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Resumos de capítulo – Lingüística Histórica

LIvro de Carlos Alberto Faraco

LIvro de Carlos Alberto Faraco

Trabalho para a disciplina Lingüística IV

2)      Indique os principais pontos do capítulo 4 de Faraco (2005: 91-127), em redação não esquemática.

No capítulo chamado “A lingüística histórica é uma disciplina científica”, fala-se das ocupações do pesquisador de lingüística histórica: transformação das línguas em determinados tempos, e as teorias, métodos e ferramentas utilizadas nas análises.

Faraco inicia destacando a importância da observação mediada por determinados pressupostos teóricos, mesmo que caracterizada pela diversidade e embates entre pontos de vista diversos.

O autor descreve que antes de Saussure, estudos “nos século XVII e XVIII abordavam a língua como uma realidade estável, atemporal e organizada segundo princípios da lógica” p.95 – universais e não históricos; já no século XIX a língua era vista como necessariamente histórica. O autor genebrino estabelece duas dimensões: uma histórica (diacrônica) e outra estática (sincrônica). Faraco afirma ainda que Saussure defendia a autonomia entre ambos, não negando a interdependência – apesar de ter sido estabelecida uma rigorosa distinção metodológica..

Faraco apresenta uma análise clássica do lingüista Mattoso sobre a divisão morfológica sincrônica do verbo “comer”, ou “estrela”: seria absurdo propor uma divisão em mantendo a estrutura morfológica do verbo em latim para análise sincrônica, do estágio atual da língua, por exemplo.

O autor fala da precedência da sincronia, e critica alguns lingüistas por ignorarem a questão histórica, o que revela uma “espécie de retorno às concepções universalizantes e logicizantes dos séculos XVII e XVIII” (p. 100). Apresenta crítico Coseriu que propõe que se veja a língua em moviemento (Saussure tem uma visão estática) e os lingüistas Weinenrich, Labov e Herzog que defendem a construção de um modelo de língua capaz de acomodar sistematicamente a heterogeneidade sincrônica.

Faraco distingue duas concepções de linguagem: a que considera a língua um objeto autônomo; outra como um objeto intrinsecamente ligado à realidade histórica, cultural e social da comunidade falante. Também cita os métodos diferenciados e as visões que direcionarão uma orientação teórica da mudança lingüística. Fala ao pesquisador iniciante da importância de selecionar a sua orientação teórica, e para quem quer optar pelo ecletismo que para Faraco é um “amontoado acrítico, e por isso ingênuo de teorias”.

A seguir, são apresentadas a Teoria Variacionista e a Teoria Gerativista. Ele apresenta as características de cada uma delas e também relata uma tentativa de aproximação entre ambas, a chamada ‘Sociolinguística Paramétrica’, sendo que um dos primeiros a implementá-la foi Fernando Tarallo.

Discute e explica conceitos explicação, e seu significado peculiar nesta área: “interpretar as mudanças e explicitar arrolar fatores contigenciais”p. 117

Faraco ainda apresenta as três diferentes vias para o estudo histórico das línguas: “voltar ao passado e nele se concentrar, voltar ao passado para iluminar o presente, estudar o presente para iluminar o passado” (p. 118).

Respectivamente os neogramáticos para o primeiro, e a análise variacionista para o último, e apresenta exemplos do método comparativo: português trecentista, o trabalho de classificação das línguas indígenas e estudo dos seus dialetos, além de outras contribuições filológicas.

Na terceira via “estudar o presente para iluminar o passado” está o princípio da uniformidade, isto é, “as comunidades humanas, embora diferentes em cada situação conjuntural, partilham no presente e passado de certas propriedades recorrentes” p. 123. O autor ressalva ainda que as três vias não se anulam. Sobre a qualidade de alguns dados cita-se Labov: “A lingüística histórica pode, então, ser pensada como a arte de fazer o melhor uso de dados ruins”.

Ao finalizar o capítulo, fala sobre o método comparativo e resultados positivos confirmados empiricamente por registros dialetológicos posteriores “pressupõe uma certa quantidade de dados, e principalmente, a localização de relações sistemáticas entre eles” p. 126. E a seguir um quadro comparativo que mostra a diferenciação no consonantismo das línguas germânicas: inglês, latim, alemão.

