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2º Congresso Nacional do Samba e balanço da programação do evento

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Programa Congresso Nacional do Samba

No sábado foram abordados os temas, sempre com uma palestra seguida de mesa redonda: “A Diversidade do Samba e o Patrimônio Cultural Imaterial”, “O Samba e suas Performances”, “Samba, Carnaval e Redes Sociais” e “Samba, Carnaval e Direitos Autorais”.

“A Diversidade do Samba e o Patrimônio Cultural Imaterial” iniciou com uma brilhante apresentação do autor e músico Spirito Santo, que falou do seu livro Do Samba ao Funk do Jorjão, com prefácio de Nei Lopes. Como é difícil a inserção da cultura negra na academia, e como os dados coletados vão de encontro a alguns estudos feitos às pressas, onde um “congueiro de uma semana” coleta os dados superficiais e produz teses, dissertações e até livros teóricos sobre o assunto.  E alguns enganos e erros que ocorrem na repetição do que ele chama de “mitos do samba” dentro da bibliografia adotada dentro das Universidades.

O outro destaque desta temática  foi o estudo da professora de Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina, Tereza Virgínia de Almeida que também é compositora e produtora cultural. No estudo “Samba e Memória Musical – da tradição à transcontextualização”, a pesquisadora reflete sobre a presença do samba e suas mudanças no contexto contemporâneo pós-moderno apresenta conceitos como nomadismo; movência; intercâmbio dos conceitos de tradição e ruptura.

“Acredito que pensar o samba como patrimônio, no atual contexto, marcado e demarcado pelos interesses do capitalismo tardio, passe por encontrar estratégias para que as ações sociais de preservação e transcontextualização possam, cada vez mais, ser exercidas por sujeitos efetivamente comprometidos com a dívida histórica que esta sociedade, infelizmente, ainda preserva em relação a seus afro-descendentes”.

Mas quem pensa que só havia “samba tradicional” no evento se enganou, o gênero e suas influências/influenciadores foram intensamente debatidos: MPB, jongo, funk, jazz, paradinhas do mestre André e Jorjão, bossa nova, maracatu… e novos grupos como o Metá Metá apresentado por Isabela Martins de Morais e Silva que procura “mesclar em suas canções as heranças do samba com as narrativas oriundas das religiões de matriz afro-brasileira”

O Samba e suas Performances” chamou atenção com a professora  Denise Mancebo Zenocola, que na sua análise sobre o samba de gafieira fala sobre o que há de diferente na relação entre feminino e o masculino nesta dança – “ratifica a discussão do corpo na sua relação social social e de subjetividade; ressalta a espontaneidade”. No tema “Samba, Carnaval e Direitos Autorais” José Vaz de Souza Filho foi destaque apresentando  exemplos históricos das problemáticas de direito autoral dentro do samba, as vendas de autoria,  e vislumbrando algumas soluções.

Resenha do livro de Spirito Santo – Do Samba ao Funk do Jorjão

Ouça o CD Aluada, de Tereza Virgínia

Resumo dos trabalhos apresentados com minicurrículo dos pesquisadores

Na manhã de domingo foram abordados os temas, também com palestra seguida de mesa redonda: “Samba, Economia Criativa do Carnaval e Globalização” e “Samba e Territorialidade”. Em “Samba e Territorialidade” refletiu-se desde o samba paulista, de uma roda de samba em Belo Horizonte, narrativas do “povo do santo” – que criam e fazem a manutenção dos terreiros no Rio de Janeiro, até a “Pequena África”. Em “Samba, Economia Criativa do Carnaval e Globalização” Simone Aparecida Ramalho e Ana Luisa Aranha e Silva apresentam modelo de economia inclusiva:

” a experiência do projeto de geração de trabalho e renda Ala Loucos pela X, fruto da parceria entre entidades do campo saúde mental e o GRCES X9 Paulistana, que há 12 anos vem tecendo vivas redes solidárias no carnaval paulistano. Neste projeto, homens e mulheres moradores da periferia de São Paulo, discriminados pela psiquiatrização e incapacitação social, histórica e socialmente construídas que lhes confere dupla exclusão social, à semelhança de outros grupos envolvidos no campo do samba e do carnaval, ao tornarem-se aderecistas de grandes agremiações paulistas, trabalhando a partir dos princípios da economia solidária, vêm demonstrando que possibilidades potentes de geração de trabalho, renda e cidadania podem ser incluídas na economia criativa do carnaval, sem que nos distanciemos da raiz política emancipatória original e primeira do samba, mesmo diante das proporções exigidas pelos desfiles das grandes agremiações carnavalescas”

