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Resumos de capítulo – Lingüística Histórica

LIvro de Carlos Alberto Faraco

LIvro de Carlos Alberto Faraco

Trabalho para a disciplina Lingüística IV

2)      Indique os principais pontos do capítulo 4 de Faraco (2005: 91-127), em redação não esquemática.

No capítulo chamado “A lingüística histórica é uma disciplina científica”, fala-se das ocupações do pesquisador de lingüística histórica: transformação das línguas em determinados tempos, e as teorias, métodos e ferramentas utilizadas nas análises.

Faraco inicia destacando a importância da observação mediada por determinados pressupostos teóricos, mesmo que caracterizada pela diversidade e embates entre pontos de vista diversos.

O autor descreve que antes de Saussure, estudos “nos século XVII e XVIII abordavam a língua como uma realidade estável, atemporal e organizada segundo princípios da lógica” p.95 – universais e não históricos; já no século XIX a língua era vista como necessariamente histórica. O autor genebrino estabelece duas dimensões: uma histórica (diacrônica) e outra estática (sincrônica). Faraco afirma ainda que Saussure defendia a autonomia entre ambos, não negando a interdependência – apesar de ter sido estabelecida uma rigorosa distinção metodológica..

Faraco apresenta uma análise clássica do lingüista Mattoso sobre a divisão morfológica sincrônica do verbo “comer”, ou “estrela”: seria absurdo propor uma divisão em mantendo a estrutura morfológica do verbo em latim para análise sincrônica, do estágio atual da língua, por exemplo.

O autor fala da precedência da sincronia, e critica alguns lingüistas por ignorarem a questão histórica, o que revela uma “espécie de retorno às concepções universalizantes e logicizantes dos séculos XVII e XVIII” (p. 100). Apresenta crítico Coseriu que propõe que se veja a língua em moviemento (Saussure tem uma visão estática) e os lingüistas Weinenrich, Labov e Herzog que defendem a construção de um modelo de língua capaz de acomodar sistematicamente a heterogeneidade sincrônica.

Faraco distingue duas concepções de linguagem: a que considera a língua um objeto autônomo; outra como um objeto intrinsecamente ligado à realidade histórica, cultural e social da comunidade falante. Também cita os métodos diferenciados e as visões que direcionarão uma orientação teórica da mudança lingüística. Fala ao pesquisador iniciante da importância de selecionar a sua orientação teórica, e para quem quer optar pelo ecletismo que para Faraco é um “amontoado acrítico, e por isso ingênuo de teorias”.

A seguir, são apresentadas a Teoria Variacionista e a Teoria Gerativista. Ele apresenta as características de cada uma delas e também relata uma tentativa de aproximação entre ambas, a chamada ‘Sociolinguística Paramétrica’, sendo que um dos primeiros a implementá-la foi Fernando Tarallo.

Discute e explica conceitos explicação, e seu significado peculiar nesta área: “interpretar as mudanças e explicitar arrolar fatores contigenciais”p. 117

Faraco ainda apresenta as três diferentes vias para o estudo histórico das línguas: “voltar ao passado e nele se concentrar, voltar ao passado para iluminar o presente, estudar o presente para iluminar o passado” (p. 118).

Respectivamente os neogramáticos para o primeiro, e a análise variacionista para o último, e apresenta exemplos do método comparativo: português trecentista, o trabalho de classificação das línguas indígenas e estudo dos seus dialetos, além de outras contribuições filológicas.

Na terceira via “estudar o presente para iluminar o passado” está o princípio da uniformidade, isto é, “as comunidades humanas, embora diferentes em cada situação conjuntural, partilham no presente e passado de certas propriedades recorrentes” p. 123. O autor ressalva ainda que as três vias não se anulam. Sobre a qualidade de alguns dados cita-se Labov: “A lingüística histórica pode, então, ser pensada como a arte de fazer o melhor uso de dados ruins”.

Ao finalizar o capítulo, fala sobre o método comparativo e resultados positivos confirmados empiricamente por registros dialetológicos posteriores “pressupõe uma certa quantidade de dados, e principalmente, a localização de relações sistemáticas entre eles” p. 126. E a seguir um quadro comparativo que mostra a diferenciação no consonantismo das línguas germânicas: inglês, latim, alemão.

3)      Faça um breve resumo do capítulo 5 de Faraco (2005: 128-174).

Na introdução do capítulo chamado “História da nossa disciplina”, Carlos Alberto Faraco afirma que delineará um panorama que não será apenas um relato da história, mas a interpretação mediada dos acontecimentos da disciplina lingüística histórica: momentos, autores e obras importantes. Costuma-se dividir a lingüística histórica em dois grandes períodos: o primeiro, de 1786 a 1878 (período da formação e consolidação do método comparativo), e o segundo, que vem de 1878 (ano da publicação do manifesto dos neogramáticos) até os dias atuais do século XXI.