3)      Faça um breve resumo do capítulo 5 de Faraco (2005: 128-174).

Na introdução do capítulo chamado “História da nossa disciplina”, Carlos Alberto Faraco afirma que delineará um panorama que não será apenas um relato da história, mas a interpretação mediada dos acontecimentos da disciplina lingüística histórica: momentos, autores e obras importantes. Costuma-se dividir a lingüística histórica em dois grandes períodos: o primeiro, de 1786 a 1878 (período da formação e consolidação do método comparativo), e o segundo, que vem de 1878 (ano da publicação do manifesto dos neogramáticos) até os dias atuais do século XXI.

E no segundo período sinaliza que haverá contínua tensão: idas, vindas, retomadas, (re)negociações e (re)avaliações entre duas linhas predominantes: “uma mais imanentista, que – continuadora, de certa forma, do pensamento neogramático e caudatária do estruturalismo e, depois, do gerativismo – vê a mudança como um fato primordialmente interno, isto é, como um acontecimento que se dá no interior da língua e condicionado por fatores da própria língua. A outra, mais integrativa, que – enraizada nos primeiros críticos dos neogramáticos e fundada nos estudos de dialetologia e, depois, de sociolingüística – entende que a mudança deve ser vista como articulada com o contexto social em que se inserem os falantes, isto é, como um evento condicionado por uma conjunção de fatores internos (estruturais) e externos (sociais)”.  p. 129

O autor também alerta para o fato da lingüística ter nascido nas preocupações e percepções filológicas de várias sociedades e enumera alguns antecedentes: hindus já no século IV a.C.; gregos, alexandrinos, romanos, árabes; pela gramática de Port-Royal, no século XVII, dentre outros.

Nos primeiros momentos descreve o interesse dos intelectuais europeus no estudo de línguas de civilizações antigas; as primeiras observações das semelhanças e comparações entre sânscrito, latim e grego; fundação da Escola de Estudos Orientais em Paris (onde estudaram os intelectuais Friedrich Schlegel e Franz Bopp, que desenvolveriam a gramática comparativa). Nesta primeira fase observa-se que grande parte dos pesquisadores apresentados pelo autor eram alemães.

Schlegel e Bopp reforçam a tese do pioneiro W. Jones, e ampliam pesquisas sobre o parentesco do sânscrito com o latim, grego, germânico, lituano, eslavo, armênio, celta, albanês, gótico, alemão e o persa no léxico e estruturas gramaticais, morfologia, correspondências sistemáticas. O autor cita ainda os estudos comparativos do lingüista Rasmus Rask que paralelamente e independentemente desenvolveu trabalhos comparativos relevantes com línguas nórdicas e metodologicamente exemplares, mas por ter sido publicado em dinamarquês teve pouca repercussão nos meios científicos.

A seguir cita Jacob Grimm – costuma-se dizer que o estudo propriamente histórico foi estabelecido pela publicação do livro Deutsche Grammatik – que identificou a existência de correspondências fonéticas sistemáticas entre o indo-europeu e línguas do ramo germânico com no passar do tempo. “Aliou-se, desse modo, o empreendimento comparativo ao histórico, donde vem a denominação que se costuma dar à lingüística do século XIX: gramática ou lingüística histórico-comparativa.” p.135

As chamadas “Leis de Grimm” apresentavam porém, várias exceções que incomodaram os germanistas por algum tempo ainda. Faraco comenta o trabalho do iniciador Fridrich Diez  na Filologia Românica, e sua importância no refinamento metodológico dos estudos históricos; e apresenta Schleicher que além de sugerir uma tipologia (Stammbautheorie) das línguas a partir da sua formação (botânico) e cunhar o termo Ursprasche (“língua remota”), hoje denominado proto-indo-europeu, foi o primeiro a realizar estudo de uma língua indo-européia a partir da fala.

