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Curso de extensão Leitura de textos de linguística em INGLÊS: gramática gerativa – primeira tarefa

How Infants Acquire language: Some Preliminary Observations de Jacques Mehler, Anne Christophe e Franck Ramus;  publicado no livro Image, language, brain: papers from the First Mind Articulation Project Symposium

Curso de Extensão

Coordenadores: Aleria Cavalcante Lage e Aniela Improta França (Programa de Pós-Graduação em Lingüística/FL-UFRJ)
Palestrantes: Isabella Lopes Pederneira, Rafael Saint-Clair Braga e Thiago Oliveira da Motta Sampaio (Doutorandos de Linguística – UFRJ)
Ementa: Familiarizar alunos com pouco ou razoável conhecimento de inglês com textos de Linguística em inglês, mais especificamente da área de Gramática Gerativa. Visando a uma melhor compreensão do conteúdo dos textos, serão trabalhados os pontos gramaticais e o vocabulário técnico, bem como o conhecimento de Linguística. O curso pode também auxiliar candidatos ao Mestrado em Linguística da UFRJ a se prepararem para a prova de inglês.
Pré-requisito: ter frequentado ou estar frequentando a disciplina Linguística I ou ser aluno da Pós-Graduação em Linguística.
Período: 12/04 a 21/06 (11 encontros)

Iniciamos com a leitura do texto  How Infants Acquire language: Some Preliminary Observations de Jacques Mehler, Anne Christophe e Franck Ramus; que é o terceiro capítulo publicado no livro Image, language, brain: papers from the First Mind Articulation Project Symposium, em Tokio/1998. Editado por Alec Marantz, Yasushi Miyashita e Wayne O’Neil. O texto discute a partir do postulado inatista de Chomsky da GU – Gramática Universal, o motivo de ser tão difícil estabelecer se as crianças utilizam a rede neuronial da linguagem de forma similar aos adultos.  O texto ressalta que Chomsky demonstrou que todas as linguagens possuem mais regularidades em comum do que diferenças superficiais.

Destacaram a relevância do estudo de Lennenberg, que mostrou que a inteligência e QI – Quociente de Inteligência não estavam ligados ao processo de aquisição da linguagem; além disso o cientista apontou evidências que as crianças aprendiam a linguagem espontanamente, e sem esforço. Lennenberg com dados de crianças afásicas descobriu que poderia atribuir a área da linguagem ao hemisfério esquerdo em falantes adultos, mas não em crianças com idade inferior a quatro anos. Até a década de 90 a associação da linguagem com o hemisfério esquerdo de crianças pequenas permanece indistinta.

No texto de Mehler et alii  também apresentaram evidências que sugerem que a aquisição da primeira linguagem é diferente para outras linguagens com aprendizado posterior. Desde a descoberta de Broca em 1861 psicólogos e neuropsicologistas tentam descobrir onde está localizado no cérebro humano o órgão responsável pela fala. Tivemos a sorte de que nos últimos 20 anos novos métodos apareceram para ajudar a entender a emergência da linguagem e a lateralização dos hemisférios; tanto que em 1998 Muller et alli acharam evidências em crianças que tiveram lesões unilaterais muito cedo, de que o hemisfério direito toma para si algumas funções do hemisfério esquerdo danificado, bem como acontece uma pequena reorganização intrahemisférica no cérebro.

Imagens de estudo do cérebro complementam as pesquisas sobre o processamento bilíngue. PET – Positron Emission Tomography e fMRI – functional Magnetic Ressonance possibilitaram a exploração da primeira e segunda linguagem em falantes saudáveis. E como Mehler afirma, seria necessário um maior número de pesquisas para entender os bilíngues que falam uma linguagem oral e ASL – American Sign Language.

