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Texto produzido em grupo – baseado em “O Profundo Amor de Deus por mim”

Dinâmica: produzir um texto em grupo refletindo sobre trecho inicial da autora amazonense Lisiê Silva.  Em conjunto com Daniele Bezerra e Nikolas Victor

(após o texto que o grupo escreveu, está o texto completo da autora).

Todos os problemas que enfrentamos servem para a nossa evolução, nosso crescimento espiritual. Deus não impede que tenhamos obstáculos na caminhada da nossa vida, para o amadurecimento e conquistar qualidades cada vez mais humanas e próximas do que percebemos como divino.

Deus nos dá o que precisamos sempre na medida certa, nem mais nem menos. O que nós fazemos com isso, e como se faz é que fará a diferença da contribuição que podemos dar para a vida.

Não devemos blasfemar, ou se revoltar dizendo que Deus não existe apenas por causa de nossas dificuldades. Devemos ser gratos pelo positivo e pelo negativo, pois durante a nossa caminhada espirituaal ele nos dá tudo o que precisamos e apesar dos obstávulos Ele estará sempre do nosso lado.

Apesar das quedas, dificuldades, dores e tristezas Deus nos dá forças e inspira a continuar a caminhada para a felicidade de um dia alcançarmos a sabedoria.

Leia outros textos e saiba mais da autora no blog com poemas, crônicas e versos livres: http://poemaslisiesilva.blogspot.com.br/p/sobre-mim.html

O PROFUNDO AMOR DE DEUS POR MIM
© Lisiê Silva em 15/Set/2003

Deus me ama tão profundamente,
Que não me livra dos problemas que eu preciso enfrentar,
para amadurecer e me sentir mais forte.

Deus me ama tão profundamente,
Que não me poupa das tristezas e decepções,
que são necessárias para o meu crescimento.

Deus me ama tão profundamente,
que me permite experimentar a dor física e a dor na alma,
para que eu me torne cada vez mais sensível e mais humana.

Deus me ama tão profundamente,
que não tem me dado uma vida de riquezas e nem de facilidades.
Mas também não tem me dado uma vida de pobreza extrema,
e nem de necessidades.
Ele me dá uma vida, onde eu posso ter, na medida certa,
tudo que preciso para viver com honestidade.
Ele me fez entender que o meu tempo aqui é muito curto,
para acumular coisas desnecessárias à minha espiritualidade.

Ele tem me dado, principalmente, o que eu posso levar comigo,

quando eu partir, e entregar a ele, no momento do nosso encontro.
Deus, em sua suprema sabedoria, sabe o que eu preciso para ser feliz.
Ele sabe que a minha felicidade não está nas coisas materiais.
Ele sabe que se eu tivesse uma vida de riquezas, provavelmente,

eu daria tanto valor as futilidades que até me esqueceria Dele.
E se eu esquecesse Dele, logo chegaria um dia
em que eu me sentiria extremamente infeliz.
Repleta de valores materiais, mas vazia por dentro.

Deus me ama tão profundamente,
que tem feito de mim, uma pessoa forte, esforçada,
lutadora, que sonha, que chora, que cai e se levanta,
que olha pra cima, e que vê longe…
Muito além do que se pode tocar com as mãos.

Deus me ama tão profundamente,
que tem feito de mim, uma pessoa que busca dar a sua parcela
de contribuição para a vida. E que vive para realizar
o que anseia espiritualmente. Mesmo que sozinha.
Por que sozinha nunca estarei.
Tenho o profundo amor de Deus comigo.

Quando reflito sobre o profundo amor que eu sinto por Deus,
sinto uma inter ligação que me leva, naturalmente,
ao profundo amor de Deus por mim.
Então percebo que nada tenho a reclamar sobre a vida que Ele me deu.
Por que todos os dias ele me dá chances para que eu me esforce,

e me torne um ser humano melhor e mais feliz.
É o tipo de felicidade que só faz bem ao espírito.
Meu e Dele.