A partir da publicação do manifesto neogramático – lingüistas relacionados com a Universidade de Leipzig – o escritor Faraco os compara a um divisor de águas na lingüística histórica ao criticar os antecessores e estabelecer orientação metodológica diferente e mais rigorosa; e um conjunto de postulados teóricos para interpretação das mudanças lingüísticas.

Os neogramáticos eram defensores de que as mudanças sonoras se davam num processo de regularidade absoluta e não admitiam exceções, o que o dinamarquês Karl Verner embasou quando demonstrou que nas exceções do enunciado de Grimm havia mudanças regulares, e que ocorriam de acordo com o contexto lingüístico. Apesar desta guinada metodológica rigorosa, os neogramáticos se utilizavam de analogia, que, para eles, estava no plano gramatical, e não fonético.

Um grande neogramático foi Hermann Paul, que foi referência na formação de muitos diacronistas vindouros, e apresentou uma tese bastante aceita até os dias de hoje: que a mudança lingüística é originada principalmente no processo de aquisição da língua. Faraco também apresenta o trabalho etimológico de Lübke e um dos mais importantes críticos ao movimento neogramatico: Hugo Schuchardt – um dos primeiros estudiosos a dar atenção sistemática aos pidgins e criolos -, que chamou atenção para a gama de variedades de fala existente em uma comunidade qualquer, e abriu caminho para o estudo da influência dos fatores como sexo, idade, do falante – dialetologia, e mais recentemente a sociolingüística.

Faraco apresenta do início do estruturalismo – marco da lingüística moderna – com Saussure. Seu aluno francês Antoine Meillet, que por sua vez desenvolve uma concepção mais sociológica do falante e da língua, afirma também que a lingüística faria parte da Antropologia. Estudos e análises na área que levam em conta a história das línguas e da maneira que os falantes a utilizam no contexto social de dialetologia, sociolingüística como fator de diferenciação: Labov.

O professor Faraco apresenta o Círculo de Praga, e outros teóricos estruturalistas, o impacto dessa visão teórica no estudo da mudança e análise do sistema lingüístico e continua criticando o que chama de abordagem “reducionista” pelos estruturalistas.

“O pensamento gerativista em diacronia se identifica, portanto, plenamente com a tradição forte em lingüística de considerar as mudanças como direcionadas por forças internas à língua. Retoma-se, assim, a perspectiva estruturalista: Jakobson afirmava que as leis estruturais do sistema restringem o inventário das transições possíveis dum estado sincrônico a outro (cf. Jakobson 1957, reproduzido em Jakobson, 1963, p. 77); Martinet falava nas mudanças como submetidas aos princípios da economia da língua (1955); os gerativistas falam nas mudanças como submetidas aos princípios restritivos da gramática universal. A diferença é a hipótese inatista (o biologismo) destes que não estava naqueles.” p 169.

O autor a seguir fala do “estruturalismo de roupa nova”, isto é, o gerativismo. O gerativismo inatista, e procurava um modelo a partir de um sistema de regras proposto; que se reformulou na década de 1970: “introduziu a idéia de que a gramática universal é um conjunto de parâmetros variáveis, isto é, ela restringe as gramáticas possíveis, mas admite caminhos alternativos.”p.167

Finalmente, o autor Faraco apresenta repercussões nos estudos diacrônicos da perspectiva gerativista, e mostra a partir de Schlegel no século XIX, Schleicher, Sapir estudos de diacronia dos estudos tipológicos, que chega ao pensamento de Greenberg, justificando esta aproximação pois estas  perspectivas “pautam sua interpretação da mudança por critérios fundamentalmente imanentes” p. 175, excluindo da história das línguas e os falantes e seu contexto histórico-social.

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Tradução de texto sobre a questão funcionalista vs formalista

O subtítulo deveria ser: estou fazendo uma discplina como ouvinte e o meu inglês tem o nível “The Book is on the Table”. Nela serão abordados os tópicos: Documentação e análise de corpora de línguas naturais. Prática de análise fonológica, morfológica, sintática, semântica e pragmática. Análise de daos de línguas indígenas brasileiras.  Análise de dados sociolinguísticos. A Linguística Experimental: análise de dados psicolinguísticos.

