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Pré-estréia “O Hobbit” no Rio de Janeiro

( pouco spoiler)
Dez anos de espera entre o Senhor dos Anéis e o lançamento “O Hobbit” – valeu a pena e tem gosto de quero mais. Assim como na trilogia Peter Jackson com ajuda preciosa de Guillermo del Toro que ficou responsável pelas filmagens por algum tempo e roteiristas – fizeram adaptações que dão maior clareza ao enredo de Tolkien para o “público leigo”.
Gostaria de agradecer ao Conselho Branco (fundação em 2000!) especialmente Shirley “Edhel” e Luciano M. Bastos, Thain da Toca RJ. Eles possibilitaram acesso à pré-estréia promovida Warner Bros. Pictures Brasil, simultaneamente em várias cidades do país. Assisti em uma sala  uma sala 2D no Downtown, e na saída todo o público estava animado e já lamentando ter que esperar o próximo ano e/ou planejando assistir em 3D novamente.
Os diretores acharam soluções inteligentes para ligar este enredo aos filmes  “Senhor dos Anéis”,  que provavelmente resultará em uma corrida no aluguel, e até mesmo reaquecimento da venda de boxes da trilogia. Os cenários já conhecidos como Valfenda e Moria  possuem um frescor que traduz visualmente a beleza do mundo antes do “grande mal” se levantar, e outros que o público não conhecia encantam pelos detalhes. A trilha sonora revisita o que já foi feito, e ainda impacta… mas desta vez houve destaque para o que salta aos olhos na leitura da obra: as canções que traduzem a cada ponto da jornada o espírito do grupo.

Assim como os cenários, o visual dos personagens é repaginado e até surpreende. Outro ponto que chama  muito a atenção é o contraponto de como este filme é “leve” em comparação à trilogia, além do destaque dado para o contraste e problemas de entendimento entre as línguas utilizadas pelos personagens: orc, élfica, anã… mostrando facetas multiculturais de cada povo da terra Média.

Para finalizar, um elogio pois apesar do grande elenco de anões os diretores conseguiram amarrar bem a narrativa e caracterizar/apresentar cada um. Parece que os conhecemos da companhia, novos vizinhos barulhentos e simpáticos: Ken Stott (Balin), William Kircher (Bifur), James Nesbitt (Bofur), Stephen Hunter (Bombur), Mark Hadlow (Dori), Graham McTavish (Dwalin), Dean O’Gorman (Fili), Peter Hambleton (Gloin), Aidan Turner (Kili), Jed Brophy (Nori), John Callen (Oin), Adam Brown (Ori), Richard Armitage (Thorin Escudo-de-Carvalho)… além de Jeffrey Thomas e Mike Mizrahi que fazem os reis anões Thror e Thrain. O final em um ponto inesperado deixa expectativas e curiosidade!

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada chega aos cinemas brasileiros hoje, com sessões que iniciam após as 24 horas. Os filmes seguintes serão  O Hobbit: A Desolação de Smaug,  previsto para 2013, e O Hobbit: Lá e de Volta Outra Vez para 2014.

Vá hoje na Estréia de “O Hobbit” com a Toca-RJ

Conselho Branco é uma associação que promove encontros e eventos na temática da Fantasia Medieval, e desenvolve diversos projetos culturais – como Casa de Vairë (contação de histórias), Lambendili (Estudo de línguas élficas), Parmandili (biblioteca circulante), Conselho de Elrond (grupos de leitura), Ordem dos Istari (jogos de RPG), dentre outros. Fotos da pré- estréia no dia 11 \o/

 

Para saber mais visite:

 

 

 

(se quer ter uma idéia do que é o filme assista a este último vídeo, mas já aviso que tem MUITO spoiler)

 

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Canção do Exílio – contextos (parte 2)

Outras ligações da Alemanha e da língua alemã com Gonçalves Dias e contextos históricos

Podemos começar a entender a ligação da epígrafe de um famoso autor alemão em obra indigenista/romântica brasileira. A Canção de Exílio abre a publicação de Gonçalves Dias, e tem como epígrafe fragmento do Lied de Mignon (também traduzido como Balada ou Canção), retirado do romance Wilhelm Meisters Lehrjahre de Goethe, aqui traduzido por Manuel Bandeira (1952):

 

“Kennst du das Land, wo die Zitronen blühn,

Conheceis o país onde florescem as laranjeiras?

Im dunkeln Laud die Gold-Orangem glühn,

Ardem na escura fronde os frutos de ouro,

Kennst du es wohl?

Conhecê-lo?

–         Dahin, dahin!

– Para lá, para lá

Möch ich… ziehn.

quisera eu ir!” Johann Wolfgang von Goethe

Gonçalves Dias, Manuel de Araújo Porto-alegre and Gonçalves de Magalhães (1858).

Gonçalves Dias, Manuel de Araújo Porto-alegre and Gonçalves de Magalhães (1858).

