Arquivo mensal: maio 2011

Woyzeck – filme de Werner Herzog

Woyzeck matou a esposa com várias facadas

Indicado para a Palma Ouro, mas quem levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante em Cannes foi Eva Mattes. Outros prêmios: Sant Jordi (melhor interpretação em filme estrangeiro para Klaus Kinski); Guild Film Award – Silver (filme alemão).

O filme inicia ressaltando como a cidade é pequena, assim como, no decorrer do filme, as pessoas que a habitam. Pequenos sentimentos, atitudes e pensamentos. Apenas Woyzeck se exprime sobre esta sensação, mas cada reflexão sua é tratada como delírio ou como conversa de “gente pequena”. As cenas são lentas, e todo o ambiente do filme é opressivo.

O capitão, como Woyzeck, sente que existe o incômodo – se angustia e deprime -, mas simultaneamente fica confortável com a posição social e ganhos que a patente militar lhe permite usufruir. Afirma que o soldado é uma pessoa boa, mas não tem moral.

Na primeira cena, o treinamento do exército é exaustivo e o miliciano (soldado em patente alguma) é condicionado a obedecer sem se importar com as humilhações que sofre. Esse esforço físico passa no decorrer do filme a ser um problema de saúde, social e de afinamento psicológico/filosófico.

Andreas é o que se pode chamar de pessoa mais próxima, mas também ausente, por não compreender as reflexões do amigo.  Às vezes ajuda, mas na maior parte do tempo não tem noção do que o amigo passa. Enquanto cortam gravetos para o capitão, o “oco” que Woyzeck sente pode ser traduzido por um vazio existencial que ele não quer viver; mas está condenado a isto pelo ambiente em que vive e pela condição subumana a que é submetido.

O filho de Woyzeck e Marie está doente febril. Ela reclama que o soldado não cuida da criança e é um pai ausente. O médico também trata Woyzeck como uma cobaia, inclusive controlando quando o soldado tem ou não de urinar. (mais uma vez, por uma obediência que precisa ser cega e sem argumentações). O personagem pensa sobre a natureza e se angustia – quando algo é e também não é. Ele ouve as vozes que pensa que são da natureza e que são na realidade seus conflitos interiores. O médico entusiasmado acena com mais dinheiro para que ele obedeça estritamente às suas ordens e afirma que ele possui Aberatio mentalis partialis: “idéia fixa com condições geralmente razoáveis”.

Em todo o filme a linguagem do personagem é determinista/naturalista: estrangeirismos do médico. O povo fala como no mundo real com expressões dialetais, palavrões. A linguagem seria pré-determinada pelo ambiente ou pelas posses de cada personagem. Mesmo assim, nota-se uma valorização da personalidade lingüística especialmente do povo menos favorecido.

Depois de comer apenas ervilhas por três meses, Woyzeck tem os cabelos ralos e começa a ter tremores. O médico acha o fato maravilhoso e o exibe aos seus alunos como se fosse uma cobaia da sua grande teoria. O doutor encarna a opressão fazendo com que Woyzeck piorasse de saúde apenas para comprovar sua teoria. Apesar disso, o médico não tinha consciência do que estava fazendo.

Na demonstração, Woyzeck não quer fazer algo e o doutor o chama de animal e o desafia: “Você quer falhar igual ao gato? Puxo suas orelhas!” A condição de adestramento e submissão é a mais evidente em todo o filme. O soldado obedece. E a cada vez que piora no quadro de saúde, o médico dá um aumento… como o miliciano precisa do dinheiro para sustentar a família, continua comendo apenas as ervilhas que fazem tão mal a ele.

Marie admira o garbo, o brilho do tamboreiro-mor, mas não se entrega a ele com paixão. Ela mostra arrependimento quando está com os brincos presenteados pelo tamboreiro-mor e o marido aparece lhe entregando todo o soldo. Pensando nos seus atos, Marie lê a Bíblia e pensa em não mais pecar. Mas o brilho da farda e a ilusão de que será uma grande dama nos salões da pequena cidade a faz mudar de idéia. A natureza e a animalidade se mostram fortes neste aspecto – ela o elogia dizendo que tem postura de leão e que parece um boi. Marie esquece o arrependimento e a animalidade vence.

Logo após Woyzeck desconfiar da fidelidade de Marie com as ironias dos que o cercam, ele tira satisfações com a esposa, tentando encontrar torturadamente um sinal da traição. Ele vai ao bar apenas para que seus olhos comprovassem, e tem um choque. O tamboreiro-mor dança e agarra a sua esposa no local público e a única reação que Woyzeck tem é sair em correndo em disparada. O bêbado arrebatado fala: tudo é podre, inclusive o dinheiro. Como o soldado afirma anteriormente, apenas quem é rico possui virtudes, quem não tem dinheiro apenas segue a natureza.

