Entrevista com profissional de mídias sociais – Patrícia Moura (parte 2)

Trabalho:  entrevistar uma pessoa do meio jornalístico ou publicitário, que deveria começar com um lead e prosseguir num ping-pong. Disciplina Introdução às Profissões em Comunicação.

Patrícia Moura online

CM – O Inglês é obrigatório?

PM – Não, não, porque tem muitas agências que só atendem clientes brasileiros e não vão pedir isso no processo seletivo.

Hoje, se eu vou abrir um processo seletivo, eu preciso que no mínimo o candidato tenha canais pessoais nas principais redes sociais. Ele precisa ser usuário pra entender a dinâmica de cada rede. Se a pessoa diz “Ah eu não gosto, não quero botar minha vida lá…” Desculpa, não vai trabalhar comigo. Então, isso para mídias sociais é o mínimo. Todo recrutador de mídias sociais faz uma análise dos canais das pessoas, vêem o que elas publicam, se elas falam besteira, se colocam fotos inadequadas, então em mídias sociais isso é o mínimo. E muita gente perde oportunidade aí, né? Hoje por exemplo, eu não peço um currículo, eu peço um Linkedin. Eu até recebo currículo, mas eu quero ver o Linkedin da pessoa. Ela pode até dizer: “Ah meu Linkedin está desatualizado, não mexo há muito tempo.” Ok.

Se ela fala assim: “O que que é isso?” (risos) …

FM – Eu tenho Linkedin, mas por exemplo, eu nunca usei o mural do Linkedin pra falar nada. Tem um exemplo de uma profissional de publicidade…

PM – Você não precisa usar. Você tem que manter ele atualizado. Só isso. É o seu currículo online.

FM – Tem uma profissional de publicidade conhecida, que integra seus tweets com o google talk para o Linkedin, então às vezes eu a vejo comentando sobre Ana Maria Braga no Linkedin.

PM – É… É um problema comum.

FM – Eu não acho isso adequado!

PM – Não é mesmo. É uma ferramenta que tem essa facilidade, mas o profissional tem que ter muito cuidado ao integrar, porque pode estar falando uma coisa super pessoal em outra plataforma e no Linkedin ter vários recrutadores, diretores de empresa, profissionais de mercado lendo uma coisa que não é adequada naquela rede.

FM – Patrícia, me diz o que você já fez desde a graduação, em quais agências você trabalhou?

PM – Eu comecei trabalhando como redatora de uma empresa que comercializava esperas telefônicas. Eu era responsável por esses textos. Dali eu fui pra uma agência que trabalhava conteúdos pra marketing, voltados pro segmento médico. Então eram diversos fascículos (…), enfim, ferramentas de gerenciamento de escritório…

FM – Você também era redatora?

PM – Sim, eu era redatora nessa agência de marketing médico (TSO, que hoje se tornou uma editora). Em 2008, no ano seguinte, eu consegui entrar no mercado digital no Rio, através da agência Frog.

Eu fui analista de mídias sociais. Jr, depois eu fui promovida a pleno. Lá eu era responsável por criação, planejamento, execução de campanhas pra uma série de marcas já conhecidas: grupo Ediouro e as cinco editoras que compõem o grupo, fui responsável pela entrada da Oi nas mídias sociais, fiz um job pra Kuat, alguns pra revista Coquetel, de palavras cruzadas… dentre outros mil planejamentos.

FM – Teve algum case de sucesso na Frog, que você tenha sido responsável?

PM – Sim, alguns pra Ediouro eu criei um personagem chamado O Leitor Voraz, na época, em 2008, o Twitter era bastante novo no Brasil, entrei no Twitter em 2007, ele foi criado no final de 2006 e não havia personagens corporativos. Então eu desenvolvi a criação do personagem, que era um garoto devorador de livros e ele já fazia alguns concursos culturais e dava dicas de todos os lançamentos do grupo Ediouro e falava um pouco sobre os autores de cada livro. Ele foi responsável pelo processo de rejuvenescimento da marca. Então ele deu tão certo naquele momento, que ele ganhou perfis em várias outras redes sociais e ganhou um portal próprio.

FM – Você pode dizer pra gente um exemplo de comportamento ou de ação que O Leitor Voraz tinha no Twitter? Alguma brincadeira que você fez com os twitters?

PM – A linguagem era muito lúdica, então era inovador pra época ter uma marca dando bom dia, falando gíria, brincando de follow friday e usando todos os recursos que as outras pessoas usam. Existia uma divisão até então, um patamar que a marca tinha que usar, uma linguagem toda corporativa. Então O Leitor rompeu todas essas barreiras e então ele era bem próximo do consumidor da Ediouro.

FM – Eu queria que você falasse um pouquinho sobre a brincadeira de morto-vivo…

PM – (Risos) É… teve uma ação específica pra um livro chamado Serial Killer e a gente desenvolveu uma mecanicazinha no Twitter, onde o usuário precisava dar um reply pra vários amigos dizendo que os matou e a medida em que esses amigos respondiam dizendo “morri”, esse usuário ganhava um ponto. Então a pessoa que mais matasse perfis no Twitter naquele dia, seriam os vencedores e ganhariam os livros Serial Killer.