Infelizmente não foi possível acompanhar a lavagem da Pedra do Sal, que estava marcado para as 7 horas e iniciou após as 9:30 – registramos a espera e a conversa animada das baianas. Mas… o fotógrafo português Miguel do projeto Fui? cedeu fotos, bem como a pesquisadora Isabela Morais que foi a palestra no segundo dia – confira.

Os pontos positivos  do evento foram mesclar o cultural com o acadêmico, uma cobertura jornalística carinhosa de vários meios de comunicação e atendimento da organização atencioso. A vasta gama de profissionais e acadêmicos interessados e com trabalhos interessantíssimos no assunto também foi outro ponto alto do evento: estudiosos de cultura negra e relações raciais, cientistas sociais, sociólogos, literatos, historiadores, museólogos, antropólogos, músicos, compositores, dançarinos, políticos, filósofos, pedagogos,folcloristas, etnólogos, artistas plásticos, membros das comissões julgadoras do carnaval, jornalistas, administradores, gerenciadores de projetos, carnavalescos, advogados, cientistas políticos, cineastas, promotores de eventos, produtores musicais, estilistas, designers, atores, redatores, documentaristas…

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Apesar de problemas amadores na organização do evento: chamar os trabalhos selecionados em cima da hora, sem haver tempo para os pesquisadores pedirem recursos para as universidades (ocasionou muitas faltas); atrasos em excesso;  interrupção de mesas sem permitir que a platéia fizessse perguntas para os autores que vieram de outros estados… outra crítica a se pensar e que vários presentes citaram – apresentações em paralelo com temáticas em comum deram a sensação de termos perdido muita coisa interessante.   O balanço final do evento foi positivo, e que nas próximas edições seja primoroso para que o público possa aproveitar melhor as reflexões. O samba, a comunidade que o produz e os pesquisadores que trabalham temas que da cultura negra merecem isso, e muito mais.

Leia mais:

“fui?” é uma ação provocatória entre a arte e a comunidade, ao misturar os rostos e recantos de duas regiões portuárias: a cidade do Porto (Portugal) e o porto do Rio de Janeiro (Brasil)

Acompanhe ao vivo a cobertura pela Rádio online com entrevistas e trechos do evento

História do Samba – superinteressante

2º Congresso Nacional do Samba – portal do carnaval

Abertura do 2º Congresso Nacional do Samba: Edison Carneiro, José Ramos Tinhorão, Haroldo Costa e Sérgio Cabral.

O evento comemora os 50 anos da Carta do Samba, que criou o Dia Nacional do Samba, bem como os 100 anos de nascimento do presidente e relator do primeiro evento, Edison Carneiro. A idéia da reedição do evento surgiu no ano passado com Iran Araújo e Damião Braga da Associação dos Quilombos da Pedra do Sal, juntamente com o professor Jair Martins Miranda da Unirio que coordena o 2 Congresso. Muita gente não sabe que a data foi criada por conta do I Congresso Nacional do Samba.

Redigiu a  Carta do Samba, que instituiu o 2 de dezembro como dia Nacional do Samba

Redigiu a Carta do Samba, que instituiu o 2 de dezembro como dia Nacional do Samba

O I Congresso Nacional do Samba foi realizado também na Câmara Municipal do Rio de Janeiro -, em uma época em que se acreditava que o samba estava “agonizando” teve participação de Pixinguinha, Ary Barroso, Aracy de Almeida e Almirante, dentre outros. Coordenado em 1962 pelo escritor Edison Carneiro para repensar o gênero, sua preservação e refletir sobre o futuro do samba e, a Carta do Samba foi redigida por Carneiro I Congresso. Nas palavras de um dos homenageados da noite Haroldo Costa:

“Carneiro foi além – estabeleceu algumas normas, discutiu alguns capítulos de importância da história do samba naquela década. Importante reconhecer que muitas das questões que foram levantadas – foram desenvolvidas, ampliadas, e adotadas. Gostaria de lembrar de uma só: a presença da escola de samba no âmbito da questão social, de dar voz à sua comunidade, de proporcionar  estudos, profissões através de cursos profissionalizantes e atravéz de um empenho na parte esportiva. Isso tudo foi preconizado naquela primeira carta.”

