tem suas vantagens, né? Você dorme com a cabeça mais tranqüila!

CM – Seguindo o pensamento que estamos nessa realidade das mídias sociais cuja tendência é, com o aumento da tecnologia, o uso delas aumentar junto. Então você acha que pode acontecer de o profissional de comunicação acabar sendo desnecessário? Por exemplo, uma pessoa coloca um vídeo no Youtube, vira sucesso, e a chamam pra fazer propaganda na televisão, entendeu? Será que daqui a pouco o profissional que pensa por trás disso vai ser meio obsoleto?

PM – Não, acho que não. Porque as pessoas fazem, sobem as coisas, publicam, compartilham espontaneamente. O profissional é estratégico. Ele vai traçar uma meta para que aquela campanha dê certo e alcance o target específico que ele determinou, os objetivos de comunicação e de marketing. Uma pessoa que não seja da área não vai ter essa visão. Acontece? Acontece. Tem um fenômeno que hoje toda a mídia fala dele, por exemplo, Felipe Neto fez isso sozinho sem ser publicitário. Ele conseguiu reunir uma audiência e essa é a graça, esse é o poder das mídias sociais, de qualquer pessoa, de qualquer usuário…

FF – O que fazer quando se está com os prazos atrasados e a criatividade parece que fugiu? Como se inspirar?

PM – Nossa… Eu acho que cada pessoa vai ter uma resposta diferente pra isso. Eu gosto muito de acessar blogs de comunicação que mostrem ações diferenciadas. Se eu estou sem uma idéia, desesperada, se falta uma hora pra entregar o planejamento e eu não tive “a” idéia que vai ser o mote daquele planejamento, eu acho que vou assistir cases na internet, pesquisar em blogs, vou procurar que marcas concorrentes, ou substitutas ou do mesmo mercado, o que elas fizeram.

CONTINUA!!!…

Entrevista concedida a Carolline de Miranda,
Felipe Farias e Flavia Moura em 23/09/2012
da esq p/ dir.: Felipe, Patrícia, Carolline, Flávia Moura

Texto produzido em grupo – baseado em “O Profundo Amor de Deus por mim”

Dinâmica: produzir um texto em grupo refletindo sobre trecho inicial da autora amazonense Lisiê Silva.  Em conjunto com Daniele Bezerra e Nikolas Victor

(após o texto que o grupo escreveu, está o texto completo da autora).

Todos os problemas que enfrentamos servem para a nossa evolução, nosso crescimento espiritual. Deus não impede que tenhamos obstáculos na caminhada da nossa vida, para o amadurecimento e conquistar qualidades cada vez mais humanas e próximas do que percebemos como divino.

Deus nos dá o que precisamos sempre na medida certa, nem mais nem menos. O que nós fazemos com isso, e como se faz é que fará a diferença da contribuição que podemos dar para a vida.

Não devemos blasfemar, ou se revoltar dizendo que Deus não existe apenas por causa de nossas dificuldades. Devemos ser gratos pelo positivo e pelo negativo, pois durante a nossa caminhada espirituaal ele nos dá tudo o que precisamos e apesar dos obstávulos Ele estará sempre do nosso lado.

Apesar das quedas, dificuldades, dores e tristezas Deus nos dá forças e inspira a continuar a caminhada para a felicidade de um dia alcançarmos a sabedoria.

Leia outros textos e saiba mais da autora no blog com poemas, crônicas e versos livres: http://poemaslisiesilva.blogspot.com.br/p/sobre-mim.html

O PROFUNDO AMOR DE DEUS POR MIM
© Lisiê Silva em 15/Set/2003

Deus me ama tão profundamente,
Que não me livra dos problemas que eu preciso enfrentar,
para amadurecer e me sentir mais forte.

Deus me ama tão profundamente,
Que não me poupa das tristezas e decepções,
que são necessárias para o meu crescimento.

Deus me ama tão profundamente,
que me permite experimentar a dor física e a dor na alma,
para que eu me torne cada vez mais sensível e mais humana.

Deus me ama tão profundamente,
que não tem me dado uma vida de riquezas e nem de facilidades.
Mas também não tem me dado uma vida de pobreza extrema,
e nem de necessidades.
Ele me dá uma vida, onde eu posso ter, na medida certa,
tudo que preciso para viver com honestidade.
Ele me fez entender que o meu tempo aqui é muito curto,
para acumular coisas desnecessárias à minha espiritualidade.

Ele tem me dado, principalmente, o que eu posso levar comigo,

quando eu partir, e entregar a ele, no momento do nosso encontro.
Deus, em sua suprema sabedoria, sabe o que eu preciso para ser feliz.
Ele sabe que a minha felicidade não está nas coisas materiais.
Ele sabe que se eu tivesse uma vida de riquezas, provavelmente,

eu daria tanto valor as futilidades que até me esqueceria Dele.
E se eu esquecesse Dele, logo chegaria um dia
em que eu me sentiria extremamente infeliz.
Repleta de valores materiais, mas vazia por dentro.