A ligação de Gonçalves Dias com a cultura alemã não era apenas ocasional, ou apenas com um de seus maiores autores: alcançava o interesse pela língua – inclusive com traduções de Schiller -, conforme verificamos em análise literária:

“Um primeiro contato com o texto de Gonçalves Dias e, logo, salta aos olhos a justeza encontrada pelo poeta maranhense na escolha da epígrafe que, retirada do romance de formação, Os Anos de Aprendizagem de Wilhem Meister, de Goethe, acomoda-se perfeitamente ao espírito da Canção do exílio. Ao escolher o fragmento da Balada de Mignon […] Gonçalves Dias retira do poema original a expressão de um desejo que também vai percorrer a sua Canção, isto é, o desejo de voltar à Pátria. A figura de Mignon e de seu melancólico desejo transparecem algumas vezes no contexto do romance de Goethe: por exemplo, já quase no final do livro, observa-se a moça agonizando e o seu médico, vendo-se a sós com Wilhem, afirma a este que existem duas coisas que fazem a menina viver: “A natureza estranha dessa boa criança, de quem falamos agora, consiste exclusivamente numa profunda nostalgia: o desejo louco de rever sua pátria, e o desejo pelo senhor, meu amigo, são, poderia mesmo dizer, os únicos elementos terrenos nela; ambos se tocam numa distância infinita; ambos são inacessíveis para essa alma singular”.

Se, por um lado, o drama da moça é marcado pela impossibilidade de realização de seu duplo desejo; por outro, o simples fato de o autor brasileiro ter recorrido ao referencial alemão exemplifica o diálogo constante que este, sempre ligado aos grandes temas, trava com a literatura européia.7 É possível perceber ainda que tanto no trecho do poema quanto no fragmento acima, o desejo de voltar é perpassado por uma forte nostalgia que, por sua vez, emblematiza a figura do expatriado. Portanto, a epígrafe da Canção do Exílio, apesar de Augusto Mayer questionar a liberdade com que Gonçalves Dias mutilou o poema original,8 apresenta, de antemão, dois dos motivos românticos que, juntamente com a metáfora da natureza, predominam no poema gonçalvino, ou seja, a incômoda sensação do sentir-se fora de lugar e a conseqüente melancolia que reveste a consciência do distanciamento da terra natal.”

7 Gonçalves Dias nutria, por exemplo, uma profunda admiração pela literatura alemã, tanto que, durante o ano letivo de 1843/1844, o poeta começou a estudar alemão para poder ler diretamente os poetas dessa língua. Em carta a Teófilo Leal, datada de 27 de agosto de 1843, ele escreve: “Se eu contasse um pouco mais comigo – por outra se eu soubesse grego e alemão – partia já para o Rio. Assim continuarei a escrever o meu poema – o meu romance e as minhas poesias soltas – estudarei alemão – e creio que um ano não será mal empregado”. Cf. PEREIRA, L. M. A vida de Gonçalves Dias. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1943. p. 50.

8 Cf. MAYER, A. Sobre uma epígrafe. In: ___. A chave e a máscara. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1964. p. 95-99.  (MARQUES, p. 81-82)

O título do romance Wilhelm Meisters Lehrjahre também é traduzido como “Os Anos de Aprendizagem” ou “Os Anos de Aprendizado”de Wilhelm Meister, e inaugurou o gênero que se chama Bildungsroman, traduzido como “Romance de Formação” –  o personagem é “exposto de forma pormenorizada o processo de desenvolvimento físico, moral, psicológico, estético, social ou político de uma personagem, geralmente desde a sua infância ou adolescência até um estado de maior maturidade.” (WIKIPEDIA).  Assim como apontamos anteriormente diferenças entre o romantismo europeu e o brasileiro, a seguir apresenta-se a “busca da essência da nacionalidade”

“Na Europa o problema se definiu primeiro na Alemanha e estava ligado ao longo processo de enfraquecimento da cultura alemã pela sedução que a civilização francesa vinha exercendo, desde o século XVII, sobre a aristocracia dominante nas inúmeras unidades políticas em que se dividia o país. De um modo geral, os românticos europeus, em sua aspiração de reencontrar o caráter da nação “em sua pureza original”, voltaram-se para suas origens históricas (acarretando o amplo movimento de revalorização da Idade Média) ou para o povo, transformado em quase uma entidade mítica, porque nele, muito menos contaminado do que as classes eruditas pelos valores “impuros” (alienígenas), estaria preservada a alma nacional (daí as inúmeras complilações de cancioneiros populares, bem como o surgimento do estudo científico do folclore, que se inicia justamente na Alemanha).” (ALMEIDA, p.43)

 

Goethe na Italy by Johann Heinrich Wilhelm Tischbien (1787)

Outros dados importantes a serem destacados sobre “Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister”: o personagem se associa à uma “sociedade secreta”, e muitos dizem que seria uma referência à Maçonaria – muito em voga na época (Goethe foi associado a um ramo chamado Illuminati); e que o livro foi publicado logo após o estrondoso sucesso dos “Sofrimentos do Jovem Werther”, que causou uma onda assustadora de suicídios na Europa.

Sobre o poema afirma CANDIDO (2009) que “A celebração da natureza, por exemplo, seja como realidade presente, seja evocada apela saudade, em peças que ficaram entre as mais queridas, como CANÇÃO do EXÍLIO…” É de VALLE (2009) uma observação que contrapõe a vida real do poeta à imagem do poeta romântico com ares de trovador:

“É durante os sete anos que esteve pela primeira vez em Portugal, que escreve alguns poemas de seu primeiro livro, aí sentindo as saudades do sabiá e das palmeiras com a “Canção do Exílio”. Note-se que, de certa forma, para um jovem do interior uma vida de estudante em Coimbra, desfrutando do que culturalmente desejava, rodeado de bons amigos, e ainda tendo algumas namoradas, é curiosa a nostalgia por sua terra natal, onde nada disto desfrutava… Diga-se de passagem que Gonçalves Dias era pardo (o que não era bem visto) e de somente um metro e meio de altura, o que, para um homem não é considerado atraente. Porém, seja pelo que for, cativava as mulheres. Pela vida toda, teve muitas namoradas, às vezes mais de uma ao mesmo tempo, e muitas deixaram por escrito seu encanto pelo poeta! Certa vez quase morre por ter sido flagrado com uma mulher comprometida, coisa que comprova sua agitada vida amorosa… De que tanto se queixava o romântico?”