Na abertura do 2º Congresso Nacional do Samba o vereador Reimont entregou do Conjunto de Medalhas de Mérito Pedro Ernesto aos representantes do escritor José Ramos Tinhorão, e post-mortem a Edison Carneiro. Foram homenageados ainda os escritores Haroldo Costa e Sérgio Cabral.

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Sergio Cabral, Haroldo Costa, José Ramos Tinhorão

Estavam presentes pesquisadores, o deputado Chiquinho da Mangueira e personalidades do samba. Mas o que teve destaque foi a participação da Associação das Velhas Guardas da Escolas de Samba do Rio de Janeiro, entrando seus belos estandartes.  E depois, um coquetel muito animado. Para completar a noite, na frente da câmara havia um evento com música e manifestações culturais encerrando o Mês da Consciência Negra. Emocionante –  Veja na galeria de fotos que será atualizada ainda esta semana, a arquitetura do local é muito bem conservada.

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Para saber mais: acompanhe a cobertura do site carnavalesco

Leia a Carta do Samba 1962

Matéria do jornal O Dia sobre o evento, bem como detalhes sobre o homenageado Haroldo Costa

No evento foi falado que esta música traduzia o espírito da época. Vídeo filmado na residência de João Nogueira e possui a participação além de Beth Carvalho do Clube do Samba: Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Clementina de Jesus, Clara Nunes, Sônia Lemos, Nelson Sargento, Sérgio Cabral, Dominguinhos do Estácio e muitos outros. Samba de Nelson Sargento.

O 2º Congresso Nacional do Samba é realizado com apoio de voluntários e do projeto de extensão Portal do Carnaval, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). O Portal do Carnaval será lançado na internet em janeiro de 2013, e  terá como objetivo permitir a troca de informações, serviços, produtos, negócios e perfis de profissionais envolvidos. O projeto conta com financiamento do Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O evento também foi feito em parceria com instituições ligadas ao samba carioca: Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso (Lesga) e a Federação dos Blocos Carnavalescos do Estado do Rio de Janeiro (Fbcerj).

Entrevista com profissional de mídias sociais – Patrícia Moura (parte 1)

Trabalho:  entrevistar uma pessoa do meio jornalístico ou publicitário, que deveria começar com um lead e prosseguir num ping-pong. Disciplina Introdução às Profissões em Comunicação.
Patrícia Moura

O combinado era nos encontrarmos na casa da publicitária Patrícia Moura num final de tarde de domingo para entrevista e fotos. Por problemas de logística, a equipe composta por 3 alunos da Estácio  de Sá e entrevistada, foi deslocada para casa de um dos membros da equipe, onde além de produzi-la, poderíamos contar com ajuda de seu pai, um conceituado repórter fotográfico para registrar o trabalho da equipe.

Patrícia tem 28 anos e se formou em Publicidade e Propaganda pela Estácio em 2006 e já no ano seguinte se pós-graduou em Mídias Digitais, na mesma instituição.

Após larga experiência em diversas agências, hoje ela coordena a campanha em meio digital de um candidato às eleições pela prefeitura de Niterói, dá aulas para turma de pós-graduação de Mídias Digitais da Estácio e está organizando com mais dois outros profissionais da área, um evento de métricas que acontecerá em São Paulo ainda este ano no mês de novembro. Abaixo, ela nos conta um pouco de sua trajetória, seus obstáculos, mostra sua visão do mercado de publicidade e dá dicas preciosas para quem está iniciando na área.

Carolline de Miranda – Por que você escolheu essa profissão?

Patrícia Moura – Eu sempre quis fazer Comunicação. É bem difícil dizer de onde surgiu esse meu desejo, mas eu sempre tinha uma ligação muito forte com os jingles, propaganda com a TV aberta… Acho que isso me despertou a curiosidade sobre o mundo da publicidade.

Flavia Moura – Quais foram seus primeiros passos profissionais?