Ele sabe que para quem se esforça,
o sabor da vitória é mais doce.
A alegria no coração é maior.
A alma entra em um ritmo emocionante…
e dança a música do céu…
e canta a canção da vida…
ouvindo a orquestra dos Anjos,
tocada com os instrumentos afinados pelo tempo.

A auto confiança aumenta.
E eu me sinto mais capacitada, mais realizada.
esta é a minha verdadeira felicidade.
Saber que eu posso realizar cada pequena conquista,
com os meus próprios esforços…
por que ao final, sinto a minha alma livre.
e ao me sentir livre, uma alegria imensa contagia o meu ser.
então eu constato, que durante esse meio tempo,
enquanto eu estava apenas lutando pelas minhas conquistas,
Ele ficou ao meu lado, torcendo por mim,
e aguardando os resultados.

Deus me ama tão profundamente, que disse-me uma vez…
Que se Ele tivesse colocado dentro do meu peito, um coração
materialista, eu passaria a minha vida a caminhar por uma

pequena estrada chamada Ilusão.

É uma pequena estrada que leva os seus caminhantes

ao encontro do tesouro material, e o meu coração materialista

me conduziria tão diretamente ao encontro desse tesouro,
que eu nem olharia para os lados. e perderia toda a beleza
e o encantamento da paisagem ao redor:
Provavelmente, ao caminhar pela estrada da ilusão,
eu perderia os meus cinco sentidos vitais:
No meu caminhar durante o dia,
Eu não veria o sol brilhante que ele fez pra mim,
Eu não ouviria a sinfonia do canto dos pássaros que ele criou.
Eu não sentiria a delícia do vento soprando nos meus cabelos.
Eu não desejaria tocar uma flor, ou sentir o seu perfume.
Eu não lançaria um olhar de gratidão para a natureza,
que é uma obra de arte, feita por ele.

No meu caminhar durante a noite,
Eu não teria tempo de olhar pra cima e ver o céu estrelado.
Eu não sentiria vontade de conversar com as estrelas,
Eu desconheceria a lua e todas as suas fases.
Eu não me admiraria com a imensidão do universo.
Eu desconheceria toda a grandeza de sua criação.

Caminhando pela estrada da Ilusão,
eu teria os meus olhos fixos no superficial.
e se eu encontrasse alguém mais necessitado do que eu,
eu passaria por cima…
e se esse alguém me chamasse, eu nem ouviria.
Por quê todos os meus sentidos estariam naquilo
que me esperava lá na frente,
e assim eu seria mais ambiciosa
do que Deus me permitiria ser.

Seria menos humana e mais materialista.
e conseqüentemente, eu não desenvolveria a minha espiritualidade.
E sem ter espiritualidade, eu viveria na tristeza,
sem alegria no coração.
E sem ter alegria no coração, eu me revoltaria,
e gritaria aos quatro ventos:
Onde está Deus?
Deus existe?
Por que não me ajuda?
Por que me abandonou?
Por que não me dá uma vida de facilidades,
e todas as riquezas materiais a que eu “tenho direito”?
Se eu fosse menos humana, eu não teria olhos para ver Deus
dentro de mim…

Deus me ama tão profundamente, que me fez entender:
Que o tempo que eu perco nas minhas lutas diárias,
me aproxima mais Dele.
Que a dor física e a dor da alma me aproximam mais Dele.
Que nas minhas tristezas e decepções, ele está sempre comigo.

Que bom! Que eu não consigo nada com tanta facilidade!
por que assim, eu consigo valorizar minhas pequenas conquistas.

Que bom! Que eu tenho problemas para enfrentar!
por que assim, eu aprendo. Evoluo e amadureço.

Que bom! que eu tenho momentos de tristezas,
para que depois, eu possa festejar a minha alegria!

Que bom! Que eu não tenho nada do que reclamar,
tenho somente o que agradecer a Deus por tudo!

Que bom! que Deus não se esquece de mim!
O Senhor, em sua suprema sabedoria,
sabe o que eu preciso para ser feliz.