criança no laboratório de psicolinguística

No final da década de 70 foi descoberto que recém-nascidos reagem quando um falante troca de repente de uma língua para outra – e os estudos realizados durante a década de 80 chegaram à conclusão que bebês distinguem a mudança na linguagem. Outros estudos feitos por Mehler indicaram que os recém-nascidos faziam esta discriminação com base nas propriedades de prosódia do sinal de fala. No início da década de 90 Werker e Kuhl com suas respectivas equipes mostraram que  infantes começam a especificar fonemas da sua linguagem entre seis e doze meses. Mehler sugere que infantes podem se utilizar disso para descobrir algumas das propriedades fonológicas e sintáticas da sua língua materna. Em 1982 chamado de prosodic bootstrapping, mais recentemente Morgan cunhou o termo phonological bootstrapping (1996). esta idéia converge com a idéia de algumas propriedaeds formais da linguagem, tanto fonológicas ou sintáticas, podem ser descobertas através da análise puramente fonológica do input de fala – sem a referência ao contexto do qual o falante se utiliza, por exemplo. Estes resultados e muitos outros sugerem que ao final do primeiro ano o bebê já adquiriu a maior parte da fonologia da língua materna. Além do mais, a fonologia parece ser adquirida antes do léxico.

Da mesma maneira que os bebês distinguem algumas linguagens, Mehler apresenta casos onde as crianças discriminavam grupos de linguagem que apresentavam diferentes tipos de ritmo, e confundiam linguagens que pertenciam ao mesmo tipo de ritmo. Ele apresenta um PCH – Phonological Class Hypotesis, onde estes “ritmos” seriam de fato classes fonológicas, no sentido de que o grupo possui um determinado  número de propriedades fonnológicas em comum, sendo o ritmo uma delas. PCH poderia explicar também algumas das propriedades do processamento da fala adulta.

Os pesquisadores Christophe, Mehler e Ramus terminam afirmando que agora é tempo dos pesquisadores formularem algoritmos relativamente específicos para aquisição da linguagem, e a partir daí determinar empiricamente o quão próximo está do desenvolvimento real da criança.

Pesquisando achei  o site de Frank Ramus: http://www.lscp.net/persons/ramus/en/infant.html e de Anne Christophe http://www.lscp.net/persons/anne/. Além de outro artigo traduzido do Mehler para o português com outro pesquisador chamado Aquisição da Linguagem: dados psicobiológicos.


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A língua como sistema de representação mental

Tarefa no grupo de estudos – Resumir os itens de 1 a 3 do primeiro capítulo do livro Teoria da Gramática: a Faculdade da Linguagem. Editora Caminho, do autor Eduardo Raposo. Na realidade apenas copiei os trechos mais importantes, com pequenas modificações e explicação de algumas nomenclaturas que não constam neste trecho.

1 – Introdução

Neste capítulo gostaria de caracterizar principalmente as questões de natureza epistemológica do programa da gramática generativa (gerativa no PB – português do Brasil).  Insistimos em particular na natureza “mentalista” da teoria, isto é, na concepção de que o seu objeto de estudo consiste em um sistema de regras e princípios radicados em última instância na mente humana.

A preocupação com o problema da aquisição da linguagem (em última instância com o seu aspecto biológico) tem estado no centro das preocupações de Chomsky e de outros generativistas, por exemplo, a célebre recensão crítica de Chomsky (1959) a Skinner (1957). É no entanto na TRL – Teoria da Regência e da Ligação ou GB – Government and Binding que se torna possível (talvez pela primeira vez) ancorar mais solidamente na teoria gramatical as investigações relativas à aquisição e desenvolvimento da linguagem na criança, através do modelo de “princípios e parâmetros”.

2 – A tensão entre a natureza e a convenção nos estudos da linguagem

Parece difícil escapar à conclusão que as propriedades essenciais da linguagem são diretamente determinadas por propriedades mentais dos seres que as falam, e que estudar a linguagem humana consiste em estudar determinadas propriedades da mente humana, radicadas em última instância na organização biológica da espécie.