Deus me ama tão profundamente,
que tem feito de mim, uma pessoa forte, esforçada,
lutadora, que sonha, que chora, que cai e se levanta,
que olha pra cima, e que vê longe…
Muito além do que se pode tocar com as mãos.

Deus me ama tão profundamente,
que tem feito de mim, uma pessoa que busca dar a sua parcela
de contribuição para a vida. E que vive para realizar
o que anseia espiritualmente. Mesmo que sozinha.
Por que sozinha nunca estarei.
Tenho o profundo amor de Deus comigo.

Quando reflito sobre o profundo amor que eu sinto por Deus,
sinto uma inter ligação que me leva, naturalmente,
ao profundo amor de Deus por mim.
Então percebo que nada tenho a reclamar sobre a vida que Ele me deu.
Por que todos os dias ele me dá chances para que eu me esforce,

e me torne um ser humano melhor e mais feliz.
É o tipo de felicidade que só faz bem ao espírito.
Meu e Dele.

Ele sabe que para quem se esforça,
o sabor da vitória é mais doce.
A alegria no coração é maior.
A alma entra em um ritmo emocionante…
e dança a música do céu…
e canta a canção da vida…
ouvindo a orquestra dos Anjos,
tocada com os instrumentos afinados pelo tempo.

A auto confiança aumenta.
E eu me sinto mais capacitada, mais realizada.
esta é a minha verdadeira felicidade.
Saber que eu posso realizar cada pequena conquista,
com os meus próprios esforços…
por que ao final, sinto a minha alma livre.
e ao me sentir livre, uma alegria imensa contagia o meu ser.
então eu constato, que durante esse meio tempo,
enquanto eu estava apenas lutando pelas minhas conquistas,
Ele ficou ao meu lado, torcendo por mim,
e aguardando os resultados.

Deus me ama tão profundamente, que disse-me uma vez…
Que se Ele tivesse colocado dentro do meu peito, um coração
materialista, eu passaria a minha vida a caminhar por uma

pequena estrada chamada Ilusão.

É uma pequena estrada que leva os seus caminhantes

ao encontro do tesouro material, e o meu coração materialista

me conduziria tão diretamente ao encontro desse tesouro,
que eu nem olharia para os lados. e perderia toda a beleza
e o encantamento da paisagem ao redor:
Provavelmente, ao caminhar pela estrada da ilusão,
eu perderia os meus cinco sentidos vitais:
No meu caminhar durante o dia,
Eu não veria o sol brilhante que ele fez pra mim,
Eu não ouviria a sinfonia do canto dos pássaros que ele criou.
Eu não sentiria a delícia do vento soprando nos meus cabelos.
Eu não desejaria tocar uma flor, ou sentir o seu perfume.
Eu não lançaria um olhar de gratidão para a natureza,
que é uma obra de arte, feita por ele.

No meu caminhar durante a noite,
Eu não teria tempo de olhar pra cima e ver o céu estrelado.
Eu não sentiria vontade de conversar com as estrelas,
Eu desconheceria a lua e todas as suas fases.
Eu não me admiraria com a imensidão do universo.
Eu desconheceria toda a grandeza de sua criação.

Caminhando pela estrada da Ilusão,
eu teria os meus olhos fixos no superficial.
e se eu encontrasse alguém mais necessitado do que eu,
eu passaria por cima…
e se esse alguém me chamasse, eu nem ouviria.
Por quê todos os meus sentidos estariam naquilo
que me esperava lá na frente,
e assim eu seria mais ambiciosa
do que Deus me permitiria ser.

Seria menos humana e mais materialista.
e conseqüentemente, eu não desenvolveria a minha espiritualidade.
E sem ter espiritualidade, eu viveria na tristeza,
sem alegria no coração.
E sem ter alegria no coração, eu me revoltaria,
e gritaria aos quatro ventos:
Onde está Deus?
Deus existe?
Por que não me ajuda?
Por que me abandonou?
Por que não me dá uma vida de facilidades,
e todas as riquezas materiais a que eu “tenho direito”?
Se eu fosse menos humana, eu não teria olhos para ver Deus
dentro de mim…

Deus me ama tão profundamente, que me fez entender:
Que o tempo que eu perco nas minhas lutas diárias,
me aproxima mais Dele.
Que a dor física e a dor da alma me aproximam mais Dele.
Que nas minhas tristezas e decepções, ele está sempre comigo.

Que bom! Que eu não consigo nada com tanta facilidade!
por que assim, eu consigo valorizar minhas pequenas conquistas.

Que bom! Que eu tenho problemas para enfrentar!
por que assim, eu aprendo. Evoluo e amadureço.

Que bom! que eu tenho momentos de tristezas,
para que depois, eu possa festejar a minha alegria!

Que bom! Que eu não tenho nada do que reclamar,
tenho somente o que agradecer a Deus por tudo!

Que bom! que Deus não se esquece de mim!
O Senhor, em sua suprema sabedoria,
sabe o que eu preciso para ser feliz.

