Linha do tempo com os principais momentos e correntes teóricas da linguística histórica

Trabalho para a disciplina Lingüística IV

1)      Faça uma linha do tempo com os principais momentos e correntes teóricas que contribuíram (mesmo que indiretamente) para o desenvolvimento da linguística histórica e que são descritos e/ou citados no capítulo 5 de Faraco (2005: 128-174).

A linha do tempo será numerada cronologicamente, e a parte textual da linha do tempo toda é de trechos com autoria de Faraco (2005: 128-174) com adaptações mínimas.

Antecedentes:

Estudos lingüísticos dos sábios hindus já no século IV a.C.;(1) pelas discussões filosóficas dos gregos(2); pelos cuidados filológicos dos alexandrinos e pelas suas primeiras gramáticas da língua grega II a.C. (3) ; pelas gramáticas latinas (4); pelos filósofos modistas da Idade Média;(5) pela filologia árabe; pelas especulações renascentistas sobre a língua-mãe de todas as línguas; (6) pela gramática de Port-Royal, no século XVII. (7)

Primeiro Grande Período Nascimento – fins do século XVIII, início duma reflexão sistemática: 1786 até a publicação do manifesto dos neogramáticos em 1878 (período da formação e consolidação do método comparativo)

1786 – William Jones apresenta comunicação à Sociedade de Bengala, destacando inúmeras semelhanças entre o sânscrito, o latim e o grego. Escreveram-se, na seqüência várias gramáticas e um dicionário do sânscrito.

1795 – fundou-se em Paris, a escola de Estudos Orientais onde estudaram os intelectuais alemães Friedrich Schlegel (1772-1829), e em particular, Franz Bopp (1791-1867) – que desenvolveriam, em seguida, a chamada gramática comparativa.

 

indoeuropes

Criação do método comparativo

1808 – F. Schelegel publicou, seu texto Über die Sprache und die Weisheit der Inder [ Sobre a língua e a sabedoria dos hindus], que é considerado o ponto de partida dos estudos comparativistas na Alemanha. Nele, dentre outras coisas, o autor reforçou a tese de W. Jones sobre o parentesco do sânscrito, o germânico e o persa, parentesco este que se evidenciava não só na semelhança entre raízes lexicais, mas principalmente nas semelhanças entre as estruturas gramaticais.

1816 – Bopp publicou seu livro Über das Conjugationssystem der Sanskritsprache in vergleichung mit jenem der griechschen, latainishcen, persischen, und germanischen Sprache [Sobre o sistema de conjugação da língua sânscrita em comparação com o da língua grega, latina, persa, germânica]

1814/1818 – Rasmus Dask, paralelamente a Bopp e independentemente dele, desenvolveu também trabalhos comparativos importantes, envolvendo as línguas nórdicas, as demais línguas germânicas, o grego, o latim, o lituano, o eslavo e o armênio. Acredita-se que, em razão desse atraso e também pelo fato de ser um texto escrito em dinamarquês (língua pouco familiar nos meios científicos), o trabalho, embora metodologicamente exemplar, acabou tendo pouca repercussão na época.

1819/1822 – costuma-se dizer que o estudo propriamente histórico foi estabelecido por Jacob Grimm em seu livro Deutsche Grammatik – interpretou a existência de correspondências fonéticas sistemáticas entre as línguas como resultado de mutações no tempo.

Grimm mostrou que as consoantes do indo-europeu original /p/, /t/, /k/ haviam mudado, no ramo germânico dessa família, para /f/, /θ/, /h/ respectivamente. Observava-se, porém, a existência de várias exceções, para as quais não havia um tratamento uniforme.

Aliou-se, desse modo, o empreendimento comparativo ao histórico, donde vem a denominação que se costuma dar à lingüística do século XIX: gramática ou lingüística histórico-comparativa.

1836/1844 – toma-se o lingüista alemão Friedrich Diez como iniciador da chamada filologia (ou lingüística) românica. Ele publicou uma gramática histórico-comparativa das línguas românicas, e em 1854, um dicionário etimológico dessas línguas.

1833/1852 – Bopp estendeu seu trabalho comparativo para incluir o lituano, o eslavo, o armênio, o celta e o albanês, reunindo os resultados de suas unvestigações na sua abrangente Vergleichende Grammatik des Sanskrit, Zend, Griechischen, leteinischen, Litauischen, Gothischen und Deutschen [ Gramática comparativa do sânscrito, persa, grego, latim, lituano, gótico e alemão]

1861/1862 – Botânico de formação e influenciado pela obra de Darwin, Schleicher formulou uma concepção de língua como um organismo vivo, com existência própria fora de seus falantes, sendo sua história vista como uma “história natural”, isto é, como um fluxo que se realiza por força de princípios invariáveis e idênticos às leis da natureza. August Schleicher, além de propor uma tipologia das línguas e uma classificação genealógica ( Stammbautheorie – teoria da árvore genealógica) das línguas indo-européias, desenvolveu uma tentativa de reconstrução – a partir das características comuns das línguas indo-européias e de suas correspondentes sistemáticas – do que ele chamou no seu Compendium der Vergleichenden Grammatik der indogermanischen Sprachen [Compêndio de Gramática comparada das línguas indo-européias], de Ursprasche (“língua remota”), isto é, o estágio remoto (hoje em geral denominado de proto-indo-europeu), donde se originaram as línguas que constituem essa família.

1856/1857 – dentre outros trabalhos, destaca-se seu estudo do lituano (Handbuch der litauischen Sprache – Compêndio da língua lituana), cujo mérito maior é ter sido o primeiro estudo de uma língua indo-européia feito diretamente a partir da fala e não de textos, o que representou um passo importante nos estudos lingüísticos. Para realizar isso, Schleicher morou durante um tempo entre os camponeses da Lituânia.

1870 – neogramáticos mais adiante reiteraram o princípio – já defendido por alguns estudiosos dessa década, em especial August Leskien – de que as mudanças sonoras se davam num processo de regularidade absoluta, isto é, as mudanças afetavam a mesma unidade fônica em todas as suas ocorrências, no mesmo ambiente, em todas as palavras, não admitindo exceções.

1875 – O lingüista dinamarquês Karl Verner, estudando a mutação das consoantes no ramo germânico das línguas indo-européias, demonstrou que as exceções da chamada lei de Grimm, que haviam incomodado os germanistas por cinqüenta anos, eram apenas aparentes.

Verner, em um artigo, mostrou que o enunciado de Grimm era válido somente quando essas consoantes não ocorriam depois de sílabas fracas, no primitivo indo-europeu. Nesse caso, /p/, /t/, /k/ haviam mudado para /b/, /d/, /g/  respectivamente.

Com essa formulação – que ficou conhecida como a lei de Verner e que introduzia o ambiente lingüístico das unidades como condicionante de suas diferentes mudanças (no caso específico, a ocorrência do som depois de sílaba fraca ou não) -, aparentes exceções da lei de Grimm receberam um tratamento regular, o que reforçou a confiança dos lingüistas no princípio da regularidade da mudança e inspirou a hipótese teórica básica dos neogramáticos de que a regularidade da mudança sonora era absoluta.

 

Sobre fuiobrigada

Escrever dói e é compulsivo. Delirium, tremens.

Publicado em 18/10/2013, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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