PM – Bom, eu comecei como redatora e o estágio foi o primeiro passo profissional. Eu só consegui o estágio no sétimo período e isso é bastante complicado pra quem está querendo buscar uma carreira. Muito fácil conseguir emprego, trabalho, “freela”, o difícil é conseguir um bom estágio que vá te colocar dentro de uma empresa legal, ou de uma agência de publicidade que possa te proporcionar uma jornada dali pra frente.

FM – Eu queria saber em que momento você descobriu o nicho das mídias sociais em publicidade? Porque esse ainda não era um mercado de publicidade, então eu queria saber em que momento veio esse clique “é por aí que eu vou”?

PM – Primeiro teve a monografia, que é o projeto de conclusão de curso, onde eu optei por estudar o Orkut e subentende-se que eu tive que estudar teoria de redes sociais. À partir dali, eu não sabia muito bem com o quê que eu ia atuar. O que me vinha à cabeça era: nossa! Eu quero trabalhar no Google, ou para o Orkut. Mas não tinha muito idéia de em que mercado eu poderia atuar, porque a publicidade nas plataformas sociais ainda engatinhava, era um padrão de mídia muito tradicional.

Entre a faculdade e a pós, que na verdade só levou seis meses, eu conheci pessoas e conheci eventos da área de tecnologia, que me apresentaram ao mercado publicitário em São Paulo e lá já havia agências trabalhando com mídias digitais. Então acredito que isso tenha sido em meados de 2007, mas no Brasil já havia agências e empresas trabalhando com isso, mas muito poucas e quase todas concentradas em São Paulo.

FM – Ok. Sobre esse mercado de publicidade, qual o momento que ele está vivendo? Está em baixa…?

CM – Você acredita que ele está saturado, como dizem?

PM – Não, não sei se saturado é o termo. Mas houve um aprendizado geral no mercado publicitário. As mídias sociais realmente mexeram com a estrutura do mercado de comunicação. Todo mundo que fazia de um jeito teve que aprender um novo jeito de fazer. Todo mundo!

Desde o jornalista, ao diretor de arte, ao redator, criativo, ao cliente, planejamento, todo mundo teve que se dar conta de que hoje qualquer parte da campanha pode virar uma piada nas mídias sociais, ou pode se desdobrar em outras ações na web. Então, teve esse primeiro momento do aprendizado, da conscientização, teve um momento de conscientização… O mercado não sabia que isso ia tomar o tamanho que tomou. (…) a gente está num terceiro momento, onde boa parte das agências brasileiras já absorveu esse serviço de alguma maneira, já integraram esses serviços propostos, mas os clientes ainda não têm total consciência do poder das mídias sociais.

Hoje, 40% das empresas segundo pesquisas também, já estão dando atenção às mídias sociais. Ainda tem muita gente pra engatinhar no digital, pra aprender a criar seu próprio site, a criar canais de comunicação eficazes. Acho que o aprendizado do impacto do digital em todos os outros canais de comunicação ainda vai ser em longo prazo. Acho que todas as agências “Off” estão ainda testando muito na metodologia de tentativa e erro, pra chegar num modelo de negócio interessante pra eles mesmos e comprovar a lucratividade, rentabilidade pros clientes que querem atuar no digital.

Patrícia Moura online

CM – E é rentável para o profissional? Dá pra comprar a casa própria (risos)?

PM – Eu acho que é igual. Igual aos outros patamares salariais. Houve um tempo áureo da publicidade que não existe mais e eu nem sei se vai voltar que realmente quem trabalhava em grandes agências ganhava muito, muito, muito dinheiro, era o tempo da propaganda liberada pra cigarro, era o tempo que bebida alcoólica podia anunciar em qualquer horário… Hoje os clientes estão muito mais conscientes de onde estão colocando o dinheiro, eles querem resultado efetivo, cálculo de resultado, prova de que aquela campanha deu certo, trouxe o retorno, que é o que a gente chama de ROI – Retorno sobre O Investimento e ninguém está jogando dinheiro fora, ninguém está nessa brincadeira pra perder, né?