E no segundo período sinaliza que haverá contínua tensão: idas, vindas, retomadas, (re)negociações e (re)avaliações entre duas linhas predominantes: “uma mais imanentista, que – continuadora, de certa forma, do pensamento neogramático e caudatária do estruturalismo e, depois, do gerativismo – vê a mudança como um fato primordialmente interno, isto é, como um acontecimento que se dá no interior da língua e condicionado por fatores da própria língua. A outra, mais integrativa, que – enraizada nos primeiros críticos dos neogramáticos e fundada nos estudos de dialetologia e, depois, de sociolingüística – entende que a mudança deve ser vista como articulada com o contexto social em que se inserem os falantes, isto é, como um evento condicionado por uma conjunção de fatores internos (estruturais) e externos (sociais)”.  p. 129

O autor também alerta para o fato da lingüística ter nascido nas preocupações e percepções filológicas de várias sociedades e enumera alguns antecedentes: hindus já no século IV a.C.; gregos, alexandrinos, romanos, árabes; pela gramática de Port-Royal, no século XVII, dentre outros.

Nos primeiros momentos descreve o interesse dos intelectuais europeus no estudo de línguas de civilizações antigas; as primeiras observações das semelhanças e comparações entre sânscrito, latim e grego; fundação da Escola de Estudos Orientais em Paris (onde estudaram os intelectuais Friedrich Schlegel e Franz Bopp, que desenvolveriam a gramática comparativa). Nesta primeira fase observa-se que grande parte dos pesquisadores apresentados pelo autor eram alemães.

Schlegel e Bopp reforçam a tese do pioneiro W. Jones, e ampliam pesquisas sobre o parentesco do sânscrito com o latim, grego, germânico, lituano, eslavo, armênio, celta, albanês, gótico, alemão e o persa no léxico e estruturas gramaticais, morfologia, correspondências sistemáticas. O autor cita ainda os estudos comparativos do lingüista Rasmus Rask que paralelamente e independentemente desenvolveu trabalhos comparativos relevantes com línguas nórdicas e metodologicamente exemplares, mas por ter sido publicado em dinamarquês teve pouca repercussão nos meios científicos.

A seguir cita Jacob Grimm – costuma-se dizer que o estudo propriamente histórico foi estabelecido pela publicação do livro Deutsche Grammatik – que identificou a existência de correspondências fonéticas sistemáticas entre o indo-europeu e línguas do ramo germânico com no passar do tempo. “Aliou-se, desse modo, o empreendimento comparativo ao histórico, donde vem a denominação que se costuma dar à lingüística do século XIX: gramática ou lingüística histórico-comparativa.” p.135

As chamadas “Leis de Grimm” apresentavam porém, várias exceções que incomodaram os germanistas por algum tempo ainda. Faraco comenta o trabalho do iniciador Fridrich Diez  na Filologia Românica, e sua importância no refinamento metodológico dos estudos históricos; e apresenta Schleicher que além de sugerir uma tipologia (Stammbautheorie) das línguas a partir da sua formação (botânico) e cunhar o termo Ursprasche (“língua remota”), hoje denominado proto-indo-europeu, foi o primeiro a realizar estudo de uma língua indo-européia a partir da fala.

A partir da publicação do manifesto neogramático – lingüistas relacionados com a Universidade de Leipzig – o escritor Faraco os compara a um divisor de águas na lingüística histórica ao criticar os antecessores e estabelecer orientação metodológica diferente e mais rigorosa; e um conjunto de postulados teóricos para interpretação das mudanças lingüísticas.

Os neogramáticos eram defensores de que as mudanças sonoras se davam num processo de regularidade absoluta e não admitiam exceções, o que o dinamarquês Karl Verner embasou quando demonstrou que nas exceções do enunciado de Grimm havia mudanças regulares, e que ocorriam de acordo com o contexto lingüístico. Apesar desta guinada metodológica rigorosa, os neogramáticos se utilizavam de analogia, que, para eles, estava no plano gramatical, e não fonético.

Um grande neogramático foi Hermann Paul, que foi referência na formação de muitos diacronistas vindouros, e apresentou uma tese bastante aceita até os dias de hoje: que a mudança lingüística é originada principalmente no processo de aquisição da língua. Faraco também apresenta o trabalho etimológico de Lübke e um dos mais importantes críticos ao movimento neogramatico: Hugo Schuchardt – um dos primeiros estudiosos a dar atenção sistemática aos pidgins e criolos -, que chamou atenção para a gama de variedades de fala existente em uma comunidade qualquer, e abriu caminho para o estudo da influência dos fatores como sexo, idade, do falante – dialetologia, e mais recentemente a sociolingüística.

