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Pré-estréia “O Hobbit” no Rio de Janeiro

( pouco spoiler)
Dez anos de espera entre o Senhor dos Anéis e o lançamento “O Hobbit” – valeu a pena e tem gosto de quero mais. Assim como na trilogia Peter Jackson com ajuda preciosa de Guillermo del Toro que ficou responsável pelas filmagens por algum tempo e roteiristas – fizeram adaptações que dão maior clareza ao enredo de Tolkien para o “público leigo”.
Gostaria de agradecer ao Conselho Branco (fundação em 2000!) especialmente Shirley “Edhel” e Luciano M. Bastos, Thain da Toca RJ. Eles possibilitaram acesso à pré-estréia promovida Warner Bros. Pictures Brasil, simultaneamente em várias cidades do país. Assisti em uma sala  uma sala 2D no Downtown, e na saída todo o público estava animado e já lamentando ter que esperar o próximo ano e/ou planejando assistir em 3D novamente.
Os diretores acharam soluções inteligentes para ligar este enredo aos filmes  “Senhor dos Anéis”,  que provavelmente resultará em uma corrida no aluguel, e até mesmo reaquecimento da venda de boxes da trilogia. Os cenários já conhecidos como Valfenda e Moria  possuem um frescor que traduz visualmente a beleza do mundo antes do “grande mal” se levantar, e outros que o público não conhecia encantam pelos detalhes. A trilha sonora revisita o que já foi feito, e ainda impacta… mas desta vez houve destaque para o que salta aos olhos na leitura da obra: as canções que traduzem a cada ponto da jornada o espírito do grupo.

Assim como os cenários, o visual dos personagens é repaginado e até surpreende. Outro ponto que chama  muito a atenção é o contraponto de como este filme é “leve” em comparação à trilogia, além do destaque dado para o contraste e problemas de entendimento entre as línguas utilizadas pelos personagens: orc, élfica, anã… mostrando facetas multiculturais de cada povo da terra Média.

Para finalizar, um elogio pois apesar do grande elenco de anões os diretores conseguiram amarrar bem a narrativa e caracterizar/apresentar cada um. Parece que os conhecemos da companhia, novos vizinhos barulhentos e simpáticos: Ken Stott (Balin), William Kircher (Bifur), James Nesbitt (Bofur), Stephen Hunter (Bombur), Mark Hadlow (Dori), Graham McTavish (Dwalin), Dean O’Gorman (Fili), Peter Hambleton (Gloin), Aidan Turner (Kili), Jed Brophy (Nori), John Callen (Oin), Adam Brown (Ori), Richard Armitage (Thorin Escudo-de-Carvalho)… além de Jeffrey Thomas e Mike Mizrahi que fazem os reis anões Thror e Thrain. O final em um ponto inesperado deixa expectativas e curiosidade!

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada chega aos cinemas brasileiros hoje, com sessões que iniciam após as 24 horas. Os filmes seguintes serão  O Hobbit: A Desolação de Smaug,  previsto para 2013, e O Hobbit: Lá e de Volta Outra Vez para 2014.

Vá hoje na Estréia de “O Hobbit” com a Toca-RJ

Conselho Branco é uma associação que promove encontros e eventos na temática da Fantasia Medieval, e desenvolve diversos projetos culturais – como Casa de Vairë (contação de histórias), Lambendili (Estudo de línguas élficas), Parmandili (biblioteca circulante), Conselho de Elrond (grupos de leitura), Ordem dos Istari (jogos de RPG), dentre outros. Fotos da pré- estréia no dia 11 \o/

 

Para saber mais visite:

 

 

 

(se quer ter uma idéia do que é o filme assista a este último vídeo, mas já aviso que tem MUITO spoiler)

 

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O Hobbit como cânon literário segundo Terry Eagleton

card limited

Tarefa 1 – Escolher uma obra que considera Literatura de acordo com Terry Eagleton e explicar como cânon algumas características.

A idéia de escrever a obra iniciou em 1928, e John Ronald Reuel Tolkien abandonou o projeto em 1930. Tolkien emprestou o manuscrito incompleto para a Reverenda Madre de Cherwell Edge quando ela estava doente, e foi visto por Susan Dagnall (estudante de Oxford), que trabalhava para a editora George Allen & Unwin. O livro foi analisado depois também por Rayner Unwin na época com 10 anos de idade e filho de um dos fundadores da editora, Stanley Unwin.