E foi uma tarde inteira de loucura, todo mundo brincando de “matei”, “morri”, “matei de novo”… “deixa eu matar você!” “Ah, mas eu já morri pelo fulano!”, “Não tem problema, eu quero ganhar ponto também!” e a quantidade de usuários de Twitter no Brasil era pequena, então era fácil fazer um buzz

FM – E quando você saiu da Frog, foi pra qual agência?

PM – Fui pra Simples Agência, em 2009. Lá eu coordenei as ações pra um cliente, que era o Compra Fácil, um e-commerce. Na época, ainda era pouco conhecido, tinha um recall baixo. As pessoas eram muito desconfiadas com sites de compra na internet, onde confiar, botar seu cartão de crédito. Antes do boom de compras coletivas, as pessoas evitavam comprar online.

FM – E qual era o seu cargo?

PM – Eu era analista de mídias sociais sênior. Lá eu também tive a oportunidade de trabalhar o desenvolvimento de personagem e ações de buzz. Quando eu cheguei à Simples Agência, já havia um personagem pro Compra Fácil, que era um robozinho chamado Facilita, porém ele não tinha uma linguagem adequada. Ele falava das ofertas muito duramente como “Liquidificador a 39,90 na promoção.” E as pessoas não interagiam, não tinha nenhum carisma, nenhuma afinidade. Então eu tive carta branca pra trabalhar essa linguagem e a primeira coisa que o Facilita falou no dia seguinte foi “Bom dia terráqueos, cheguei ao planetinha azul.” Mais uma vez eu trabalhei o lúdico e meses depois as pessoas já estavam perguntando se podia mandar beijo pra sobrinha, que a pessoa ia printar o tweet, e estavam perguntando quando ia sair o robozinho, igual tem o do Big Brother, porque já queriam comprar o personagem. E a gente começou a vender muito pra época, cerca de R$10.000 no blog. Saímos de quase 0 pra 10.000 de vendas por mês, só linkando a foto do post ao e-commerce. Inclusive foi destaque da revista Info naquele ano.

FM – E ai você saiu da Simples Agência

PM – E fui pra Agência Binder, que foi a primeira agência de publicidade, de fato que eu trabalhei, no final de 2009. Lá eu tive uma grande responsabilidade que era coordenar, tirar do chão o departamento de mídias sociais pra transformar a agência em integrada. Pra que ela pudesse vender o serviço de comunicação integrada. Lá eu trabalhei pra vários clientes interessantes como Shopping Nova América, e todo o Grupo Ancar, que é composto por 19 shoppings em todo o país, Escola Superior Nacional de Seguros, Chevrolet Rio, Cerveja Cintra, Mariner… Lá eu tive experiências muito interessantes e alguns cases também, que chegaram a ganhar prêmio.

FM – Em que ano você saiu da Binder?

PM – Em 2011, quando eu recebi uma proposta pra ser gerente de mídias sociais da Casa Digital, no Rio também. A Casa Digital é uma agência totalmente voltada pra política. Eles nasceram em eleições e tiveram êxito nessa área, continuaram atendendo clientes como Governo do Rio de Janeiro, Prefeitura do Rio de Janeiro, Governo de Brasília… Então fiquei lá até esse ano, 2012, trabalhando diretamente pra esses clientes em algumas campanhas importantes pra cidade.

FM – Dessas agências que você trabalhou, qual a que você tem mais afinidade? Você gostou de trabalhar com política ou prefere trabalhar com a parte criativa?

PM – Na realidade, eu continuo trabalhando com política até hoje, mas a minha paixão são produtos, marcas, então nesse caso, as agências digitais anteriores e a Binder tem mais a ver com o meu perfil, mas a área de política dá bastante dinheiro, digamos assim… (risos) e tem oportunidades de crescimento sempre, também.

FM – Pra finalizar a entrevista, você tem alguma mensagem pras pessoas que estão se formando agora, que queiram trabalhar como publicitários, no geral?

PM – Bom, minha sugestão é que planeje a sua carreira. Os jovens deixam muito, igual a música do Zeca “Deixa a vida me levar, vida leva eu…”, “Se arrumar um emprego no banco e tiver uma oportunidade de ganhar mais, eu vou e depois eu volto.” NÃO. Você não vai voltar. Então tem que ter foco, tem que planejar. “Vou fazer faculdade até tal ano, e durante a faculdade, vou fazer inglês,  Photoshop, vou a tal evento e depois vou fazer a pós, depois o mestrado, doutorado… ou um curso de criação em Miami…” Mas tem que ter um foco, tem que ter uma meta. É difícil conseguir emprego, não é fácil, tem que persistir, tem que ser bastante determinado a conseguir isso. Quem fica muito na dúvida, acaba não conseguindo uma posição rápido. Tem que estar bastante atento para o que o mercado está pedindo, o que está acontecendo e nas noticias. Eu acho que eu sou meio kamikaze também (risos) de querer abraçar o mundo com as pernas. Mas foi assim que deu certo pra mim, então é assim que eu entendo o mundo da comunicação e o que eu posso recomendar é que a pessoa seja bastante focada na carreira e consiga planejar bastante seus estudos.

Entrevista concedida a Carolline de Miranda,
Felipe Farias e Flavia Moura em 23/09/2012

da esq p/ dir.: Felipe, Patrícia, Carolline, Flávia Moura

Sobre fuiobrigada

Escrever dói e é compulsivo. Delirium, tremens.

Publicado em 26/11/2012, em Uncategorized e marcado como , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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