Canção do Exílio     Gonçalves Dias  – 1846

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá,

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá

Nosso céu tem mais estrelas

O eu-lírico de “Canção” possui diferentes instrumentos que prestigiam temas diversos: Deus, o amor e a pátria. A ambientação criada pela escolha dos instrumentos (“harpa religiosa”, “lira”, “alaúde”) e seus acessórios (“festões”, “engrinaldada”) determinam a relação do poema com o medievalismo. Ao mencionar que seu alaúde pertencera a antigos cantores de trovas de amores, o poeta incorpora, através do instrumento herdado, a tradição dos trovadores medievais. Dessa forma, há uma justificação para o medievalismo gonçalvino, ele é uma herança dos antigos bardos. (CHIARI, 2011)

Da mesma maneira que teve reconhecimento, Gonçalves Dias teve ferrenhos críticos, aqui reproduzo um que discute se a literatura é brasileira ou não, e outro, escritor da época, que talvez coloque na opinião do personagem a discussão que acontecia sobre os escritores românticos:

“sem língua à parte não há literatura à parte…e essa polêmica secundária que alguns poetas, e mais modernamente o Sr. Gonçalves Dias parecem ter indigitado: saber, que a nossa literatura deve ser aquilo que ele intitulou nas suas coleções poéticas – poesias americanas.  […]

Com pouca exceção, todos nossos patrícios que se haviam erguido poetas, tinham-se ido inspirar em terra portuguesa, na leitura dos velhos livros, e nas grandezas da mãe pátria…Não há nada nesses homens que ressumbre brasileirismo; nem sequer um brado de homem livre da colônia – nada.” (RONCARI, p. 309)

“Falam nos gemidos da noite no sertão, nas tradições das raças perdidas das florestas, nas torrentes das serranias, como se lá tivessem dormido ao menos uma noite, como se acordassem procurando túmulos, e perguntando como Hamleto no cemitério a cada caveira do deserto o seu passado.

Mentidos! Tudo isso lhes veio à mente lendo as páginas de algum viajante que esqueceu-se talvez de contar que nos mangues e nas águas do Amazonas e do Orenoco há mais mosquitos e sezões do que inspiração: que na floresta há insetos repulsivos, répteis imundos, que a pele furta-cor do tigre não tem o perfume das flores – que tudo isto é sublime nos livros mas é soberanamente desagradável na realidade” (AZEVEDO apud CANDIDO, p.333)

Esperamos ter costurado através dos panoramas apresentados, os enquadramentos necessários para um melhor entendimento do contexto de produção. Inclusive, em novembro de 2011 completaram 147 anos da morte do autor. Assim, poder-se-ia através de análises esquematicamente aprofundadas levar-se adiante os estudos desta época de formação da Literatura Brasileira nos preparando para a comemoração dos 150 anos.

BIBLIOGRAFIA

ALENCAR, José de. Bênção Paterna (prefácio do autor). Obras completas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1955.

ASSIS, Machado de. Instinto de Nacionalidade. In COUTINHO, Afrânio. Caminhos do pensamento crítico. Rio de Janeiro: Pallas/ INL-MEC, 1980.

BANDEIRA, Manuel.Gonçalves Dias: esboço biográfico. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti Editores, 1952.

CANDIDO, Antonio. O Nacionalismo Literário. Formação da literatura brasileira – momentos decisivos. São Paulo, Rio de Janeiro: FAPESP, Ouro sobre Azul, 2009.

CHIARI, Giseli Gemmi. Presença do Medievalismo em Gonçalves Dias. In Fólio – Revista de Letras, vol. 3 no 1. Vitória da Conquista: UESB, 2011.

Disponível em: http://periodicos.uesb.br/index.php/folio/article/viewFile/554/613

DENIS, Ferdinand. Resumo da História Literária do Brasil. In GUILHERMINO CÉSAR (seleção e apresentação. Historiadores e críticos do romantismo. Rio de Janeiro, São Paulo: Livros Técnicos e Científicos, Editora da Universidade de São Paulo, 1978.

GALVÃO, Walnice Nogueira. Indianismo Revisitado. Gatos de outro saco. São Paulo: Brasiliense, 1981.

LIMA, Luiz Costa. Natureza e História nos Trópicos. In O Controle do Imaginário – Razão e Civilização no Ocidente. São Paulo: Brasilense, 1984.

MAGALHÃES, Domingos José Gonçalves de. Discurso sobre a História da Literatura do Brasil. In COUTINHO, Afrânio. Caminhos do Pensamento Crítico. Rio de Janeiro: Pallas/ INL-MEC, 1980.

MARQUES, W. J. O poema e a metáfora. In Revista Letras, n. 60, p. 79-93, jul./dez. Curitiba: Editora UFPR, 2003. Disponível em: <http://www.ufscar.br/~neo/Estudos/arquivos/opoemaeametafora.pdf&gt;

RONCARI, Luiz. Literatura Brasileira – dos primeiros cronistas aos últimos românticos. São Paulo: EDUSP, 2002.

SALLES, Ricardo. O Papo Amarelo do Tucano: A Cultura Imperial. In Nostalgia Imperial: A formação da Identidade Nacional no Brasil do Segundo Reinado. Rio de Janeiro: Topbpooks, 1996.