Preciso de Deus!
e do seu profundo Amor por mim.

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Haicais Haikai

Por causa deste exercício de fazer poesias em uma disciplina – Experiências de Criação Literária – e o elogio de um professor por muito tempo fui conhecida pelos meus colegas de classe como a “que sabe fazer haicais”. Mas não sou poeta.

.

Não nevou aqui.

Chega, vem primavera

preciso de ti.

.

Me descongelo.

Longo, frio inverno

fugir de você.

.

O vento chega,

pelos furos da blusa

gela carícia.

.

Para quem não sabe o que é: assim como o soneto, existe uma forma clássica para se construir este poema. São 17 sílabas poéticas com um número de sílabas em cada linha (5-7-5).  Estes haikais já foram publicados na Revista Poité.

Achei uma entrevista deste professor sobre poesia: http://youtu.be/ZAZ_L7dwmmQ  Claro que muito me agradou receber um elogio do conceituadíssimo (soube disto depois) professor Alcides Buss. Veja mais sobre a carreira dele aqui http://pt.wikipedia.org/wiki/Alcides_Buss

Woyzeck – filme de Werner Herzog

Woyzeck matou a esposa com várias facadas

Indicado para a Palma Ouro, mas quem levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante em Cannes foi Eva Mattes. Outros prêmios: Sant Jordi (melhor interpretação em filme estrangeiro para Klaus Kinski); Guild Film Award – Silver (filme alemão).

O filme inicia ressaltando como a cidade é pequena, assim como, no decorrer do filme, as pessoas que a habitam. Pequenos sentimentos, atitudes e pensamentos. Apenas Woyzeck se exprime sobre esta sensação, mas cada reflexão sua é tratada como delírio ou como conversa de “gente pequena”. As cenas são lentas, e todo o ambiente do filme é opressivo.

O capitão, como Woyzeck, sente que existe o incômodo – se angustia e deprime -, mas simultaneamente fica confortável com a posição social e ganhos que a patente militar lhe permite usufruir. Afirma que o soldado é uma pessoa boa, mas não tem moral.

Na primeira cena, o treinamento do exército é exaustivo e o miliciano (soldado em patente alguma) é condicionado a obedecer sem se importar com as humilhações que sofre. Esse esforço físico passa no decorrer do filme a ser um problema de saúde, social e de afinamento psicológico/filosófico.

Andreas é o que se pode chamar de pessoa mais próxima, mas também ausente, por não compreender as reflexões do amigo.  Às vezes ajuda, mas na maior parte do tempo não tem noção do que o amigo passa. Enquanto cortam gravetos para o capitão, o “oco” que Woyzeck sente pode ser traduzido por um vazio existencial que ele não quer viver; mas está condenado a isto pelo ambiente em que vive e pela condição subumana a que é submetido.

O filho de Woyzeck e Marie está doente febril. Ela reclama que o soldado não cuida da criança e é um pai ausente. O médico também trata Woyzeck como uma cobaia, inclusive controlando quando o soldado tem ou não de urinar. (mais uma vez, por uma obediência que precisa ser cega e sem argumentações). O personagem pensa sobre a natureza e se angustia – quando algo é e também não é. Ele ouve as vozes que pensa que são da natureza e que são na realidade seus conflitos interiores. O médico entusiasmado acena com mais dinheiro para que ele obedeça estritamente às suas ordens e afirma que ele possui Aberatio mentalis partialis: “idéia fixa com condições geralmente razoáveis”.

Em todo o filme a linguagem do personagem é determinista/naturalista: estrangeirismos do médico. O povo fala como no mundo real com expressões dialetais, palavrões. A linguagem seria pré-determinada pelo ambiente ou pelas posses de cada personagem. Mesmo assim, nota-se uma valorização da personalidade lingüística especialmente do povo menos favorecido.