Woyzeck não aparece há alguns dias e isso deixa Marie preocupada. Na alucinação de ouvir a natureza que para ele é externa, e não o seu interior acossado e resolve apunhalar a esposa traidora. Voltando para a o bar, Woyzeck se submete as provocações do tamboreiro-mor que está bêbabo e o desafio deixa o soldado no limite quando o superior tenta submetê-lo fisicamente. Woyzeck dá um tapa no rosto do tamboreiro-mor. Até que o aguardenteiro separa a  briga que ia começar. Esta é uma das cenas emblemáticas do filme: o soldado tenta, mas não consegue frear a brutalidade opressiva do ambiente que o cerca.

Na caserna, o miliciano torturado e que não dorme pede ajuda a Andreas, que só quer descansar. O companheiro aconselha Woyzeck a que se sujeite á situação: deixe que eles dancem… Já planejando o que irá fazer depois de comprar a faca, Woyzeck doa algumas coisas de valor para o amigo Andreas.

Woyzeck sofre porque se sente impotência de lutar contra seu grande inimigo: o mundo que o cerca, seu ambiente. Ele sente o Selbstentfredung – como ser humano se estranha, sente “estranhamento de si mesmo” ao querer se humanizar enquanto o ambiente o bestializa. O desfecho do filme mostra o personagem se rendendo ao que era esperado fazer.

Leia mais sobre a relação conturbada entre ele e Klaus Kinski, hoje mais conhecido como o pai da sex symbol Nastassja Kinski. O  cineasta Herzog esteve no Brasil este mês http://2001video.empresarial.ws/blog/?p=1228

Revisado pela Prof. Doutora de Língüística Tânia Mikaela Garcia

REFERÊNCIAS

WOYZECK. Diretor e roteiro: Werner Herzog. Produção: Joschi Arpa. Alemanha: Werner Herzog Filmproduktion, Zweites Deutsches Fernsehen (ZDF), 1979. Meio digital, 82 minutos, língua alemã, legendas em português.

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Complicaram minha vida logo no café da manhã

Biomassa da banana verde, que diliça 😛

Sabe aquele café com leite rapidinho, que às vezes demora um pouco mais por causa do pãozinho com manteiga e presunto que você compra na padaria? ESQUEÇA. Doente sofre. Além da doença, você tem que enfrentar cada coisa em nome da cura… Não acredita? Sei que tenho que tomar cuidado redrobado com a comida, preciso de vitaminas mais que uma pessoa que não foi operada e talsz. Mas tem certas coisas que dá até preguiça.  Vou demonstrar a maratona de fazer UM café da manhã.

1 – Gel de Linhaça

1 colher de sopa de semente de linhaça
100 ml de água mineral

Deixar de um dia para outro.

2- Biomassa de Banana Verde

a – Lavar as cascas da banana e cozinhar em panela de pressão
b – Deixar cozinhando até o vapor sair naturalmente
c – Passar a polpa bem quente no liquidificador
d – bata até obter uma pasta espessa.

3 – SUCO FUNCIONAL (o café em si o_O )

Suco de 1 laranja
1 folha de couve manteiga
5 uvas rubis
1 colher de sopa de gel de linhaça
1 colher de sopa da biomassa de banana verde
1 cenoura inteira
1 maçã

Bater todos os ingredientes e consumir imediatamente. 😦

O problema inicia antes de fazer as receitas: semente de linhaça não é fácil de encontrar… muito menos bananas VERDES. Imagina a felicidade de sair doente de casa para procurar os ingredientes e não achar.

Outro dado importante: fui tentar pedir pelo telefone e o preço cobrado é exorbitante. Um pacote de semente de linhaça solicitado pelo telefone é 18 (DEZOITO) reais. Comprei em outro local um pacote por R$ 3,85. Claro que existe a comodidade de receber o produto em casa…. MAS olha a diferença de preço (Ah, esqueci de dizer que neste preço não está inclusa a taxa de entrega de R$ 10,00  -DEZ reais). Quer mais detalhes sobre o restante da receita nutricional feita sob encomenda para mim? OU quer dar o seu apoio para esse ser que convalesce, mas rala? Se manifeste abaixo!

O Hobbit como cânon literário segundo Terry Eagleton

card limited

Tarefa 1 – Escolher uma obra que considera Literatura de acordo com Terry Eagleton e explicar como cânon algumas características.