Faraco apresenta do início do estruturalismo – marco da lingüística moderna – com Saussure. Seu aluno francês Antoine Meillet, que por sua vez desenvolve uma concepção mais sociológica do falante e da língua, afirma também que a lingüística faria parte da Antropologia. Estudos e análises na área que levam em conta a história das línguas e da maneira que os falantes a utilizam no contexto social de dialetologia, sociolingüística como fator de diferenciação: Labov.

O professor Faraco apresenta o Círculo de Praga, e outros teóricos estruturalistas, o impacto dessa visão teórica no estudo da mudança e análise do sistema lingüístico e continua criticando o que chama de abordagem “reducionista” pelos estruturalistas.

“O pensamento gerativista em diacronia se identifica, portanto, plenamente com a tradição forte em lingüística de considerar as mudanças como direcionadas por forças internas à língua. Retoma-se, assim, a perspectiva estruturalista: Jakobson afirmava que as leis estruturais do sistema restringem o inventário das transições possíveis dum estado sincrônico a outro (cf. Jakobson 1957, reproduzido em Jakobson, 1963, p. 77); Martinet falava nas mudanças como submetidas aos princípios da economia da língua (1955); os gerativistas falam nas mudanças como submetidas aos princípios restritivos da gramática universal. A diferença é a hipótese inatista (o biologismo) destes que não estava naqueles.” p 169.

O autor a seguir fala do “estruturalismo de roupa nova”, isto é, o gerativismo. O gerativismo inatista, e procurava um modelo a partir de um sistema de regras proposto; que se reformulou na década de 1970: “introduziu a idéia de que a gramática universal é um conjunto de parâmetros variáveis, isto é, ela restringe as gramáticas possíveis, mas admite caminhos alternativos.”p.167

Finalmente, o autor Faraco apresenta repercussões nos estudos diacrônicos da perspectiva gerativista, e mostra a partir de Schlegel no século XIX, Schleicher, Sapir estudos de diacronia dos estudos tipológicos, que chega ao pensamento de Greenberg, justificando esta aproximação pois estas  perspectivas “pautam sua interpretação da mudança por critérios fundamentalmente imanentes” p. 175, excluindo da história das línguas e os falantes e seu contexto histórico-social.

Tradução de literatura brasileira na Alemanha e tradução de clássicos alemães no Brasil

estudantes de alemão em 2010

Em 1999 antes que o livro eletrônico/ e-book virasse usual publiquei um artigo, aqui resumido e que não foi levado adiante por falta de interlocutores acadêmicos que se interessassem por isto na época:
Brazilian Literature Report of Use and Making a German Literature Data Base
Universidade Federal de Santa Catarina, Brazil
German literature in an electronic medium aims at creating a bilingual literary data bank with texts on the humanities, with special reference to German literature. The data bank will be of use to discuss and disseminate German literature in Brazil, as well as hypertext questions, translation theory and history of literature/translation.
http://tracearchive.ntu.ac.uk/incubation/level2/speakers/abstracts.htm

Depois de um certo tempo, vi algumas iniciativas que coincidem com o objetivo do projeto na época e que estão em execução hoje:

Mapeamento da literatura brasileira no exterior – http://conexoesitaucultural.org.br/sobre/

Se interessa em publicar o seu livro de contos ou romance em alemão? Olhe as dicas, e fique de olho
Agência que trabalha com autores brasileiros http://www.mertin-litag.de/
Tradutor, jornalista http://www.michael-kegler.de/
Tradutora https://www.facebook.com/maria.hummitzsch
Tradutora: http://www.linkedin.com/pub/kristina-michahelles/32/44/363

Editoras http://www.weltbild.de/ (esta é popular/bolso e já publica os livros online também)

Editoras que já participaram de edital para traduções da Biblioteca Nacional:
http://www.schoeffling.de/
http://www.suhrkamp.de/
http://www.a1-verlag.de/
http://www.assoziation-a.de/
http://www.callis.com.br/

Já publicou autores brasileiros em alemão:
http://www.randomhouse.de/catalog/catalog.jsp?lbl=37000&nov=false

Entrevista na íntegra feita por Raquel Cozern e publicada na Folha de São Paulo. Marifé Boix García, espanhola que trabalha desde 1994 na feira e hoje vice-presidente, também comentou – “Mantenho aqui as aspas dela, que não saíram na edição.”