Depois de comer apenas ervilhas por três meses, Woyzeck tem os cabelos ralos e começa a ter tremores. O médico acha o fato maravilhoso e o exibe aos seus alunos como se fosse uma cobaia da sua grande teoria. O doutor encarna a opressão fazendo com que Woyzeck piorasse de saúde apenas para comprovar sua teoria. Apesar disso, o médico não tinha consciência do que estava fazendo.

Na demonstração, Woyzeck não quer fazer algo e o doutor o chama de animal e o desafia: “Você quer falhar igual ao gato? Puxo suas orelhas!” A condição de adestramento e submissão é a mais evidente em todo o filme. O soldado obedece. E a cada vez que piora no quadro de saúde, o médico dá um aumento… como o miliciano precisa do dinheiro para sustentar a família, continua comendo apenas as ervilhas que fazem tão mal a ele.

Marie admira o garbo, o brilho do tamboreiro-mor, mas não se entrega a ele com paixão. Ela mostra arrependimento quando está com os brincos presenteados pelo tamboreiro-mor e o marido aparece lhe entregando todo o soldo. Pensando nos seus atos, Marie lê a Bíblia e pensa em não mais pecar. Mas o brilho da farda e a ilusão de que será uma grande dama nos salões da pequena cidade a faz mudar de idéia. A natureza e a animalidade se mostram fortes neste aspecto – ela o elogia dizendo que tem postura de leão e que parece um boi. Marie esquece o arrependimento e a animalidade vence.

Logo após Woyzeck desconfiar da fidelidade de Marie com as ironias dos que o cercam, ele tira satisfações com a esposa, tentando encontrar torturadamente um sinal da traição. Ele vai ao bar apenas para que seus olhos comprovassem, e tem um choque. O tamboreiro-mor dança e agarra a sua esposa no local público e a única reação que Woyzeck tem é sair em correndo em disparada. O bêbado arrebatado fala: tudo é podre, inclusive o dinheiro. Como o soldado afirma anteriormente, apenas quem é rico possui virtudes, quem não tem dinheiro apenas segue a natureza.

Woyzeck não aparece há alguns dias e isso deixa Marie preocupada. Na alucinação de ouvir a natureza que para ele é externa, e não o seu interior acossado e resolve apunhalar a esposa traidora. Voltando para a o bar, Woyzeck se submete as provocações do tamboreiro-mor que está bêbabo e o desafio deixa o soldado no limite quando o superior tenta submetê-lo fisicamente. Woyzeck dá um tapa no rosto do tamboreiro-mor. Até que o aguardenteiro separa a  briga que ia começar. Esta é uma das cenas emblemáticas do filme: o soldado tenta, mas não consegue frear a brutalidade opressiva do ambiente que o cerca.

Na caserna, o miliciano torturado e que não dorme pede ajuda a Andreas, que só quer descansar. O companheiro aconselha Woyzeck a que se sujeite á situação: deixe que eles dancem… Já planejando o que irá fazer depois de comprar a faca, Woyzeck doa algumas coisas de valor para o amigo Andreas.

Woyzeck sofre porque se sente impotência de lutar contra seu grande inimigo: o mundo que o cerca, seu ambiente. Ele sente o Selbstentfredung – como ser humano se estranha, sente “estranhamento de si mesmo” ao querer se humanizar enquanto o ambiente o bestializa. O desfecho do filme mostra o personagem se rendendo ao que era esperado fazer.

Leia mais sobre a relação conturbada entre ele e Klaus Kinski, hoje mais conhecido como o pai da sex symbol Nastassja Kinski. O  cineasta Herzog esteve no Brasil este mês http://2001video.empresarial.ws/blog/?p=1228

Revisado pela Prof. Doutora de Língüística Tânia Mikaela Garcia

REFERÊNCIAS

WOYZECK. Diretor e roteiro: Werner Herzog. Produção: Joschi Arpa. Alemanha: Werner Herzog Filmproduktion, Zweites Deutsches Fernsehen (ZDF), 1979. Meio digital, 82 minutos, língua alemã, legendas em português.

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