Preciso de Deus!
e do seu profundo Amor por mim.

Resenha sobre a exposição da Revista O Cruzeiro e a fotografia no Brasil, no IMS

Flavia Moura

1) Escrever resenha sobre a exposição no Instituto Moreira Salles – Um Olhar Sobre “O CRUZEIRO”: as origens do fotojornalismo no BrasilExposição O Cruzeiro Instituto Moreira Salles

Num primeiro momento, a impressão que se tem daquele espaço, o Instituto Moreira Salles, é de chocar qualquer simples mortal, tal a grandiosidade.

E pensar que ali havia um morador, deixa qualquer trabalhador comum de queixo caído, haja visto que aquilo tudo foi erguido nos anos 1950. Depois vem a alegria de estar entrando naquele espaço, mesmo sabendo que esse sentimento não habita quem ali trabalha ou frequenta corriqueiramente.

Então vem a euforia.

Entrar na primeira sala é de tirar o fôlego!

Primeiro, as fotos aparecem todas em PB, e o impacto é imediato, porque a matéria em voga é o adentramento dos sertanistas em aldeias do Alto Xingu na década de 1950. São retratados os txucarramães e caiapós.

A textura das imagens, as feições, a luz, tudo isso é acentuado pela imagem em preto e branco.

As fotos mais hipnóticas foram primeiramente a dos indígenas, pela plasticidade, depois a dos negros. Foram as mais belas.

Acompanhando a história do Brasil através das salas, tive conhecimento de alguns fatos emocionantes.

Uma tribo indígena esfuziante com a passagem do avião dos irmãos sertanistas Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas; o ritual de dança da tribo caiapó datada de 1952, onde o que desperta nossa atenção é o alinhamento da tribo, a foto de um casal indígena e seus traços singulares ainda mais acentuados pela ausência de cor.

Dos fatos citados acima, as fotos que mais me atraíram pela beleza, pela textura da imagem e vivacidade, foram de autoria do fotógrafo e repórter colaborador da revista, Jean Manzon.

Já em outra sala, me deparei com os fait divers dos mais variados assuntos.

Como cenas do cotidiano das grandes cidades do Rio e São Paulo num desfile de sete de setembro; o registro do primeiro verão carioca e a máquina que entrou literalmente dentro d’água para flagrar um mergulho na praia do Arpoador e o caso do sertanista que se apaixonou pela índia Diacuí, que a levou para casarem-se na Igreja da Candelária, tornando-se assim, o acontecimento do ano, para depois entrar num ferrenho choque cultural que culminou em tragédia. Pouco antes de de dar à luz à sua única filha, ele fez uma tentativa de se separar. Tendo sido aconselhado por amigos, resistiu até pouco antes do parto, quando viajou a trabalho, deixando Diacuí entregue a própria sorte. Por complicações no parto, ela veio a falecer.

Passado e presente também se confundem nessa exposição quando nos deparamos com uma espécie de tablet gigante, que nos possibilita passear virtualmente pelas páginas da revista O Cruzeiro ou simplesmente contemplar o instrumento de trabalho dos fotógrafos que compunham seu casting na época.

O espectador se sente quase tentado a quebrar o vidro e tentar manipular a câmera. Isso, certamente, os mais aficcionados por fotografia.

Me deparei com modelos de Rolleiflex, Graflex (que me pareceu uma miniatura de uma câmera obscura) e Laika ou Leitz.

Pude ler um pouco da coluna “Pausa para Meditação”, onde me deparei com o registro de uma foto-novela, coluna essa que virou tendência até meados dos anos 1980 em revistas como Fatos e Fotos, Amiga, etc.

Foi possível ver a rivalidade entre a Revista O Cruzeiro e a Life americana, que levou o troco quando um repórter retratou as condições de uma favela carioca.


O repórter e fotógrafo Henri Ballot não deixou barato. Visitou as condições de uma favela em Nova York e pôde registrar a forma deplorável em que viviam seus moradores, como o caso de um menino que dormia com baratas passeando por seu corpo, o que despertou o interesse do governador americano, tal a repercussão do caso. O que de certa maneira, teve um final positivo com a melhoria de vida daquelas pessoas, mesmo debaixo de protestos do repórter americano, que insistia em dizer que as fotos de Henri Ballot teriam sido forjadas.

Tantas histórias e fatos dificultam a escolha de uma única foto ou cena.

Fato é, essa viagem histórica pela atmosfera da revista O Cruzeiro, valem muito mais que duas laudas, assim como uma única visita à exposição, ainda é pouco.

Para outros detalhes sobre a exposição, que aconteceu até 6 de outubro de 2012 : http://ims.uol.com.br/Radio/D1040

Tarefa da disciplina Introdução à Fotografia. Muitas das imagens pertencem ao acervo IMS. Outras foram cedidas por outros acervos: jornal Estado de Minas, Fundação Pierre Verger, APESP (Acervo Público do Estado de São Paulo), Coleção Samuel Gorberg e os acervos pessoais de Luiz Carlos Barreto e Flávio Damm.

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