A posição antimentalista tem usualmente uma fundamentação social: logo, a explicação última das propriedades da linguagem tem a ver com o seu funcionamento social; em última instãncia, é um produto convencional da cultura dos seres humanos vivendo em sociedade, e não um produto natural da sua organização mental. Esta dicotomia (1) sempre esteve presente na história da lingüística mas não será aprofundada neste livro.

A teoria da Gramática Generativa inscreve-se na corrente naturalista dos estudos sobre a linguagem, como algumas tradições históricas (escolásticos, Gramática de Port-Royal).

3- O programa de investigação da gramática generativa

Chomsky (1988) define o programa como o desenvolvimento das quatro questões (3):

(1) Qual é o conteúdo do sistema de conhecimentos do falante de uma determinada língua particular, por exemplo do Português? O que é que existe na mente deste falante que lhe permite falar/compreender expressões do Português e ter intuições de natureza fonológica, sintática e semântica sobre a sua língua?

(2) Como é que este sistema de conhecimentos se desenvolve na mente do falante? Que tipo de conhecimentos é necessário pressupor que a criança traz a priori para o processo de aquisição de uma língua particular para explicar o desenvolvimento dessa língua na sua mente?

(3) Como é que o sistema de conhecimentos adquirido é utilizado pelo falante em situaçãoes discursivas concretas?

(4) Quais são os sistemas físicos no cérebro do falante que sevem de base ao sistema de conhecimentos lingüísticos?

O empreeendimento generativista atribui um lugar central à segunda questão, tanto do ponto de vista filosófico/epistemológico como do ponto de vista ada teoria gramatical propriamente dita. Em particualar, o cuidado atribuído à interação entre a primeira e segunda questão é a pedra-de-torque da gramática generativa: nem todas as gramáticas que descrevem adequadamente os dados de uma língua particular são psicologicamente possíveis. É necessário, para além disso, que possam ter sido desenvolvidas pela criança com base no sistema de aquisição inicial.

Como o objetivo central é a apresentaçãoda teoria,  é a (1) e (2) que dedicamos mais espaço. Começamos portanto com algumas observações sobre a primeira, terceira e quarta, para depois nos ocuparmos mais longamente da segunda questão.

(1) Chomsky tem insistido várias vezes, nem a comunicação constitui o único uso que os seres humanos fazem da linguagem, nem é viável efetuar uma redução das complexas propriedades estruturais da linguagem a requisitos comunicativos.

(3) O termo “língua” no decorrer deste livro, e de um modo geral na literatura generativista, refere-se a um sistema de conhecimentos mental, e não ao conjunto de objetos abstratos ( frases ou expressões) determinado por este sistema. Então, é sinônimo de “gramática” (interiorizada) ou de “competência”. Chomsky (1986) utiliza nesta acepção o termo técnico “língua-I” (de língua interiorizada), opondo-se ao termo “língua-E” (de língua exteriorizada), que refere o conjunto de frases e expressões determinadas pela língua-I. O objeto de estudo da gramática generativa é a língua-I, não a língua-E.

Veja ainda uma resenha sobre este livro. Ou saiba mais sobre a carreira e prêmios deste pesquisador: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=21072&op=all

Crônica do julgamento de Galileu – Poder & Ciência

Gostei muito destes trechos, e li parte deles no Clube da Leitura.  Como o livro está esgotado e a leitura rendeu bons papos tomei a liberdade de reproduzir trechos aqui. O livro é de autoria de Péricles Prade:

capa do livro de pericles prade

Capítulo I – O anunciador de céus novos

Antes de Galileu existiam óculos havia quatro séculos, Mas ninguém em quatrocentos anos tivera a curiosidade, a idéia de ver o que aconteceria se, em vez de se servir de um par de óculos, fossem empregados dois pares ao mesmo tempo.

A verdade é que o fabricante de óculos não era um óptico, mas um artesão. Ele não fabricava instrumentos ópticos; construía umas engenhocas. Por isso o nascimento da óptica científica não constitui o desenvolvimento de uma tradição artesanal, mas antes, a ruptura de tal tradição que, fechada em si mesma, não levava a parte alguma.