A idéia de escrever a obra iniciou em 1928, e John Ronald Reuel Tolkien abandonou o projeto em 1930. Tolkien emprestou o manuscrito incompleto para a Reverenda Madre de Cherwell Edge quando ela estava doente, e foi visto por Susan Dagnall (estudante de Oxford), que trabalhava para a editora George Allen & Unwin. O livro foi analisado depois também por Rayner Unwin na época com 10 anos de idade e filho de um dos fundadores da editora, Stanley Unwin.

Ficcionalidade

O Hobbit pode ser definido inicialmente como uma escrita “imaginativa” – ficção que não é literalmente verídica.

Contexto histórico

O processo de escrita inicia no período entre guerras, e a publicação do livro se dá em 1937. As Olimpíadas de Berlim, com Adolf Hitler no poder aconteceram em 1936.

Os ditadores Franco na Espanha e Mussolini na Itália tomavam o poder, e se tornariam aliados da Alemanha na Guerra. O nazismo ascendia de forma fulminante nesta época, e o lançamento do livro se dá dois anos antes da invasão nazista à Polônia (1939).

Verossimilhança

Tolkien quando criança se encantava com nomes galeses, e mais tarde viria a se tornar filólogo. Aprendeu na infância com suas primas uma língua artificial e bem simples criada por elas chamada Animálico. Juntos criaram outra língua, uma mistura de vários outros idiomas – Nevbosh – traduzido como Novo Disparate. Mais tarde criou o Naffarin, mais complexa e baseada na língua de seu tutor padre Francis Morgan: o espanhol. Daí, podemos ver a riqueza de para cada povo especificar uma maneira de falar e agir, assim se apresenta o lingüista dentro do mundo ficcional criado. Muitos citam uma frase do autor: “O VolapuqueEsperanto, o Ido, o Novial, são línguas mortas, mais mortas do que antigas línguas sem uso, porque seus inventores jamais criaram lendas para acompanhá-las.” — Tolkien

A variedade de línguas a que foi exposto desde a mais tenra infância, e sua curiosidade posterior: Sua mãe apresentou a ele e a seu irmão os contos de fadas em línguas como o latim e o grego. Gostava do finlandês, que serviu de base para criação do idioma élfico Quenya e o galês, base para o outro idioma élfico, o Sindarin. Além do inglês, Tolkien estudou cerca de dezesseis idiomas (sem contar as suas criações): grego antigo, latim, gótico, islandês antigo, sueco, norueguês, dinamarquês, anglo-saxão, médio inglês, alemão, neerlandês, francês, espanhol, italiano, galês e finlandês. Na sua vida acadêmica pesquisou sobre o indo-europeu e filologia germânica, além de fazer parte da equipe do “New English Dictionary” assim que voltou da guerra e se recuperou do tifo.

Tolkien sempre foi ligado a sociedades, o primeiro era um grupo chamado Tea Club, Barrowian Society formado por Tolkien e mais três amigos; dois deles morreram na Primeira Grande Guerra.  The Coalbiters se dedicava à literatura nórdica, e foi fundado por Tolkien. The Inklings, também dedicado à literatura, que se reunia no pub The Eagle and Child (em português A Águia e a Criança) que os integrantes chamavam O Pássaro e o Bebê (The Bird and Baby em inglês). Os Inklings (grupo mais famoso) era formado na maior parte por acadêmicos da prestigiada Universidade de Oxford: C. S. Lewis e seu irmão H. W. Lewis, Charles Williams, Owen Barfield e Hugo Dyson.

Tolkien foi avesso a trens, automóveis, televisão e comida congelada, a indústria em si. Ele parecia acreditar que essa dominação e controle que a tecnologia moderna exerce sobre o Homem, mesmo que usadas para o bem, “trazem sofrimento à criação”: amoralidade. Este ponto de vista pode ter sido criado devido a sua experiência como veterano da Primeira Guerra Mundial, e como pai de soldados que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Com esse pensamento, ele coloca o problema da tecnologia e o seu mau uso nos seus livros.

Ideologia

Mabel Suffield se tornou católica em 1900, e a situação financeira da família piorou. A família anglicana cortou a ajuda financeira, e assim ela morreu por diabetes, sem tratamento. Tolkien, que considerava isto um sacrifício da mãe em nome da fé, e converteu-se também ao Catolicismo. Após a morte e por vontade da mãe, ele e o irmão foram entregues ao Padre jesuíta amigo da família, Francis Xavier Morgan.