Ficcionalidade

O Hobbit pode ser definido inicialmente como uma escrita “imaginativa” – ficção que não é literalmente verídica.

Contexto histórico

O processo de escrita inicia no período entre guerras, e a publicação do livro se dá em 1937. As Olimpíadas de Berlim, com Adolf Hitler no poder aconteceram em 1936.

Os ditadores Franco na Espanha e Mussolini na Itália tomavam o poder, e se tornariam aliados da Alemanha na Guerra. O nazismo ascendia de forma fulminante nesta época, e o lançamento do livro se dá dois anos antes da invasão nazista à Polônia (1939).

Verossimilhança

Tolkien quando criança se encantava com nomes galeses, e mais tarde viria a se tornar filólogo. Aprendeu na infância com suas primas uma língua artificial e bem simples criada por elas chamada Animálico. Juntos criaram outra língua, uma mistura de vários outros idiomas – Nevbosh – traduzido como Novo Disparate. Mais tarde criou o Naffarin, mais complexa e baseada na língua de seu tutor padre Francis Morgan: o espanhol. Daí, podemos ver a riqueza de para cada povo especificar uma maneira de falar e agir, assim se apresenta o lingüista dentro do mundo ficcional criado. Muitos citam uma frase do autor: “O VolapuqueEsperanto, o Ido, o Novial, são línguas mortas, mais mortas do que antigas línguas sem uso, porque seus inventores jamais criaram lendas para acompanhá-las.” — Tolkien

A variedade de línguas a que foi exposto desde a mais tenra infância, e sua curiosidade posterior: Sua mãe apresentou a ele e a seu irmão os contos de fadas em línguas como o latim e o grego. Gostava do finlandês, que serviu de base para criação do idioma élfico Quenya e o galês, base para o outro idioma élfico, o Sindarin. Além do inglês, Tolkien estudou cerca de dezesseis idiomas (sem contar as suas criações): grego antigo, latim, gótico, islandês antigo, sueco, norueguês, dinamarquês, anglo-saxão, médio inglês, alemão, neerlandês, francês, espanhol, italiano, galês e finlandês. Na sua vida acadêmica pesquisou sobre o indo-europeu e filologia germânica, além de fazer parte da equipe do “New English Dictionary” assim que voltou da guerra e se recuperou do tifo.

Tolkien sempre foi ligado a sociedades, o primeiro era um grupo chamado Tea Club, Barrowian Society formado por Tolkien e mais três amigos; dois deles morreram na Primeira Grande Guerra.  The Coalbiters se dedicava à literatura nórdica, e foi fundado por Tolkien. The Inklings, também dedicado à literatura, que se reunia no pub The Eagle and Child (em português A Águia e a Criança) que os integrantes chamavam O Pássaro e o Bebê (The Bird and Baby em inglês). Os Inklings (grupo mais famoso) era formado na maior parte por acadêmicos da prestigiada Universidade de Oxford: C. S. Lewis e seu irmão H. W. Lewis, Charles Williams, Owen Barfield e Hugo Dyson.

Tolkien foi avesso a trens, automóveis, televisão e comida congelada, a indústria em si. Ele parecia acreditar que essa dominação e controle que a tecnologia moderna exerce sobre o Homem, mesmo que usadas para o bem, “trazem sofrimento à criação”: amoralidade. Este ponto de vista pode ter sido criado devido a sua experiência como veterano da Primeira Guerra Mundial, e como pai de soldados que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Com esse pensamento, ele coloca o problema da tecnologia e o seu mau uso nos seus livros.

Ideologia

Mabel Suffield se tornou católica em 1900, e a situação financeira da família piorou. A família anglicana cortou a ajuda financeira, e assim ela morreu por diabetes, sem tratamento. Tolkien, que considerava isto um sacrifício da mãe em nome da fé, e converteu-se também ao Catolicismo. Após a morte e por vontade da mãe, ele e o irmão foram entregues ao Padre jesuíta amigo da família, Francis Xavier Morgan.

Apesar de não ser óbvia, existem traços fortes da ideologia cristã nos livros escritos por Tolkien. O melhor exemplo é o Smarillion (chamado primeiramente de The Book os Lost Tales), que é iniciado em 1917 quando era oficial na Primeira Guerra Mundial e retornou com a febre das trincheiras da França. Esta narrativa descreve a criação da Terra Média e muitos podem notar neste “Esboço de Mitologia” paralelos com o Antigo Testamento. Depois do sucesso inicial do Hobbit foi apresentado para publicação e recusado pela editora que solicitou uma continuação do primeiro livro. E Tolkien escreveria “O Senhor dos Anéis”.