Tarefa – Apresentação em grupo na pós-graduação da UFRJ: LANGUAGE FORM AND LANGUAGE FUNCTIONThe Form-Function Problem in Linguisticshttp://www.isc.cnrs.fr/FN_chapter1.pdf

Esta tradução  livre é composta de itens do primeiro capítulo feita por participante do grupo 2 – The goals of this book e 6 – A look ahead

2- Os objetivos deste livro

O mini-debate entre Sandy e Chris, multiplicado pelas várias centenas de páginas constitui/ constrói o tema deste livro. Por um dispositivo onomástico não muito sutil identifiquei Sandy como o arquétipo ‘formal’ de lingüista e Chris como o arquetípico lingüista “funcional”. Tentei colocar em suas bocas da maneira mais sucinta possível, todas as grandes questões que planejo detalhar. Cada declaração que Sandy e Chris fazem encapsula uma característica visão de grande parte/ mainstream dos praticantes da lingüística formal e da lingüística funcional, respectivamente. Se houver algo de irreal sobre a troca de idéias, seria o fato de que poderia ter ocorrido em qualquer local! Poucos funcionalistas e um número menor de formalistas estão conscientes o suficiente das posições assumidas pelo outro lado (caricaturas das posições à parte) para tornar possível a polêmica que acabamos de expor.

Argumentarei que até certo ponto, surpreendente, ambos estão certos. Isto é, os formalistas são absolutamente corretos no seu compromisso em caracterizar forma independente do significado e função. Mas, ao mesmo tempo, funcionalistas estão certos quando afirmam que o significado e função podem ajudar a modelagem/figura da forma. Como veremos, não há contradição aqui, quaisquer que sejam as crenças de Sandy (Forman) e Chris (Funk).

Não há dúvida que muitos leitores estão conscientes: eu tenho uma reputação como ardente defensor da lingüística formal (olhe por exemplo, Newmeyer 1983, 1986b). Em certo sentido, este ardor não diminuiu nem um pouco. Meu comprometimento com a “empresa gerativa” (Chomsky 1982b) está tão firme como jamais foi. Na verdade, essas páginas adicionarão à minha (já substancial a granel, se não na persuasão) escritos em defesa desta empresa. Mas nos últimos anos eu também me convenci de que há em última análise uma estreiteza de visão autodestrutiva por parte de muitos gramáticos gerativos. Simplificando, eles se recusam a considerar a possibilidade de que algo de interesse poderia ter sido descoberto no percurso de investigação/pesquisa orientada pelo funcionalismo. Definitivamente esta não é a minha crença, não é algo em que acredito. Ao contrário, encontrei generalizações interessantes e enriquecedoras, caminhos sugestivos de pesquisa no trabalho realizado nessa tradição. E significativamente, acredito que demorarei a incorporar muitas destas generalizações em uma teoria da linguagem global compreensível, desafiando importantes concepções defendidas pela maior parte/mainstream/principais lingüistas formais. Lidar com tais generalizações envolve crucialmente tempo, e isto pode ser conseguido/alcançado sem abandonar o núcleo essencial da teoria gerativa, para dizer o mínimo, ampliar a visão sobre o que acontece na linguagem e a melhor forma de lidar com isto.

Devo salientar que não é o propósito deste livro revelar uma nova teoria da linguagem, ou mesmo a apresentar uma ‘nova síntese’ que une as teorias previamente esboçadas. Muito pelo contrário: de fato serei argumentando, capítulo após capítulo, a que abordagem gramática “Chomskyana”, em sentido lato, é fundamentalmente no caminho certo. Tenho esperanças em alcançar este objetivo, no entanto, não demonstrando a superioridade de um quadro formal sobre os seus rivais formalistas ou funcionalistas. Mais, tentarei demostrar que os princípios básicos da gramática gerativa em interação com os princípios de outros domínios no trabalho da linguagem, prestar contas convincentes de fenômenos que os funcionalistas, em geral, têm refutado a abordagem gerativista. Isso inclui fenômenos como efeitos prototípicos, gramaticalização, o ‘aterramento’ da estrutura na pressão externa da educação formal e assim por diante – fenômenos que poucos gerativistas tinham, e que mesmo no passado, não foi julgado digno de consideração.