Talvez haja uma verdade profunda na narração, aparentemente lendária, que atribui a invenção do primeiro óculo de alcance ao acaso, à brincadeira do filho de um fabricante holandês daquele instrumento.

A inovação técnica, portanto, foi realizada por alguém que a tal não se propôs. Daí que a questão da prioridade na fabricação de telescópios, muitas vezes discutida, não se reveste de grande importância.  ……

Além do mais, a invenção (do latim invenire, achar) de Galileu foi a de “achar” a intuição, a liberdade, a coragem, a curiosidade, a louca temeridade de apontá-lo para o céu, considerado desde milênios como a morada do Deus judeu-cristão Iahweh, da sua Corte de anjos e de profetas e santos do Antigo e do Novo Testamento, para nele explorar o espaço-tempo da imensidade eterna, o jogo desconhecido das luzes e sombras entre estrelas e planetas, o ritmo-harmonia do movimento das esferas, a cara dos impassíveis, inalteráveis corpos celestes, com infinita paciência, visando a descobrir-lhe talves o mecanismo secreto.

A primeira revelação do pequeno telescópio foi a existência de quatro satélites de Júpiter.

À notícia da descoberta galileiana, seus colegas de universidade responderam de imediato, denunciando-lhe os métodos como absurdos e seus resultados como ímpios. Antes de mais nada, devia tratar-se, naturalmente, de um erro de óptica.

De fato, a respeito de tais satélites nada dissera Aristóteles. Ora, impossível Aristóteles ter errado. Logo, não existiam satélites de Júpiter. Do mesmo modo, também a Bíblia os ignorava.

Na realidade, supunham os corpos celestes não podiam ser senão 7 (o sol, a lua, e os cinco planetas até então conhecidos: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), porque 7 é um número sagrado.  …

Para a maioria as descobertas não passavam, diziam, de ilusão óptica, de defeitos do instrumento ou até de diabólico engano.

Ninguém, penso, acreditavaa que Galileu e seus amigos mentissem. O problema estava na interpretação. Não faltava, também, quem, por mais que quisesse, não “podia” acreditar no óculo. A esse respeito era contada uma anedota, por assim dizer típica e referente ao peripatético Cremonini, um colega de Galileu na Universidade de Pádua, que se recusou a olhar através do óculo.

Cremonini naquele momento era a glória de Pádua e o seu ordenado era o dobro do de Galileu. …..

Tal como todos os aparelhos que se interpõe entre o olho e o seu objeto, o óculo astronômico, em vez de melhorar a observação, deforma antes e falseia a visão. Assim, negando-se a ver o que o outro via, Cremonini não queria sair do próprio universo, pois desconfiava do universo “ilusório” de Galileu.

O próprio Kepler, …no princípio mostrou-se cético, e, mesmo depois de recebido o óculo, construído por Galileu, por intermédio do eleitor de Colônia, precisou de mais de duas semanas de provas e contraprovas para chegar a concluir que aquele sábio tinha razão.

Era o fim de Agosto de 1610. Decorrera um ano desde as primeiras observações e descobertas galileianas.

Kepler, de repente, transformou-se em neófito da nova fé e em poucas semanas redigiu o Relatório de observação sobre os quatro satélites de Júpiter, um notável livrinho que lançava as bases teoréticas do telescópio. Usando, pela primeira vez, o termo satélite. Ao amigo italiano, pioneiro solitário, Kepler repete com alegria as últimas palavras do imperador Juliano, derrotado por uma força sobre-humana: Vicisti, Galilaee!

No mês de julho de 2012 foi aberta uma exposição pública dos arquivos secretos do Vaticano. A Globo News fez um especial, e compara Giordano Bruno (que não renegou seus conhecimentos) a Galileu.