Houve um período do digital, em que eu também participei dessa “onda”, não havia profissionais com bagagem suficiente pra preencher a demanda do mercado, então esses profissionais tiveram uma supervalorização. Mas esse momento também já passou, agora todo mundo já se conscientizou. Todo mundo que está aprendendo, entrando na faculdade hoje já está com o olhar voltado pro digital, quem trabalhava com mídia offline há 10, 20 anos também, já está correndo atrás de aprender. Em 2012 já houve um freio no mercado, bem grande em relação a cargos, salários e oportunidades porque já estão aproveitando muita gente que já estava na área. Essas pessoas estão se qualificando e estão agregando essa função. O profissional que trabalha hoje no digital, ele não é privilegiado em relação ao profissional do offline.

Felipe Farias – Então, como se destacar na profissão quando tem tanta gente qualificada e se qualificando pra isso, nesse novo cenário?

PM – Existem coisas básicas, pelo menos na minha opinião. Um profissional que tem domínio do Inglês, ele é bem visto em qualquer área da comunicação. Ele tem um diferencial em qualquer área. Então ajuda quando você está no processo seletivo e quando a agência tem clientes internacionais. Cursos, qualificação de uma maneira geral, palestras, eventos. Existem milhares de eventos na área, existem eventos gratuitos, webnars (conferências pela web), você pode assistir às palestras via livestream, diretamente da sua casa ou do seu celular. Existe uma literatura vasta em teoria de redes sociais, de cibercultura. Eu pelo menos consegui a diferenciação muito através de teoria, porque em relação à prática, muita gente está no mercado e consegue chegar lá, mas existe um abismo entre o mundo acadêmico e o mundo do mercado, prático né? E eu segui muito a linha do meio. Eu quis muito ser as duas coisas e isso funcionou, então eu tento agregar o máximo de teoria ao meu trabalho. Você realmente tem milhares de artigos, notícias, livros, cases e de eventos, pra acompanhar ao mesmo tempo e aí, acho que se eu puder dar uma dica em cima disso, é escolher um viés que você queira atuar: “Ah, eu quero trabalhar com métricas, eu quero trabalhar com monitoramento, ou planejamento, ou com criação.” É saber eu quero isso e comer livro, mergulhar nesse mundo e tentar ser o cara que mais sabe daquilo que você escolheu.

FM – Tem algum profissional no qual você tenha se espelhado?

PM – Tem sim. Hoje a mulher no qual eu julgo ser a maior especialista em redes sociais do país. É a Raquel Recuero, da Universidade de Pelotas, porém a Raquel não é publicitária, ela é professora, pesquisadora, é uma teórica da comunicação. Ela tem alguns livros publicados sobre redes sociais e já publicava artigos sobre redes sociais desde a era do Fotolog, Myspace, etc; então ela é bibliografia recomendadíssima pra qualquer pessoa que queira entrar no mercado. O trabalho da Raquel me inspirou e me inspira até hoje!

CM – E como é que faz para o profissional não ficar “escravo” de trabalhar em agência pra sempre, só sendo “peão” a vida inteira? Tem que se arriscar, não é?

PM – Abrir sua própria agência (risos)… É uma saída que muita gente…É, hoje o home Office. Trabalhar como consultor, ou freelancer, é uma saída pra muita gente. Mas eu particularmente não vejo essa coisa de trabalhar em agência como ser peão. Eu gosto, mas talvez eu seja diferente das outras pessoas. (…) Por exemplo, tem o Roberto Justus e Walter Longo. Você pode ser o dono das seis agências, mas você pode ser o braço direito do cara que é o especialista, que está do lado dele o tempo todo e que não deve ter um salário pequeno (risos), então, ser empregado também tem suas vantagens, né? Você dorme com a cabeça mais tranqüila!

CM – Seguindo o pensamento que estamos nessa realidade das mídias sociais cuja tendência é, com o aumento da tecnologia, o uso delas aumentar junto. Então você acha que pode acontecer de o profissional de comunicação acabar sendo desnecessário? Por exemplo, uma pessoa coloca um vídeo no Youtube, vira sucesso, e a chamam pra fazer propaganda na televisão, entendeu? Será que daqui a pouco o profissional que pensa por trás disso vai ser meio obsoleto?