VALLE, Gerson. Gonçalves Dias e o Romantismo. Palestra na Academia Brasileira de Poesia – Casa Raul de Leoni, Petrópolis em 18/06/2009. Disponível em: <http://www.rauldeleoni.org/academicos_titulares/gerson.html&gt;

WIKIPEDIA. Bildungsroman. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bildungsroman

 

REFERÊNCIAS

 ABL. Biografia de Gonçalves Dias. Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=866&sid=183 e

CYNTRÃO, Sylvia Helena. A ideologia nas canções de exílio: Ufanismo e Crítica. Brasília, 1988. Dissertação apresentada ao Departamento de Teoria Literária e Literaturas. Disponível em:

http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/3969/1/1988_SylviaHelenaCynt%C3%A3o.pdf

WIKIPEDIA. Johann Wolfgang von Goethe. Disponível em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Johann_Wolfgang_von_Goethe

VOLOBUEF, Karin. Friedrich Schiller e Gonçalves Dias. Pandaemonium germanicum 9/2005, 77-90. São Paulo: USP, 2005. Disponível em:

http://www.fflch.usp.br/dlm/alemao/pandaemoniumgermanicum/site/images/pdf/ed2005/Friedrich_Schiller_e_Gonalves_Dias.pdf

Canção do Exílio – contextos (parte 1)

1)      Tarefa 3: Escolha de livro/trecho da literatura nacional e apresentar com ele alguns teóricos apresentados durante a disciplina.

Canção do Exílio – contextos histórico, biográfico e literário que podem ter influenciado a produção do poema.

“Estudados que sejam os leves vestígios remanescentes de três séculos de destruição, aí se acharão todos os pensamentos primitivos que excitam fortemente a imaginação; mas para que se nos deparem tais pensamentos em toda a sua energia, não será preciso buscá-los às hordas que a civilização destruiu lentamente, as quais ocultam as desgraças da raça americana nas plagas em que foram confinadas: e penetrando-se no seio das florestas, interrogando-se as nações livres, ver-se-ão os campos ainda vivificados por pensamentos verdadeiramente poéticos” (DENIS, 1826)

Pretende-se apresentar diversos teóricos discutidos durante este semestre, com pontos de vista e alguns contextos que teriam relevância no início do Romantismo brasileiro, a partir de uma das poesias e seu autor de destaque da época.

“A aparição de Gonçalves Dias chamou a atenção das musas brasileiras para a história e os costumes indianos. Os Timbiras, Y-Juca-Pyrama, Tabira e outros poemas do egrégio poeta acenderam as imaginações; a vida das tribos, vencidas há muito pela civilização, foi estudada nas memórias que nos deixaram os cronistas, e interrogados dos poetas, tirando-lhes todos alguma cousa, qual um idílio, qual um canto épico” (ASSIS apud COUTINHO, 1980)

Johann Moritz Rugendas
Chasse au Tigre (Caça à Onça) – Johann Moritz Rugendas

O poeta Gonçalves Dias é celebrado como um dos primeiros a apresentar em seus textos a “cor local” (ASSIS, 1873). Muitas fontes afirmam que o autor escreveu a Canção do Exílio em 1843, e sua primeira publicação foi nos “Os primeiros Cantos” em 1846.

“Quem examina a atual literatura brasileira reconhece-lhe logo, como primeiro traço, certo instinto de nacionalidade. Poesia, romance, todas as formas literárias do pensamento buscam vestir-se com as cores do país… (…) Interrogando a vida brasileira e a natureza americana, pensadores e poetas acharão ali farto manancial de inspiração e irão dando fisionomia ao pensamento nacional. […]

Esta outra independência não tem sete de Setembro nem campo do Ipiranga; não se fará num dia, mas pausadamente, para sair mais duradoura; não será obra de uma geração nem duas; muitos trabalharão para ela até perfazê-la de todo”  (ASSIS, p. 355).

Temos que lembrar que a relação entre o Brasil e Portugal, pelo menos ideologicamente: “Quando o colonizador coloniza o colonizado, o propósito é sempre a destruição. Essa destruição pode ser pessoal, genocida ou etnocida. O colonizador mata a pessoa, mata o povo, ou então mata a outra cultura mediante a imposição da sua e a escravização do colonizado, se acaso sobrou algum.” (GALVÃO, p. 173-174)

“Nesses quatrocentos anos de História, o invasor, tornado colono, inicialmente lisonjeou-se acreditando ser colonizador, para depois descobrir-se colonizado. De invasor europeu, passou a perceber-se, no plano econômico, político e mesmo mental, como mero colonizado. No jogo dos interesses, instaurou-se o conflito que desembocou nas independências das colônias do continente americano desde o final do Setecentos até a vigência do Oitocentos.

Aí finca a raiz uma das mais persistentes posturas intelectuais no Brasil, o oscilar entre metrópole e colônia. A história da literatura, a história da cultura, a história da inteligência é permeada por esse dilema, em que o colonizado deseja ser ora só colonizador ora só colonizado, visando um terceiro termo integrado, nem colonizador nem colonizado, nunca atingido.” (GALVÃO, p. 175)

Conforme já citamos a poesia analisada foi escrita e publicada na primeira metade do século XIX, isto é, de acordo com SALLES (1996) o substrato cultural brasileiro já estava formado:

“Parte da definição de uma singularidade colonial era a existência de uma variante nacional brasileira da língua portuguesa, seja pela preservação de elementos quinhentistas no ambiente rural isolado, seja pela influência africana e indígena. Esta existência se tornaria com o romantismo uma tentativa consciente de afirmação da nacionalidade em oposição à variante portuguesa” p. 79-80