Tradução de texto sobre a questão funcionalista vs formalista

O subtítulo deveria ser: estou fazendo uma discplina como ouvinte e o meu inglês tem o nível “The Book is on the Table”. Nela serão abordados os tópicos: Documentação e análise de corpora de línguas naturais. Prática de análise fonológica, morfológica, sintática, semântica e pragmática. Análise de daos de línguas indígenas brasileiras.  Análise de dados sociolinguísticos. A Linguística Experimental: análise de dados psicolinguísticos.

Tarefa – Apresentação em grupo na pós-graduação da UFRJ: LANGUAGE FORM AND LANGUAGE FUNCTIONThe Form-Function Problem in Linguisticshttp://www.isc.cnrs.fr/FN_chapter1.pdf

Esta tradução  livre é composta de itens do primeiro capítulo feita por participante do grupo 2 – The goals of this book e 6 – A look ahead

2- Os objetivos deste livro

O mini-debate entre Sandy e Chris, multiplicado pelas várias centenas de páginas constitui/ constrói o tema deste livro. Por um dispositivo onomástico não muito sutil identifiquei Sandy como o arquétipo ‘formal’ de lingüista e Chris como o arquetípico lingüista “funcional”. Tentei colocar em suas bocas da maneira mais sucinta possível, todas as grandes questões que planejo detalhar. Cada declaração que Sandy e Chris fazem encapsula uma característica visão de grande parte/ mainstream dos praticantes da lingüística formal e da lingüística funcional, respectivamente. Se houver algo de irreal sobre a troca de idéias, seria o fato de que poderia ter ocorrido em qualquer local! Poucos funcionalistas e um número menor de formalistas estão conscientes o suficiente das posições assumidas pelo outro lado (caricaturas das posições à parte) para tornar possível a polêmica que acabamos de expor.

Argumentarei que até certo ponto, surpreendente, ambos estão certos. Isto é, os formalistas são absolutamente corretos no seu compromisso em caracterizar forma independente do significado e função. Mas, ao mesmo tempo, funcionalistas estão certos quando afirmam que o significado e função podem ajudar a modelagem/figura da forma. Como veremos, não há contradição aqui, quaisquer que sejam as crenças de Sandy (Forman) e Chris (Funk).

Não há dúvida que muitos leitores estão conscientes: eu tenho uma reputação como ardente defensor da lingüística formal (olhe por exemplo, Newmeyer 1983, 1986b). Em certo sentido, este ardor não diminuiu nem um pouco. Meu comprometimento com a “empresa gerativa” (Chomsky 1982b) está tão firme como jamais foi. Na verdade, essas páginas adicionarão à minha (já substancial a granel, se não na persuasão) escritos em defesa desta empresa. Mas nos últimos anos eu também me convenci de que há em última análise uma estreiteza de visão autodestrutiva por parte de muitos gramáticos gerativos. Simplificando, eles se recusam a considerar a possibilidade de que algo de interesse poderia ter sido descoberto no percurso de investigação/pesquisa orientada pelo funcionalismo. Definitivamente esta não é a minha crença, não é algo em que acredito. Ao contrário, encontrei generalizações interessantes e enriquecedoras, caminhos sugestivos de pesquisa no trabalho realizado nessa tradição. E significativamente, acredito que demorarei a incorporar muitas destas generalizações em uma teoria da linguagem global compreensível, desafiando importantes concepções defendidas pela maior parte/mainstream/principais lingüistas formais. Lidar com tais generalizações envolve crucialmente tempo, e isto pode ser conseguido/alcançado sem abandonar o núcleo essencial da teoria gerativa, para dizer o mínimo, ampliar a visão sobre o que acontece na linguagem e a melhor forma de lidar com isto.