Uso o termo ‘lingüística formal’ e “lingüística funcional”como se tivessem um único e bem compreendido referente. Infelizmente, eles não possuem. Antes de prosseguir, será necessário esclarecer o espectro das posições identificadas com estes termos.

6. Um olhar adiante

Cada capítulo focalizará em determinado aspecto da relação entre forma e função da linguagem, e portanto em cada uma das questões que dividem gerativistas e funcionalistas.

Capítulo 2, “Os Limites da Gramática”, toma a questão da “compartimentalização da forma” que está no centro do debate. Estabelecem-se três diferentes teses de “autonomia”, como segue:

(1)   A autonomia da sintaxe (AUTOSYN). Cognição humana incorpora um sistema cujos termos primitivos são elementos sintáticos não-semânticos e não-discurso derivados e cujos princípios de combinação não fazem qualquer referência ao sistema-externo de fatores.

(2) A autonomia do conhecimento da língua em relação ao uso de língua (AUTOKNOW). Conhecimento da linguagem (“competência”) pode e deve ser caracterizada de forma independente do uso da língua (‘performance’) e os fatores sociais, cognitivos e comunicativos que contribuem para o uso.

(3) A autonomia da gramática como um sistema cognitivo (AUTOGRAM). Cognição humana incorpora um sistema cujos termos primitivos são elementos estruturais particulares à linguagem e cujos princípios de combinação não fazem qualquer referência ao sistema-externo de fatores.

Os atuais modelos gerativos adotam as três hipóteses de autonomia, enquanto funcionalistas ‘integrativos’/fundamentalistas os rejeitam. Funcionalistas ‘externos’ rejeitam AUTOSYN, mas (em sua maioria) parecem aceitar AUTOKNOW e AUTOGRAM. Argumentarei que todas as três hipóteses são motivadas/induzidas. Capítulo 2 também levanta  a questão do princípio gramatical inato, sugerindo que as conclusões de inatismo com base em argumentos clássicos ‘da pobreza de estímulo’ são problemáticos em vários aspectos. No entanto, achados recentes de que deficiências gramaticais específicas podem ser transmitidas geneticamente apontam para um componente inato da gramática, e, portanto, para a correção da AUTOGRAM.

Capítulo 3 ‘Explanação Interna e Externa na Lingüística” sonda o que significa dizer que temos “explanação” em alguns fenômenos gramaticais. Ele explora que a idéia popular de explanação na gramática gerativa é totalmente ‘interna’ e que quando funcionalistas optam por explanação “externa” é muito simplista. Entretanto, ambas orientações fazem uso dos dois modos de explanação. Discuto que não são apenas três hipóteses de autonomia compatíveis com as explanações (funcional) externas, mas que os aspectos centrais das gramáticas foram motivados funcionalmente. Identifico a pressão de análise e pressão para a estruturar e significar, alinhando icônicamente às duas influências funcionais centrais em gramáticas. Questiono, porém, se o discurso tem desempenhado um grande papel na modelagem da forma gramatical. Grande parte do capítulo é dedicado ao problema das “motivações concorrentes” – o fato de que forças externas conflitantes tomam lugar demandas em gramáticas. Defendo que a partir da estrutura resulta em um número de fatores externos na competição entre si, gramáticas não podem ser ligações de estruturas e de suas motivações externas. Mostrarei que as motivações concorrentes têm implicações igualmente profundas para a linguagem tipológica do programa funcionalista.