Estranhamento

No livro “O Hobbit” o estranhamento acontece quando o narrador cita em diferentes línguas, e explica o que cada raça considera/apresenta seu conceito de beleza e do que é bom e/ou ideal a ser seguido. Os anões, a riqueza no fundo da terra, os elfos a beleza das canções, as tradições da língua e história e da natureza.

O livro relata a história de um hobbit pacato, Bilbo Bolseiro, que é “convidado” por um mago, Gandalf, a entrar numa aventura como ladrão, com mais 13 anões. O objetivo é recuperar o tesouro dos anões, há muito tempo saqueado por um dragão chamado Smaug no tempo de Thror, o avô de Thorin.

Se for pesquisar, o estúdio promete o lançamento com trailers desde o final de 2009… a produção inclusive passou pelas mãos do diretor Guillermo del Toro… mas Peter Jackson voltou . O último trailer do filme é este:

Valor da obra

O Hobbit é considerado um livro infanto-juvenil, e foi somente após o lançamento da continuação/trilogia de “O Senhor dos Anéis” (1954-1955) que Tolkien passou a ser reconhecido internacionalmente, isto é literatura -> Literatura.

A legitimação deste sucesso acontece a partir da década de 60, e existem várias referências ao autor: em jogos (RPG , D&D), desenhos animados, histórias em quadrinhos, os jogos de computador

Referências no mundo artístico:

– Música: Led ZeppelinBlind GuardianRushJethro Tull, dentre outras

– Cinema e televisão: o desenho animado Caverna do Dragão e o filme Dungeons & Dragons foram baseados no RPG D&D, e por isso também pode-se dizer que foram influenciados pela obra de Tolkien. Outras produções cinematográficas: O Dragão e o Feiticeiro (1981), Heavy Metal – Universo em Fantasia (1981), O Cristal Encantado(1982), Krull (1983), A História Sem Fim (1984), Labirinto (1986), A Lenda (1986), Willow – Na Terra da Magia (1988), Coração de Dragão (1996), Dungeons & Dragons (2000), Os Caçadores de Dragões (2008),  e muitos outros… Fora do circuito comercial temos a iniciativa lançada em 2009 http://www.thehuntforgollum.com/. Para depois de 2012, os  jogos World of Warcraft, e livros de James A. Owen da série “The Chronicles of the Imaginarium Geographica” – Here, There Be Dragons” e “The Search for the Red Dragon” serão adaptados para o cinema.

Obras de Tolkien viraram longas animados para a TV inglesa: O Hobbit (1977) e O Retorno do Rei (1980), ambas dirigidas por Jules Bass, o mesmo produtor de Thundercats e Silverhawks e co-diretor do longa metragem Rudolph, a rena do Nariz Vermelho.

O animador britânico Ralph Bakshi ( Super Mouse e Gato Felix) adaptou “O Senhor dos Anéis” em 1978 (legendado) para o cinema numa animação de duas horas.

Peter Jackson, um antigo fã de Tolkien, dirigiu três filmes produzidos simultaneamente (divididos do mesmo modo que os livros, entre 2001e 2003). A triologia rendeu 17 Oscars à série: 4 ao primeiro, 2 ao segundo e 11 concedidos ao terceiro, igualando-o aos recordes de Titanic e Ben-hur. Agora em 2011, Jackson iniciou as filmagens do Hobbit,  e prometeu que será lançado no formato  3D em dezembro de 2012. Acompanhe no blog oficial http://www.thehobbitblog.com/.

Neste vídeo – um dos únicos que achei legendado – a equipe conta como foram os primeiros quatro meses de filmagem (making off algumas cenas e personagens já  caracterizados)

Sabe de outras influências? Concordou ou discordou??? Comente…

REFERÊNCIAS

Eagleton, Terry.  O que é Literatura? cap. 1

Consultado no dia 19 de abril de 2011  http://pt.wikipedia.org/wiki/J._R._R._Tolkien

Consultado no dia 16 de abril de 2011 http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Inklings

TOLKIEN, J. R. R. (1996).  O Hobbit. Martins Fontes.

http://www.valinor.com.br/

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