Devo salientar que não é o propósito deste livro revelar uma nova teoria da linguagem, ou mesmo a apresentar uma ‘nova síntese’ que une as teorias previamente esboçadas. Muito pelo contrário: de fato serei argumentando, capítulo após capítulo, a que abordagem gramática “Chomskyana”, em sentido lato, é fundamentalmente no caminho certo. Tenho esperanças em alcançar este objetivo, no entanto, não demonstrando a superioridade de um quadro formal sobre os seus rivais formalistas ou funcionalistas. Mais, tentarei demostrar que os princípios básicos da gramática gerativa em interação com os princípios de outros domínios no trabalho da linguagem, prestar contas convincentes de fenômenos que os funcionalistas, em geral, têm refutado a abordagem gerativista. Isso inclui fenômenos como efeitos prototípicos, gramaticalização, o ‘aterramento’ da estrutura na pressão externa da educação formal e assim por diante – fenômenos que poucos gerativistas tinham, e que mesmo no passado, não foi julgado digno de consideração.

Uso o termo ‘lingüística formal’ e “lingüística funcional”como se tivessem um único e bem compreendido referente. Infelizmente, eles não possuem. Antes de prosseguir, será necessário esclarecer o espectro das posições identificadas com estes termos.

6. Um olhar adiante

Cada capítulo focalizará em determinado aspecto da relação entre forma e função da linguagem, e portanto em cada uma das questões que dividem gerativistas e funcionalistas.

Capítulo 2, “Os Limites da Gramática”, toma a questão da “compartimentalização da forma” que está no centro do debate. Estabelecem-se três diferentes teses de “autonomia”, como segue:

(1)   A autonomia da sintaxe (AUTOSYN). Cognição humana incorpora um sistema cujos termos primitivos são elementos sintáticos não-semânticos e não-discurso derivados e cujos princípios de combinação não fazem qualquer referência ao sistema-externo de fatores.

(2) A autonomia do conhecimento da língua em relação ao uso de língua (AUTOKNOW). Conhecimento da linguagem (“competência”) pode e deve ser caracterizada de forma independente do uso da língua (‘performance’) e os fatores sociais, cognitivos e comunicativos que contribuem para o uso.

(3) A autonomia da gramática como um sistema cognitivo (AUTOGRAM). Cognição humana incorpora um sistema cujos termos primitivos são elementos estruturais particulares à linguagem e cujos princípios de combinação não fazem qualquer referência ao sistema-externo de fatores.

Os atuais modelos gerativos adotam as três hipóteses de autonomia, enquanto funcionalistas ‘integrativos’/fundamentalistas os rejeitam. Funcionalistas ‘externos’ rejeitam AUTOSYN, mas (em sua maioria) parecem aceitar AUTOKNOW e AUTOGRAM. Argumentarei que todas as três hipóteses são motivadas/induzidas. Capítulo 2 também levanta  a questão do princípio gramatical inato, sugerindo que as conclusões de inatismo com base em argumentos clássicos ‘da pobreza de estímulo’ são problemáticos em vários aspectos. No entanto, achados recentes de que deficiências gramaticais específicas podem ser transmitidas geneticamente apontam para um componente inato da gramática, e, portanto, para a correção da AUTOGRAM.

Capítulo 3 ‘Explanação Interna e Externa na Lingüística” sonda o que significa dizer que temos “explanação” em alguns fenômenos gramaticais. Ele explora que a idéia popular de explanação na gramática gerativa é totalmente ‘interna’ e que quando funcionalistas optam por explanação “externa” é muito simplista. Entretanto, ambas orientações fazem uso dos dois modos de explanação. Discuto que não são apenas três hipóteses de autonomia compatíveis com as explanações (funcional) externas, mas que os aspectos centrais das gramáticas foram motivados funcionalmente. Identifico a pressão de análise e pressão para a estruturar e significar, alinhando icônicamente às duas influências funcionais centrais em gramáticas. Questiono, porém, se o discurso tem desempenhado um grande papel na modelagem da forma gramatical. Grande parte do capítulo é dedicado ao problema das “motivações concorrentes” – o fato de que forças externas conflitantes tomam lugar demandas em gramáticas. Defendo que a partir da estrutura resulta em um número de fatores externos na competição entre si, gramáticas não podem ser ligações de estruturas e de suas motivações externas. Mostrarei que as motivações concorrentes têm implicações igualmente profundas para a linguagem tipológica do programa funcionalista.