O quarto capítulo é intitulado “Nas Categorias Sintáticas”. A clássica visão de categorias sintáticas, e um dado adquirido por todos os  modelos gerativos, é que eles são  ‘entidades algébricas discretas’ , não se admitindo uma definição nocional/hipotética. A visão clássica divisou três desafios no campo funcionalista. Em um deles, as categorias são incorporados com um protótipo estrutural, no qual os membros “melhor caso” e membros que sistematicamente afastam-se do “melhor caso”. Nesta abordagem, a descrição gramatical ideal dos processos morfossintáticos é realizada para envolver referência ao desvio de grau categorial do “melhor caso”. O segundo desafio apresenta a hipótese de que as fronteiras entre as categorias são não-distintivas, no sentido de que um nivela para outro gradualmente. O terceiro possui categorias a serem definíveis por condições semânticas necessárias e suficientes . Capítulo 4 defende a visão clássica, argumentando que muitos dos fenômenos que parecem sugerir inadequação são melhor analisados ​​em termos da interação de princípios necessários de forma independente da sintaxe, semântica e pragmática. Em um apêndice, eu desafio a idéia de que construções gramaticais devem ser atribuídas um protótipo estrutural. Tento mostrar que quando os fatos são suficientemente investigados em detalhes, tal conclusão não se justifica.

Capítulo 5 é chamado de “Desconstruindo Gramaticalização’. O fenômeno de “gramaticalização” – grosso modo, a perda de independência de uma estrutura gramatical ou elemento – é alardeado por alguns funcionalistas como a questão-chave que mostra a superioridade da sua abordagem sobre o gerativismo. Concordo que muitos dos mecanismos envolvidos na gramaticalização – em particular certos tipos de semântica natural e mudanças fonéticas – não são fornecidos pela teoria gerativa. Mas nem
são incompatíveis com ela. Na verdade, eu concluo que gramaticalização é não mais que um termo de ‘capa’ para a interseção de  certos desenvolvimentos históricos comums, que qualquer teoria tem para explicar e, como tal, não tem especial relevância para o diálogo gerativistas-funcionalista.

Capítulo 6 é chamado, e assume: ‘Tipologia da Linguagem e suas Dificuldades “. Como podemos ter certeza de que as generalizações tipológicas que sempre formaram a explananda para a teoria funcionalista, e também cada vez mais para a teoria gerativista são fatos reais que precisam de explicação? Depois de reexaminar todas as dificuldades inerentes ao trabalho tipológico, concluo em uma nota “em algum lugar entre cauteloso otimismo e ceticismo relutante “. Algumas generalizações tipológicas parecem robustas o suficiente para que possamos considerá-las como justificáveis na teoria construtivista. Argumentarei que os funcionalistas subestimam a necessidade de uma análise formal  como um pré-requisito para análise tipológica, enquanto gerativistas, por uma ênfase retórica sobre parâmetros inatistas, se afastam da investigação de possíveis explicações funcionais para os padrões tipológicos. Ambas as situações são infelizes. Não há nada no programa de explanações funcionais dos fatos tipológicos que são incompatíveis com a existência de um sistema autônomo estrutural. E não há nada no programa gerativista que exija a todos os fatos tipológicos  serem atribuídos à definição de parâmetros inatamente especificados.

O capítulo final, Capítulo 7 é uma breve conclusão ressaltando os principais tema do livro: as três hipóteses de autonomia são totalmente compatíveis com a explicação funcional de fenômenos gramaticais.

Apresentação: Deborah Jotta, Aline Varela Rabello, Carla da Silva Marques Lima LANGUAGE FORM AND LANGUAGE FUNCTION Frederick J. Newmeyer

O autor possui trechos de alguns livros disponíveis: e para saber mais sobre o Professor Emeritus Frederick J. Newmeyer http://depts.washington.edu/lingweb/Faculty_Newmeyer.php

A arte como procedimento – estranhamento, singularização, desfamiliarização

Knife grinder - "o afiador" de Malevich

“A arte como procedimento” – quase um fichamento e algum contexto histórico

Viktor Borisovich Chklovski fundou o OPOYAZ (Sociedade para o Estudo da Linguagem Poética), um dos principais grupos do Círculo Lingüístico de Moscou que influenciou autores como Bertold Brecht, dentre outros estudiosos e cineastas de renome. Crítico literário, escritor e cenógrafo é considerado por muitos o pai do formalismo russo.

Segundo Eagleton, os formalistas surgiram na Rússia antes de 1917 e suas idéias floresceram durante as décadas de 1920 e 30 até serem silenciadas/censuradas pelo stalinismo.