“Na base de um substrato cultural americano estão a produção a produção de uma dupla alteridade: 1) na esfera de uma mesma humanidade ocidental, a do colonizador europeu que séculos de experiência no Novo Mundo – e eventualmente, até mesmo alguma miscigenação – transformaram em um outro em relação às metrópoles e seus habitantes e; 2) a do indígena, do africano, do mestiço, portadores de uma humanidade diferente e primitiva ou mesmo bestializados” p.86 (SALLES, 1996)

Fazendeiro

Em publicações oficiais do governo imperial recolheram-se impressões sobre os filhos mestiços. Apesar de muitas vezes por pressão da sociedade não serem assumidos, muitos recebiam aporte financeiro e educação direcionada antes exclusivamente direcionada aos brancos europeus: “…mas os crioulos, filhos destes, já apresentam notável inteligência, e os mestiços igualam o europeu e sua descendência em capacidade, força e extensão das faculdades intelectuais.” (MACEDO apud SALLES, p.90) Gonçalves Dias nasceu no interior do Maranhão e era filho do comerciante português João Manuel Gonçalves Dias e da mestiça cafuza Vicência Mendes Ferreira, e, portanto com ascendência das três raças que formaram o povo brasileiro. Nasceu um ano após a independência do Brasil, em 10 de agosto de 1823. João Manuel abandona a mãe de Gonçalves Dias quando este tinha 6 anos de idade  para se casar com uma branca. O progenitor fica com o pequeno Antônio, e matriculou-o em colégio, o que se pode considerar um privilégio para quem possuísse suas características étnicas e sociais nessa época. Aos 10 anos é colocado como caixeiro e encarregado da escrituração dos negócios do pai, que reconhece seu esforço e inteligência; e aos 12 anos o retira do balcão para que estude latim, francês e filosofia. Com orgulho dos talentos e esforço demonstrados pelo filho, quando completa 15 anos o leva para São Luís na intenção de embarcar com ele para Portugal para completar o segundo grau. João Manuel, natural de Trás-os-Montes, morre ainda em São Luís em 1837.  Marya Louise Pratt usa o conceito de transculturação para falar do Romantismo:

“Em alguns setores da cultura crioula, então, uma natureza americana glorificada e uma antiguidade americana já existiam como instrumentos ideológicos, fontes de identificação e orgulho americanistas alimentando um sentimento crescente de separação da Europa […]

Ocidentais estão acostumados a pensar os projetos românticos de liberdade, individualismo e liberalismo como emanando da Europa para a periferia colonial, mas menos acostumados a pensar as emanações da zona de contato [áreas de contato entre europeus e as realidades coloniais] de volta para a Europa” (PRATT apud SALLES, p.112)

No ano seguinte, com a ajuda da madrasta Adelaide Ramos de Almeida e de um vizinho pôde viajar para Portugal para completar os estudos secundários e matricular-se no curso de Direito em 1840. Gonçalves Dias participou de um grupo de poetas chamados de “medievalistas” da Gazeta Literária e de O Trovador, compartilhando das idéias românticas de Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Antonio Feliciano de Castilho. Além da influência portuguesa virá juntar-se a dos românticos franceses, ingleses, espanhóis e alemães. No meio do seu bacharelado, por causa da Balaiada (1838 a 1841), a situação financeira da família ficou difícil no Maranhão e a senhora Adelaide pediu-lhe que voltasse de Coimbra. Mas graças ao auxílio e apoio de colegas de faculdade que ofereceram moradia e alimentação, ele prosseguiu nos estudos e se formou em 1845.

“À maneira do Arcadismo, o Romantismo surge como momento de negação; negação, neste caso, e na literatura luso-brasileira, mais profunda e revolucionária, porque visava a redefinir não si a atitude poética, mas o próprio lugar do homem no mundo e na sociedade.” p.341

“Nesse processo verificamos o intuito de praticar a literatura, ao mesmo tempo, como atividade desinteressada e como instrumento, utilizando-a ao modo de um recurso de valorização do país – quer no ato de fazer aqui o mesmo que se fazia na Europa culta, quer exprimindo a realidade local. p.327

“… resultando um momento harmonioso e íntegro, que ainda hoje parece a muitos o mais brasileiro, mais autêntico dentre os que tivemos.

Os contemporâneos intuíram ou pressentiram este fato, arraigando-se em conseqüência no seu espírito a noção de que fundavam a literatura brasileira. Cada um que vinha – Magalhães, Gonçalves Dias, Alencar, Franklin Távora, Taunay – imaginava-se detentor da fórmula ideal de fundação, referindo-se invariavelmente às condições previstas por Denis e retomadas pelo grupo da Niterói: expressão nacional autêntica.” p.332 (CÂNDIDO, 2009)

Quando falamos em romantismo no Brasil, é interessante destacar que há um deslocamento semântico significativo para o movimento literário europeu:

“O culto da tristeza e da saudade, a freqüência do tema do exílio entre os moços poetas simbiotizavam a melancolia de quem já não estava na Europa com a de quem se sentia inferior ou não reconhecido em sua própria terra. Assim, mesmo o sentimentalismo comum ao romantismo brasileiro e ao romantismo “normal” decorria de motivos diferentes” (LIMA, pg. 135)