O quarto capítulo é intitulado “Nas Categorias Sintáticas”. A clássica visão de categorias sintáticas, e um dado adquirido por todos os  modelos gerativos, é que eles são  ‘entidades algébricas discretas’ , não se admitindo uma definição nocional/hipotética. A visão clássica divisou três desafios no campo funcionalista. Em um deles, as categorias são incorporados com um protótipo estrutural, no qual os membros “melhor caso” e membros que sistematicamente afastam-se do “melhor caso”. Nesta abordagem, a descrição gramatical ideal dos processos morfossintáticos é realizada para envolver referência ao desvio de grau categorial do “melhor caso”. O segundo desafio apresenta a hipótese de que as fronteiras entre as categorias são não-distintivas, no sentido de que um nivela para outro gradualmente. O terceiro possui categorias a serem definíveis por condições semânticas necessárias e suficientes . Capítulo 4 defende a visão clássica, argumentando que muitos dos fenômenos que parecem sugerir inadequação são melhor analisados ​​em termos da interação de princípios necessários de forma independente da sintaxe, semântica e pragmática. Em um apêndice, eu desafio a idéia de que construções gramaticais devem ser atribuídas um protótipo estrutural. Tento mostrar que quando os fatos são suficientemente investigados em detalhes, tal conclusão não se justifica.

Capítulo 5 é chamado de “Desconstruindo Gramaticalização’. O fenômeno de “gramaticalização” – grosso modo, a perda de independência de uma estrutura gramatical ou elemento – é alardeado por alguns funcionalistas como a questão-chave que mostra a superioridade da sua abordagem sobre o gerativismo. Concordo que muitos dos mecanismos envolvidos na gramaticalização – em particular certos tipos de semântica natural e mudanças fonéticas – não são fornecidos pela teoria gerativa. Mas nem
são incompatíveis com ela. Na verdade, eu concluo que gramaticalização é não mais que um termo de ‘capa’ para a interseção de  certos desenvolvimentos históricos comums, que qualquer teoria tem para explicar e, como tal, não tem especial relevância para o diálogo gerativistas-funcionalista.

Capítulo 6 é chamado, e assume: ‘Tipologia da Linguagem e suas Dificuldades “. Como podemos ter certeza de que as generalizações tipológicas que sempre formaram a explananda para a teoria funcionalista, e também cada vez mais para a teoria gerativista são fatos reais que precisam de explicação? Depois de reexaminar todas as dificuldades inerentes ao trabalho tipológico, concluo em uma nota “em algum lugar entre cauteloso otimismo e ceticismo relutante “. Algumas generalizações tipológicas parecem robustas o suficiente para que possamos considerá-las como justificáveis na teoria construtivista. Argumentarei que os funcionalistas subestimam a necessidade de uma análise formal  como um pré-requisito para análise tipológica, enquanto gerativistas, por uma ênfase retórica sobre parâmetros inatistas, se afastam da investigação de possíveis explicações funcionais para os padrões tipológicos. Ambas as situações são infelizes. Não há nada no programa de explanações funcionais dos fatos tipológicos que são incompatíveis com a existência de um sistema autônomo estrutural. E não há nada no programa gerativista que exija a todos os fatos tipológicos  serem atribuídos à definição de parâmetros inatamente especificados.

O capítulo final, Capítulo 7 é uma breve conclusão ressaltando os principais tema do livro: as três hipóteses de autonomia são totalmente compatíveis com a explicação funcional de fenômenos gramaticais.

Apresentação: Deborah Jotta, Aline Varela Rabello, Carla da Silva Marques Lima LANGUAGE FORM AND LANGUAGE FUNCTION Frederick J. Newmeyer

O autor possui trechos de alguns livros disponíveis: e para saber mais sobre o Professor Emeritus Frederick J. Newmeyer http://depts.washington.edu/lingweb/Faculty_Newmeyer.php

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