O texto “O que é literatura?” afirma que o formalismo foi a aplicação da lingüística ao mundo da literatura “…. a literatura não era uma pseudo-religião, ou psicologia, ou sociologia, mas uma organização particular da linguagem. Tinha suas leis específicas suas estruturas e mecanismos, que deviam ser estudados em si, e não reduzidos a alguma outra coisa.”

Chklovski cunhou e discutiu em seus textos o conceito de ostranenie, que pode ser traduzido como estranhamento, singularização ou desfamiliarização. O título do artigo possui variação menor “A Arte como processo” ou “A Arte com procedimento”. O nome do autor também possui outras grafias como Shklovskii ou Shklovsky, devido às transliterações do cirílico para diferentes línguas.

No texto o autor inicia expondo o conceito “A arte é pensar por imagens” de Potebnia e os seus seguidores diziam que não existe arte e poesia sem imagem. Entre os discípulos, com destaque para Ovsianiki-Kulikovski que aprofundou estudos iniciais de Potebnia no que se refere à fábula e serviu de fundamento para tentar estender e aplicar o conceito à música, arquitetura e poesia lírica. Após 15 anos de trabalho infrutífero Ovsianiki-Kulikovski isolou “…a poesia lírica, a arquitetura e a música, e a ver aí uma forma singular de arte, arte sem imagens, e a defini-las como artes líricas que se dirigem imediatamente às emoções.”

Chklovski afirma que a fábula é mais simbólica que o poema, o provérbio mais simbólico que a fábula… e que o problema foi esta e outra definição “A arte é antes de tudo criadora de símbolos” resistiram e sobreviveram à derrocada da teoria sobre a qual estava fundada, mais intensamente na corrente simbolista e entre os seus teóricos. “…a poesia = a imagem, serviu de fundamento a toda teoria que afirma que a imagem = o símbolo = a faculdade de a imagem tornar-se um predicado constante para sujeitos diferentes. Esta conclusão seduziu os simbolistas… pela afinidade com as suas idéias, e se acha na base da teoria simbolista.”

A partir deste primeiro momento o texto “A arte como procedimento” se contrapõe aos primeiros argumentos apresentados e começa a desenvolver e apresentar conceitos que ajudarão a apresentar de maneira melhor a singularização:

– “…as imagens são quase que imóveis; de século em século, de país em país, de poeta em poeta, elas se transmitem sem serem mudadas.”

– “Todo o trabalho das escolas poéticas não é mais que a acumulação e revelação de novos procedimentos para dispor e elaborar o material verbal, e este consiste antes na disposição das imagens que na sua criação.”

– “… o pensamento por imagens não é o vínculo que une todas as disciplinas da arte, mesmo da arte literária; a mudança das imagens não constitui a essência do desenvolvimento poético.”

Ainda destaca que Potebnia não distinguia a língua da poesia da língua da prosa, que ele não percebeu que existem dois tipos de imagens: “a imagem como um meio prático de pensar, meio de agrupar os objetos e a imagem poética, meio de reforçar a impressão.” E se utiliza de autores como Spencer, R. Avenarius, A. Vesselovski para confirmar que “A idéia da economia de energia como lei e objetivo da criação é talvez verdadeira no caso particular da linguagem, ou seja, na língua cotidiana; estas mesmas idéias foram estendidas á língua poética, devido ao não reconhecimento da diferença que opõe as leis da língua quotidiana às da língua poética. …Por isso devemos tratar as leis da despesa e economia na língua poética dentro do seu próprio campo, e não por analogia com a língua prosaica.”