Funcionário a passeio com a família

Ao contrário de escritores brasileiros que se europeizaram além da conta mesmo com um contato menor que o seu, Gonçalves Dias utilizaria a cultura humanista adquirida no velho mundo com marcas brasileiras inconfundíveis: apesar de ter a maior parte da sua formação em Portugal e vivido 14 dos 41 anos de vida. Um exemplo do paradoxo europeizante, quase uma pérola inusitada é o trecho de um dos primeiros textos historiográficos da literatura brasileira; que fala, por exemplo, da exaustiva procura de textos sobre a literatura brasileira, mas cita cidades européias como fontes:

“Eis tudo o que sobre a literatura do Brasil se tem escrito até hoje; se só por isso nos guiássemos, na impossibilidade em que ficaríamos de nada poder acrescentar, teríamos preferido traduzir este pouco; o que nada serviria para a historia. […] a leitura do imenso trabalho biográfico do Abade Barbosa, para podermos achar por acaso aqui e ali o nome de algum Brasileiro distinto no meio dessa aluvião de nomes colecionados às vezes com bem pouca crítica. Ainda assim convinha ler suas obras; eis aí uma quase insuperável dificuldade. Embalde por algumas delas, de que tínhamos notícia, investigamos todas as Bibliotecas de Paris, de Roma, de Florença, de Pádua, e de outras principais cidades da Itália que visitamos…” p.27

“A poesia brasileira não é uma indígena civilizada; é uma Grega vestida à francesa e à portuguesa, e climatizada no Brasil; é uma virgem do Hélicon que, peregrinando pelo mundo, estragou seu manto, talhado pelas mãos de Homero, e sentada à sombra das palmeiras da América, se apraz ainda com as reminiscências da pátria, cuida ouvir o doce murmúrio da castalia, o trépido sussuro do Lodon e do Ismeno, e toma por um rouxinol o sabiá que gorjeia entre os galhos da laranjeira. Enfeitiçados por esse nume sedutor, por essa bela estrangeira, os poetas brasileiros se deixaram levar por seus cânticos, e olvidaram as simples imagens que uma natureza virgem com tanta profusão lhes oferecia.” p. 31-32 (MAGALHÃES, 1836)

A respeito desta divisão da “antiga” crítica literária portuguesa e uma nascente e ativa crítica brasileira fala José de Alencar (1872):

“Tinha bem que ver, se eu desse ao carioca, esse parisiense americano, esse ateniense dos trópicos, uma paródia insulsa dos costumes portugueses, que entre nós saturam-se de dia em dia do gênio francês. A áurea scintilla da raça latina, que a família gaulesa herdou da romana, tem de a transmitir a nós, família brasileira, futuro chefe dessa raça.

A manga, da primeira vez que a prova, acha-lhe o estrangeiro gosto de terebentina; depois de habituado, regala-se com o sabor delicioso. Assim acontece com os poucos livros realmente brasileiros: o paladar português sente neles um travo; mas se aqui vivem conosco, sob o mesmo clima, atraídos pelos costumes da família e da pátria irmãs, logo ressoam docemente aos ouvidos lusos os nossos idiotismos brasileiros, que dantes lhes destoavam a ponto de os ter em conta de senões.” p.37

“O indianismo dos primeiros tempos do romantismo que poderia redundar numa valorização excessiva do elemento americano na formação da nacionalidade deveria ser depurado e enquadrado na ordem imperial moderna, civilizada, científica e européia” (SALLES, p.103.) A convergência de interesses resultou na fundação em 1838 do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro que tinha como um dos objetivos validar a “civilização européia” através de artigos, debates e prêmios pela produção intelectual direcionada.

“Se o esforço sistemático dos intelectuais do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro tinha a respeitabilidade da produção científica, não possuía, contudo, – por sua própria natureza erudita – o poder de irradiação e de metáfora necessário para a constituição de um verdadeiro mito de formação. Seria necessário um veículo mais abrangente – e também com maior elasticidade e poder de evocação da fantasia – para a produção de um mito da nacionalidade que ganhasse o imaginário coletivo e transcendesse obras e criadores determinados. Este veículo foi a produção literária e artística.

Boa parte – talvez aquilo de mais significativo – da produção literária e artística do período romântico esteve vinculada à temática da afirmação das características individuais da nova nacionalidade.” (SALLES, p.106.)

Enterro de um índio

O crítico literário Antônio Cândido diz sobre o indianismo que “…o tema indígena aparece tratado ao modo romântico, embora de passagem, é a NÊNIA de Firmino Rodrigues Silva (1837), reconhecida por todos os sucessores imediatos como ponto inicial do Indianismo romântico.”:

“…. denota tendência para particularizar os grandes temas, as grandes atitudes de que se nutria a literatura ocidental, inserindo-as na realidade local, tratando-as como próprias de uma tradição brasileira. Assim, o espírito cavalheiresco é enxertado no aborígene, a ética e a cortesia do gentil-homem são trazidas para interpretar o seu comportamento. A distinção pode parecer especiosa mas o seu fundamento se encontra na atitude claramente diversa de um Basílio da Gama e de um José Alencar” (CÂNDIDO, p.339)

Como afirma ALMEIDA (1999): “A primeira forma cabal de expressão do nacionalismo literário romântico no Brasil foi, pois, o indianismo, firmado na poesia com Gonçalves Dias (1846)…” Apesar de alguns setores da Igreja mais tarde se posicionarem a favor da abolição, pesava na escolha o fato dos negros por muito tempo, e por senso comum “não possuírem alma” (SIC). O autor também procura explicar a razão de, apesar de numericamente significativo a raça negra nunca foi encaixada nos moldes heróicos dos autores brasileiros; que em grande parte eram sustentados pelos seus pais e avós senhores de engenho e/ou dependentes dos seus negócios:

“Se refletirmos no dilema colocado para o escritor romântico brasileiro, que procurava encontrar símbolos históricos nacionais com que se afirmar frente ao Velho Mundo, e via-se confrontado com a realidade inequívoca da formação predominantemente européia do país, não é difícil compreender que o processo de mitificação do indígena, longe de ser um modismo epidérmico, constituiu uma resposta cultural adequada, única talvez possível na conjuntura da época. A mitificação do colonizador europeu seria um conta-senso. No que diz respeito ao negro, sua inadequação a um tratamento heróico-mítico era ainda mais evidente: além de ser, como o europeu, alienígena, esteve desde o início ligado ao trabalho servil, considerado degradante. Era impossível fazer de um herói negro um mito de significado nacional.” (ALMEIDA, p. 28-29)

A partir deste contexto podemos começar a entender a ligação da epígrafe de um famoso autor alemão em obra indigenista/romântica brasileira. A Canção de Exílio abre a publicação de Gonçalves Dias, e tem como epígrafe fragmento do Lied de Mignon (também traduzido como Balada ou Canção), retirado do romance Wilhelm Meisters Lehrjahre de Goethe, aqui traduzido por Manuel Bandeira (1952):

 

“Kennst du das Land, wo die Zitronen blühn,

Conheceis o país onde florescem as laranjeiras?

Im dunkeln Laud die Gold-Orangem glühn,

Ardem na escura fronde os frutos de ouro,

Kennst du es wohl?

Conhecê-lo?

–         Dahin, dahin!

– Para lá, para lá

Möch ich… ziehn.

quisera eu ir!”

Johann Wolfgang von Goethe   (bibliografia e continuação no próximo post)

O Hobbit como cânon literário segundo Terry Eagleton

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Tarefa 1 – Escolher uma obra que considera Literatura de acordo com Terry Eagleton e explicar como cânon algumas características.

A idéia de escrever a obra iniciou em 1928, e John Ronald Reuel Tolkien abandonou o projeto em 1930. Tolkien emprestou o manuscrito incompleto para a Reverenda Madre de Cherwell Edge quando ela estava doente, e foi visto por Susan Dagnall (estudante de Oxford), que trabalhava para a editora George Allen & Unwin. O livro foi analisado depois também por Rayner Unwin na época com 10 anos de idade e filho de um dos fundadores da editora, Stanley Unwin.

Ficcionalidade

O Hobbit pode ser definido inicialmente como uma escrita “imaginativa” – ficção que não é literalmente verídica.

Contexto histórico

O processo de escrita inicia no período entre guerras, e a publicação do livro se dá em 1937. As Olimpíadas de Berlim, com Adolf Hitler no poder aconteceram em 1936.

Os ditadores Franco na Espanha e Mussolini na Itália tomavam o poder, e se tornariam aliados da Alemanha na Guerra. O nazismo ascendia de forma fulminante nesta época, e o lançamento do livro se dá dois anos antes da invasão nazista à Polônia (1939).

Verossimilhança

Tolkien quando criança se encantava com nomes galeses, e mais tarde viria a se tornar filólogo. Aprendeu na infância com suas primas uma língua artificial e bem simples criada por elas chamada Animálico. Juntos criaram outra língua, uma mistura de vários outros idiomas – Nevbosh – traduzido como Novo Disparate. Mais tarde criou o Naffarin, mais complexa e baseada na língua de seu tutor padre Francis Morgan: o espanhol. Daí, podemos ver a riqueza de para cada povo especificar uma maneira de falar e agir, assim se apresenta o lingüista dentro do mundo ficcional criado. Muitos citam uma frase do autor: “O VolapuqueEsperanto, o Ido, o Novial, são línguas mortas, mais mortas do que antigas línguas sem uso, porque seus inventores jamais criaram lendas para acompanhá-las.” — Tolkien

A variedade de línguas a que foi exposto desde a mais tenra infância, e sua curiosidade posterior: Sua mãe apresentou a ele e a seu irmão os contos de fadas em línguas como o latim e o grego. Gostava do finlandês, que serviu de base para criação do idioma élfico Quenya e o galês, base para o outro idioma élfico, o Sindarin. Além do inglês, Tolkien estudou cerca de dezesseis idiomas (sem contar as suas criações): grego antigo, latim, gótico, islandês antigo, sueco, norueguês, dinamarquês, anglo-saxão, médio inglês, alemão, neerlandês, francês, espanhol, italiano, galês e finlandês. Na sua vida acadêmica pesquisou sobre o indo-europeu e filologia germânica, além de fazer parte da equipe do “New English Dictionary” assim que voltou da guerra e se recuperou do tifo.

Tolkien sempre foi ligado a sociedades, o primeiro era um grupo chamado Tea Club, Barrowian Society formado por Tolkien e mais três amigos; dois deles morreram na Primeira Grande Guerra.  The Coalbiters se dedicava à literatura nórdica, e foi fundado por Tolkien. The Inklings, também dedicado à literatura, que se reunia no pub The Eagle and Child (em português A Águia e a Criança) que os integrantes chamavam O Pássaro e o Bebê (The Bird and Baby em inglês). Os Inklings (grupo mais famoso) era formado na maior parte por acadêmicos da prestigiada Universidade de Oxford: C. S. Lewis e seu irmão H. W. Lewis, Charles Williams, Owen Barfield e Hugo Dyson.