Juergen Boos organizará a Feira do Livro de Frankfurt em 2013, a maior feira mundial do mercado editorial terá o Brasil como convidado de honra, e cabe à FBN elencar que escritores nos representarão no megaevento. “Best-sellers são perigosos”: íntegra da entrevista com Juergen Boos, presidente da Feira de Frankfurt

http://abibliotecaderaquel.blogfolha.uol.com.br/2012/08/12/best-sellers-sao-perigosos/

Curso de extensão Leitura de textos de linguística em INGLÊS: gramática gerativa – primeira tarefa

How Infants Acquire language: Some Preliminary Observations de Jacques Mehler, Anne Christophe e Franck Ramus;  publicado no livro Image, language, brain: papers from the First Mind Articulation Project Symposium

Curso de Extensão

Coordenadores: Aleria Cavalcante Lage e Aniela Improta França (Programa de Pós-Graduação em Lingüística/FL-UFRJ)
Palestrantes: Isabella Lopes Pederneira, Rafael Saint-Clair Braga e Thiago Oliveira da Motta Sampaio (Doutorandos de Linguística – UFRJ)
Ementa: Familiarizar alunos com pouco ou razoável conhecimento de inglês com textos de Linguística em inglês, mais especificamente da área de Gramática Gerativa. Visando a uma melhor compreensão do conteúdo dos textos, serão trabalhados os pontos gramaticais e o vocabulário técnico, bem como o conhecimento de Linguística. O curso pode também auxiliar candidatos ao Mestrado em Linguística da UFRJ a se prepararem para a prova de inglês.
Pré-requisito: ter frequentado ou estar frequentando a disciplina Linguística I ou ser aluno da Pós-Graduação em Linguística.
Período: 12/04 a 21/06 (11 encontros)

Iniciamos com a leitura do texto  How Infants Acquire language: Some Preliminary Observations de Jacques Mehler, Anne Christophe e Franck Ramus; que é o terceiro capítulo publicado no livro Image, language, brain: papers from the First Mind Articulation Project Symposium, em Tokio/1998. Editado por Alec Marantz, Yasushi Miyashita e Wayne O’Neil. O texto discute a partir do postulado inatista de Chomsky da GU – Gramática Universal, o motivo de ser tão difícil estabelecer se as crianças utilizam a rede neuronial da linguagem de forma similar aos adultos.  O texto ressalta que Chomsky demonstrou que todas as linguagens possuem mais regularidades em comum do que diferenças superficiais.

Destacaram a relevância do estudo de Lennenberg, que mostrou que a inteligência e QI – Quociente de Inteligência não estavam ligados ao processo de aquisição da linguagem; além disso o cientista apontou evidências que as crianças aprendiam a linguagem espontanamente, e sem esforço. Lennenberg com dados de crianças afásicas descobriu que poderia atribuir a área da linguagem ao hemisfério esquerdo em falantes adultos, mas não em crianças com idade inferior a quatro anos. Até a década de 90 a associação da linguagem com o hemisfério esquerdo de crianças pequenas permanece indistinta.

No texto de Mehler et alii  também apresentaram evidências que sugerem que a aquisição da primeira linguagem é diferente para outras linguagens com aprendizado posterior. Desde a descoberta de Broca em 1861 psicólogos e neuropsicologistas tentam descobrir onde está localizado no cérebro humano o órgão responsável pela fala. Tivemos a sorte de que nos últimos 20 anos novos métodos apareceram para ajudar a entender a emergência da linguagem e a lateralização dos hemisférios; tanto que em 1998 Muller et alli acharam evidências em crianças que tiveram lesões unilaterais muito cedo, de que o hemisfério direito toma para si algumas funções do hemisfério esquerdo danificado, bem como acontece uma pequena reorganização intrahemisférica no cérebro.

Imagens de estudo do cérebro complementam as pesquisas sobre o processamento bilíngue. PET – Positron Emission Tomography e fMRI – functional Magnetic Ressonance possibilitaram a exploração da primeira e segunda linguagem em falantes saudáveis. E como Mehler afirma, seria necessário um maior número de pesquisas para entender os bilíngues que falam uma linguagem oral e ASL – American Sign Language.