Chklovski continua “As leis de nosso discurso prosaico com frases inacabadas e palavras pronunciadas pela metade se explicam pelo processo de automatização” afirmando que este processo também acarreta inconsciência. Para contrapor, apresenta como deve ser o ato de percepção: “E eis que para devolver a sensação de vida, para sentir os objetos, para provar que pedra é pedra, existe o que se chama arte. O objetivo da arte é dar a sensação do objeto como visão e não como reconhecimento; o procedimento da arte é o procedimento da singularização dos objetos e o procedimento que consiste em obscurecer a forma, aumentar a dificuldade e a direção da percepção. O ato de percepção da arte é um fim em si mesmo e deve ser prolongado…”

Agora mostra com o autor Leon Tolstoi nos textos exemplos (Que Vergonha, Kholstomer, Guerra e Paz, Ressureição, A Sonata a Kreutzer) e mecanismos de singularização: trata cada incidente como se acontecesse pela primeira vez, emprega na descrição do objeto outras palavras tomadas emprestadas da descrição das partes correspondentes em outros objetos, utiliza os objetos fora do contexto; substituição das palavras da linguagem corrente pelas palavras habituais de uso religioso. Especialmente neste último Chklovski afirma que muita gente considerava blasfêmia, e ofensivo causando o estranhamento. Daí os formalistas iniciaram uma nova forma de análise e de evidenciar os recursos para causar diferentes recepções: som, imagens, ritmo, sintaxe, métrica, rima, técnicas narrativas.

Para o crítico Chklovski é necessário também esclarecer os limites da utilização deste recurso: quase sempre que há imagem, há singularização. “…a imagem não é um predicado constante para sujeitos variáveis. O objetivo da imagem não é tornar mais próxima de nossa compreensão a significação que ela traz, mas criar uma percepção particular do objeto, criar uma visão e não o seu reconhecimento.”

E traz o objeto erótico à baila, que geralmente é apresentado como uma coisa jamais vista com os autores Gogol, D. Savodnikov, Rybnikov, Romanov, D.S. Zelenine, Boccaccio, Afanassiev e Hamsun. A sensação de paralelismo e não-coincidência de uma semelhança transfere para uma nova esfera a percepção habitual do objeto: de forma velada, afastando-o da compreensão; adivinhação como descrição, definindo o objeto por palavras que habitualmente não são associadas a ele; uso da singularização ao representar os órgãos sexuais.

Na última parte do texto ele fala estranhamento e um processo de desfamiliarização que ocorre na produção literária: a linguagem popular para a época usada por Pushkin (publicou de 1815 a 1877) e que para os contemporâneos era difícil e surpreendente. No início do século XX houve na Rússia a preferência de alguns autores darem preferência a produções dialetais e pelos barbarismos. Cada um chama atenção à sua maneira, no outro oposto em Guerra e Paz nos discursos em francês eram utilizadas palavras russas.  O autor conclui que apesar da tendência automatizante, “ Na arte há uma ordem; entretanto, ….e o ritmo estético consiste num ritmo prosaico violado; houve tentativas para sistematizar estas violaçãos.”

Não é à toa que o formalismo russo antecipa certos aspectos e influenciará de forma decisiva na Escola de Praga e no Estruturalismo. Com Saussure e as dicotomias sincroniaX diacronia, paroleX langue, sintagmaXparadigma e significanteXsignificado que foram a base para a construção do que é a Lingüística como a conhecemos no século XXI.

Chklovski vislumbra deslocamentos de significado temporais ou não, afastamentos ou aproximações do objeto e que mesmo para a singularização há limites determinados. O automatismo poderia ser assistir a um filme tipo blockbuster, e a singularização a um filme alternativo ou artístico… em outro momento o autor mesmo explicita esta tendência, como acontece na língua ou na produção artística poderá se inverter.  Nada mais atual do que falar de automatismo e inconsciência que o autor mostra: nas artes, na vida cotidiana e na política é cada vez mais necessária uma singularização: quem sabe despertando a consciência e sensibilidade através da arte e da linguagem.

 

REFERÊNCIAS

Viktor Chklovski, “A arte como procedimento” in Teoria da literatura: os formalistas russos, Porto Alegre, Globo, 1976. 39-56

Terry Eagleton, “O que é literatura?” in Teoria da literatura: uma introdução, São Paulo, Martins Fontes, 1983. cap.1

Consultado no dia 20 de julho de 2011  http://pt.wikipedia.org/wiki/Estranhamento

Consultado no dia 18 de julho de 2011  http://pt.wikipedia.org/wiki/Viktor_Chklovski

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