PM – Não, acho que não. Porque as pessoas fazem, sobem as coisas, publicam, compartilham espontaneamente. O profissional é estratégico. Ele vai traçar uma meta para que aquela campanha dê certo e alcance o target específico que ele determinou, os objetivos de comunicação e de marketing. Uma pessoa que não seja da área não vai ter essa visão. Acontece? Acontece. Tem um fenômeno que hoje toda a mídia fala dele, por exemplo, Felipe Neto fez isso sozinho sem ser publicitário. Ele conseguiu reunir uma audiência e essa é a graça, esse é o poder das mídias sociais, de qualquer pessoa, de qualquer usuário…

FF – O que fazer quando se está com os prazos atrasados e a criatividade parece que fugiu? Como se inspirar?

PM – Nossa… Eu acho que cada pessoa vai ter uma resposta diferente pra isso. Eu gosto muito de acessar blogs de comunicação que mostrem ações diferenciadas. Se eu estou sem uma idéia, desesperada, se falta uma hora pra entregar o planejamento e eu não tive “a” idéia que vai ser o mote daquele planejamento, eu acho que vou assistir cases na internet, pesquisar em blogs, vou procurar que marcas concorrentes, ou substitutas ou do mesmo mercado, o que elas fizeram.

CONTINUA!!!…

Entrevista concedida a Carolline de Miranda,
Felipe Farias e Flavia Moura em 23/09/2012
da esq p/ dir.: Felipe, Patrícia, Carolline, Flávia Moura

Lançamento da campanha CodeREDD , e qual a relação com a ECO-92 e a Rio +20?

O que significa REDD? Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal. Code REDD é uma campanha emergencial para salvar as florestas do Brasil e do mundo.

Onde? Arcos da Lapa

Quando? 19 de junho, às 23 horas, véspera do feriadão.

O que será:  uma projeção nos Arcos da Lapa, que mostrará soluções possíveis para o desmatamento no mundo, uma delas é a REDD. O tema do filme é “Unidos nós resistimos, divididos as florestas caem”.

O objetivo do filme é engajar, inspirar e educar o público através de uma experiência de multimídia emocional e impactante. Compartilhe, ou vá ao evento se estiver no Rio de Janeiro  e faça a diferença nesta campanha contra o desmatamento no Brasil.

Mas o que fazer se não estou no Rio de Janeiro, ou não puder ir no dia? Existem outras forma de ajudar? SIM!

1 –  Se já fotografou o Rio poderá participar do Concurso Cultural “Salvem as florestas do mundo”, promovido pela Wildlife Works – fundadora da campanha Code REDD.  O grande prêmio será uma viagem à África: duas (02) passagens aéreas de ida e volta para o Kenya,  acomodação para 7 dias, translado para a sede Code REDD e passeio no safári africano.

Postem  a(s) sua(s) foto(s) sobre FLORESTAS DO RIO DE JANEIRO (fauna e da flora) até 17:00 do dia 19/06/12, na página do https://www.facebook.com/PostaisdoRio Juntamente com a postagem da foto no twitter, deve-se usar a hashtag #CodeREDDNow e especificar o local onde a foto foi tirada. Além de postadas, as fotos participantes deverão ser enviadas para o email postaisdorio@gmail.com.

As fotos pré selecionadas serão projetadas nos arcos da Lapa nos dias 19, 20 e 21 de junho de 2012. Veja outros detalhes no regulamento: https://www.facebook.com/notes/postais-do-rio-rio-postcards/concurso-salvem-as-florestas-do-mundo/427756563913665

2–  Se está na cidade maravilhosa aproveite a programação do Rio + 20 escolhida a dedo pelo bog Rio com ela.

A Obscura Digital é a empresa responsável e a partir do mote  “Unidos nós resistimos, divididos as florestas caem” utiliza filmagens de todo o mundo para criar uma experiência sensorial de imagens combinadas com um design inovador – som e movimento apresentados de forma singular remodelando novos espaços dentro do tradicional. Além da projeção, também haverá interação do público presente no evento ao vivo: será pedido para que enviem um SMS ao mesmo tempo e terá seus telefones piscando em vermelho (Code Redd). Vamos fazer com que as empresas se comprometam a diminuir a sua pegada de carbono na atmosfera e ainda viabilizem economicamente a proteção das florestas.  Um outro evento com projeção da firma Obscura Digital foi o YouTube Play Biennial Awards Show, em 2010 com projeções simultâneas no interior e exterior do Museu Guggenheim.