Apesar de não ser óbvia, existem traços fortes da ideologia cristã nos livros escritos por Tolkien. O melhor exemplo é o Smarillion (chamado primeiramente de The Book os Lost Tales), que é iniciado em 1917 quando era oficial na Primeira Guerra Mundial e retornou com a febre das trincheiras da França. Esta narrativa descreve a criação da Terra Média e muitos podem notar neste “Esboço de Mitologia” paralelos com o Antigo Testamento. Depois do sucesso inicial do Hobbit foi apresentado para publicação e recusado pela editora que solicitou uma continuação do primeiro livro. E Tolkien escreveria “O Senhor dos Anéis”.

Estranhamento

No livro “O Hobbit” o estranhamento acontece quando o narrador cita em diferentes línguas, e explica o que cada raça considera/apresenta seu conceito de beleza e do que é bom e/ou ideal a ser seguido. Os anões, a riqueza no fundo da terra, os elfos a beleza das canções, as tradições da língua e história e da natureza.

O livro relata a história de um hobbit pacato, Bilbo Bolseiro, que é “convidado” por um mago, Gandalf, a entrar numa aventura como ladrão, com mais 13 anões. O objetivo é recuperar o tesouro dos anões, há muito tempo saqueado por um dragão chamado Smaug no tempo de Thror, o avô de Thorin.

Se for pesquisar, o estúdio promete o lançamento com trailers desde o final de 2009… a produção inclusive passou pelas mãos do diretor Guillermo del Toro… mas Peter Jackson voltou . O último trailer do filme é este:

Valor da obra

O Hobbit é considerado um livro infanto-juvenil, e foi somente após o lançamento da continuação/trilogia de “O Senhor dos Anéis” (1954-1955) que Tolkien passou a ser reconhecido internacionalmente, isto é literatura -> Literatura.

A legitimação deste sucesso acontece a partir da década de 60, e existem várias referências ao autor: em jogos (RPG , D&D), desenhos animados, histórias em quadrinhos, os jogos de computador

Referências no mundo artístico:

– Música: Led ZeppelinBlind GuardianRushJethro Tull, dentre outras

– Cinema e televisão: o desenho animado Caverna do Dragão e o filme Dungeons & Dragons foram baseados no RPG D&D, e por isso também pode-se dizer que foram influenciados pela obra de Tolkien. Outras produções cinematográficas: O Dragão e o Feiticeiro (1981), Heavy Metal – Universo em Fantasia (1981), O Cristal Encantado(1982), Krull (1983), A História Sem Fim (1984), Labirinto (1986), A Lenda (1986), Willow – Na Terra da Magia (1988), Coração de Dragão (1996), Dungeons & Dragons (2000), Os Caçadores de Dragões (2008),  e muitos outros… Fora do circuito comercial temos a iniciativa lançada em 2009 http://www.thehuntforgollum.com/. Para depois de 2012, os  jogos World of Warcraft, e livros de James A. Owen da série “The Chronicles of the Imaginarium Geographica” – Here, There Be Dragons” e “The Search for the Red Dragon” serão adaptados para o cinema.

Obras de Tolkien viraram longas animados para a TV inglesa: O Hobbit (1977) e O Retorno do Rei (1980), ambas dirigidas por Jules Bass, o mesmo produtor de Thundercats e Silverhawks e co-diretor do longa metragem Rudolph, a rena do Nariz Vermelho.

O animador britânico Ralph Bakshi ( Super Mouse e Gato Felix) adaptou “O Senhor dos Anéis” em 1978 (legendado) para o cinema numa animação de duas horas.

Peter Jackson, um antigo fã de Tolkien, dirigiu três filmes produzidos simultaneamente (divididos do mesmo modo que os livros, entre 2001e 2003). A triologia rendeu 17 Oscars à série: 4 ao primeiro, 2 ao segundo e 11 concedidos ao terceiro, igualando-o aos recordes de Titanic e Ben-hur. Agora em 2011, Jackson iniciou as filmagens do Hobbit,  e prometeu que será lançado no formato  3D em dezembro de 2012. Acompanhe no blog oficial http://www.thehobbitblog.com/.

Neste vídeo – um dos únicos que achei legendado – a equipe conta como foram os primeiros quatro meses de filmagem (making off algumas cenas e personagens já  caracterizados)

Sabe de outras influências? Concordou ou discordou??? Comente…

REFERÊNCIAS

Eagleton, Terry.  O que é Literatura? cap. 1

Consultado no dia 19 de abril de 2011  http://pt.wikipedia.org/wiki/J._R._R._Tolkien

Consultado no dia 16 de abril de 2011 http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Inklings

TOLKIEN, J. R. R. (1996).  O Hobbit. Martins Fontes.

http://www.valinor.com.br/

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