Tolkien foi avesso a trens, automóveis, televisão e comida congelada, a indústria em si. Ele parecia acreditar que essa dominação e controle que a tecnologia moderna exerce sobre o Homem, mesmo que usadas para o bem, “trazem sofrimento à criação”: amoralidade. Este ponto de vista pode ter sido criado devido a sua experiência como veterano da Primeira Guerra Mundial, e como pai de soldados que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Com esse pensamento, ele coloca o problema da tecnologia e o seu mau uso nos seus livros.

Ideologia

Mabel Suffield se tornou católica em 1900, e a situação financeira da família piorou. A família anglicana cortou a ajuda financeira, e assim ela morreu por diabetes, sem tratamento. Tolkien, que considerava isto um sacrifício da mãe em nome da fé, e converteu-se também ao Catolicismo. Após a morte e por vontade da mãe, ele e o irmão foram entregues ao Padre jesuíta amigo da família, Francis Xavier Morgan.

Apesar de não ser óbvia, existem traços fortes da ideologia cristã nos livros escritos por Tolkien. O melhor exemplo é o Smarillion (chamado primeiramente de The Book os Lost Tales), que é iniciado em 1917 quando era oficial na Primeira Guerra Mundial e retornou com a febre das trincheiras da França. Esta narrativa descreve a criação da Terra Média e muitos podem notar neste “Esboço de Mitologia” paralelos com o Antigo Testamento. Depois do sucesso inicial do Hobbit foi apresentado para publicação e recusado pela editora que solicitou uma continuação do primeiro livro. E Tolkien escreveria “O Senhor dos Anéis”.

Estranhamento

No livro “O Hobbit” o estranhamento acontece quando o narrador cita em diferentes línguas, e explica o que cada raça considera/apresenta seu conceito de beleza e do que é bom e/ou ideal a ser seguido. Os anões, a riqueza no fundo da terra, os elfos a beleza das canções, as tradições da língua e história e da natureza.

O livro relata a história de um hobbit pacato, Bilbo Bolseiro, que é “convidado” por um mago, Gandalf, a entrar numa aventura como ladrão, com mais 13 anões. O objetivo é recuperar o tesouro dos anões, há muito tempo saqueado por um dragão chamado Smaug no tempo de Thror, o avô de Thorin.

Se for pesquisar, o estúdio promete o lançamento com trailers desde o final de 2009… a produção inclusive passou pelas mãos do diretor Guillermo del Toro… mas Peter Jackson voltou . O último trailer do filme é este:

Valor da obra

O Hobbit é considerado um livro infanto-juvenil, e foi somente após o lançamento da continuação/trilogia de “O Senhor dos Anéis” (1954-1955) que Tolkien passou a ser reconhecido internacionalmente, isto é literatura -> Literatura.

A legitimação deste sucesso acontece a partir da década de 60, e existem várias referências ao autor: em jogos (RPG , D&D), desenhos animados, histórias em quadrinhos, os jogos de computador

Referências no mundo artístico:

– Música: Led ZeppelinBlind GuardianRushJethro Tull, dentre outras

– Cinema e televisão: o desenho animado Caverna do Dragão e o filme Dungeons & Dragons foram baseados no RPG D&D, e por isso também pode-se dizer que foram influenciados pela obra de Tolkien. Outras produções cinematográficas: O Dragão e o Feiticeiro (1981), Heavy Metal – Universo em Fantasia (1981), O Cristal Encantado(1982), Krull (1983), A História Sem Fim (1984), Labirinto (1986), A Lenda (1986), Willow – Na Terra da Magia (1988), Coração de Dragão (1996), Dungeons & Dragons (2000), Os Caçadores de Dragões (2008),  e muitos outros… Fora do circuito comercial temos a iniciativa lançada em 2009 http://www.thehuntforgollum.com/. Para depois de 2012, os  jogos World of Warcraft, e livros de James A. Owen da série “The Chronicles of the Imaginarium Geographica” – Here, There Be Dragons” e “The Search for the Red Dragon” serão adaptados para o cinema.

Obras de Tolkien viraram longas animados para a TV inglesa: O Hobbit (1977) e O Retorno do Rei (1980), ambas dirigidas por Jules Bass, o mesmo produtor de Thundercats e Silverhawks e co-diretor do longa metragem Rudolph, a rena do Nariz Vermelho.

O animador britânico Ralph Bakshi ( Super Mouse e Gato Felix) adaptou “O Senhor dos Anéis” em 1978 (legendado) para o cinema numa animação de duas horas.

Peter Jackson, um antigo fã de Tolkien, dirigiu três filmes produzidos simultaneamente (divididos do mesmo modo que os livros, entre 2001e 2003). A triologia rendeu 17 Oscars à série: 4 ao primeiro, 2 ao segundo e 11 concedidos ao terceiro, igualando-o aos recordes de Titanic e Ben-hur. Agora em 2011, Jackson iniciou as filmagens do Hobbit,  e prometeu que será lançado no formato  3D em dezembro de 2012. Acompanhe no blog oficial http://www.thehobbitblog.com/.

Neste vídeo – um dos únicos que achei legendado – a equipe conta como foram os primeiros quatro meses de filmagem (making off algumas cenas e personagens já  caracterizados)

Sabe de outras influências? Concordou ou discordou??? Comente…

REFERÊNCIAS

Eagleton, Terry.  O que é Literatura? cap. 1

Consultado no dia 19 de abril de 2011  http://pt.wikipedia.org/wiki/J._R._R._Tolkien

Consultado no dia 16 de abril de 2011 http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Inklings

TOLKIEN, J. R. R. (1996).  O Hobbit. Martins Fontes.

http://www.valinor.com.br/

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