criança no laboratório de psicolinguística

No final da década de 70 foi descoberto que recém-nascidos reagem quando um falante troca de repente de uma língua para outra – e os estudos realizados durante a década de 80 chegaram à conclusão que bebês distinguem a mudança na linguagem. Outros estudos feitos por Mehler indicaram que os recém-nascidos faziam esta discriminação com base nas propriedades de prosódia do sinal de fala. No início da década de 90 Werker e Kuhl com suas respectivas equipes mostraram que  infantes começam a especificar fonemas da sua linguagem entre seis e doze meses. Mehler sugere que infantes podem se utilizar disso para descobrir algumas das propriedades fonológicas e sintáticas da sua língua materna. Em 1982 chamado de prosodic bootstrapping, mais recentemente Morgan cunhou o termo phonological bootstrapping (1996). esta idéia converge com a idéia de algumas propriedaeds formais da linguagem, tanto fonológicas ou sintáticas, podem ser descobertas através da análise puramente fonológica do input de fala – sem a referência ao contexto do qual o falante se utiliza, por exemplo. Estes resultados e muitos outros sugerem que ao final do primeiro ano o bebê já adquiriu a maior parte da fonologia da língua materna. Além do mais, a fonologia parece ser adquirida antes do léxico.

Da mesma maneira que os bebês distinguem algumas linguagens, Mehler apresenta casos onde as crianças discriminavam grupos de linguagem que apresentavam diferentes tipos de ritmo, e confundiam linguagens que pertenciam ao mesmo tipo de ritmo. Ele apresenta um PCH – Phonological Class Hypotesis, onde estes “ritmos” seriam de fato classes fonológicas, no sentido de que o grupo possui um determinado  número de propriedades fonnológicas em comum, sendo o ritmo uma delas. PCH poderia explicar também algumas das propriedades do processamento da fala adulta.

Os pesquisadores Christophe, Mehler e Ramus terminam afirmando que agora é tempo dos pesquisadores formularem algoritmos relativamente específicos para aquisição da linguagem, e a partir daí determinar empiricamente o quão próximo está do desenvolvimento real da criança.

Pesquisando achei  o site de Frank Ramus: http://www.lscp.net/persons/ramus/en/infant.html e de Anne Christophe http://www.lscp.net/persons/anne/. Além de outro artigo traduzido do Mehler para o português com outro pesquisador chamado Aquisição da Linguagem: dados psicobiológicos.


Conversa no ônibus – questão sobre a publicidade e semântica

Me ligaram de outro estado para tirar dúvida sobre esta questão. Achei muito curiosa e resolvi publicar, pois dá margem a questionamentos além de ter sido do vestibular da FUVEST-2004 .  Veja que os gabaritos apresentados são diferentes. Com qual deles você concorda ou discorda?

imagem da internet
Sentaram-se lado a lado um jovem publicitário e um velhinho muito religioso. O rapaz falava animadamente sobre sua profissão, mas notou que o assunto não despertava o mesmo entusiasmo no parceiro. Justificou-se, quase desafiando, com o velho chavão:
– A propaganda é a alma do negócio.
– Sem dúvida, respondeu o velhinho. Mas sou daqueles que acham que o sujeito dessa frase devia ser O NEGÓCIO.

a) A palavra ALMA tem o mesmo sentido para ambas as personagens? Justifique.
b) Seguindo a indicação do velhinho, redija a frase na versão que a ele pareceu mais coerente

A minha solução foi a mesma deste gabarito que publico e que concordo – existem duas respostas ao problema… Então na minha opinião, a melhor resposta é esta: http://www.elitecampinas.com.br/gabaritos/fuvest/fuvest_04_fase2_por_ELITE.pdf

a) Para o jovem publicitário, alma tem o sentido de essência, núcleo, a parte mais importante. Já para o velhinho, duas interpretações são possíveis: espírito, princípio da vida ou a essência, o núcleo, a parte mais importante. Embora o velhinho seja  muito religioso, a interpretação de alma como espírito não exclui totalmente seu sentido de essência, portanto, as duas respostas (sim ou não) são possíveis, contanto que se justifique coerentemente.

b) Quem respondeu ao item a)

sim deveria concluir que a frase correta seria “O negócio é a alma da propaganda.”;

para quem respondeu não, a frase seria “O negócio é a propaganda da alma.”

Algumas outras soluções da questão podem ser encontradas aqui:

http://www.cpv.com.br/vestibulares/FUVEST/2004/resolucoes/resolucao_fuvest_2004_f2_portugues.pdf

http://www.curso-objetivo.br/vestibular/resolucao_comentada/FUVEST/2004_2fase/1dia/fuvest2004_2fase_1dia.pdf

http://portugauss.blogspot.com.br/2011/06/aula-coerencia-textual.html

http://www.universitariobrasil.com.br/Arquivos/ResolucaoExames/130-FUV2FPOR2004.pdf

http://www.etapa.com.br/gabaritos/resolucao_pdf/gab_2004/01_fuvest/fase2/fuvest04p.pdf

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