Recebemos um convite de Michelle Braga da Code REDD, e da equipe de publicidade Binder que organiza a ação também – tomamos  chopp e batemos um papo ontem. A apresentação de Michelle foi emocionante e seus esclarecimentos fizeram a maior parte dos profissionais de internet e blogueiros presentes se comprometer nesta campanha. Veja uma prévia do que acontecerá na Lapa e lançada ontem com exclusividade para os participantes:

Mas antes vamos ver como tudo começou?  ANTECEDENTES

A CNUMAD – Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida  como ECO-92, Rio-92, Cúpula ou Cimeira da Terra, realizada em junho de 1992  no Rio reuniu mais de cem chefes de Estado que buscavam conciliar desenvolvimento sócio-econômico com a conservação e proteção  do meio ambiente.  Como resultado do encontro foram elaborados documentos oficiais, onde os países se comprometiam a alcançar algumas metas:

  • A Carta da Terra;
  • Convenções: Biodiversidade, Desertificação e Mudanças climáticas;
  • Declaração de princípios sobre florestas;
  • Declaração do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimento;
  • a Agenda 21.

O que aconteceu após a ECO-92? De acordo com o IBGE o desmatamento causado pelas atividades de agropecuária e mineração tem sido responsável pela alteração de grandes porções de áreas com cobertura vegetal nativa no Brasil. [VOCÊ SABIA?] A cada 2 dias uma floresta do tamanho da cidade da cidade de Nova York é perdida.  Em 2010 o Brasil perdeu uma área equivalente a 1 milhão de campos de futebol na Amazônia!

As mudanças climáticas e a camada de ozônio impactam diretamente as cidades. Catástrofes como os que vimos na Região Serrana do Rio, Nordeste, Norte e Sul do Brasil estão interligadas e serão cada vez mais comuns. Preservar as florestas ajuda a regular o clima e amenizar os efeitos dos desastres naturais.

Nossas florestas morrem pois para os moradores nativos é necessário sobreviver pela única maneira que conhecem: abrir espaço para grandes plantações, comércio de madeira e carvão ou criação de animais. Code REDD tenta solucionar isso de forma prática, financiando moradores das regiões que estão sendo desmatadas como guardiões das florestas. Lançado inicialmente como REDD, hoje o conceito foi ampliado e é conhecido como REDD+. A campanha Code Redd quer conscientizar e engajar as lideranças corporativas para salvar as florestas do desmatamento e fazer com que as empresas que geram impactos no meio ambiente se comprometam a reverter os danos através de créditos de carbono. Esta instituição tentará servir como mediadora e achar parceiros para que o setor privado possa equalizar as suas pegadas de carbono com investimentos para manter as florestas de pé, vivas, assim como os animais que nela habitam.

Este último parágrafo foi retirado da reportagem ONU afirma que crise ambiental no planeta é grave, mas tem solução.
“Nesta semana, o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) mostrou que, de 90 metas ambientais acordadas internacionalmente nos últimos 40 anos, apenas quatro tiveram avanços significativos. O número representa menos de 5% do total e é inferior à quantidade de objetivos que tiveram retrocesso – oito no total.
Batizado de Panorama Ambiental Global 5, ou simplesmente GEO-5, o documento também mostra que outras 40 metas tiveram poucos avanços e 24 praticamente não tiveram nenhum avanço. Além disso, 14 não puderam ser avaliadas devido à falta de dados mensuráveis. http://www.unep.org/geo/

Saiba mais:

 site oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20 (inglês)

A versão em português da Rio+20 é traduzida pela UNIC-Rio – Humanitare para o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil.

Programa REDD nas Nações Unidas

Ministério do Meio Ambiente REDD + Brasil

Observatório do REDD no Brasil – plataforma socioambiental

Guia passo-a-passo para processos de elaboração de salvaguardas socioambientais de REDD+, publicado pela reddsocioambiental.

Fórum Latinoamericano de REDD- Material informativo

Lições dos 20 anos de comércio de carbono florestal, publicado pelo Instituto Carbono Brasil

Ferramenta para análise de viabilidade financeira do REDD

lançamento exclusivo para blogueiros #codeREDD

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