Entrevista com profissional de mídias sociais – Patrícia Moura (parte 1)

Trabalho:  entrevistar uma pessoa do meio jornalístico ou publicitário, que deveria começar com um lead e prosseguir num ping-pong. Disciplina Introdução às Profissões em Comunicação.
Patrícia Moura

O combinado era nos encontrarmos na casa da publicitária Patrícia Moura num final de tarde de domingo para entrevista e fotos. Por problemas de logística, a equipe composta por 3 alunos da Estácio  de Sá e entrevistada, foi deslocada para casa de um dos membros da equipe, onde além de produzi-la, poderíamos contar com ajuda de seu pai, um conceituado repórter fotográfico para registrar o trabalho da equipe.

Patrícia tem 28 anos e se formou em Publicidade e Propaganda pela Estácio em 2006 e já no ano seguinte se pós-graduou em Mídias Digitais, na mesma instituição.

Após larga experiência em diversas agências, hoje ela coordena a campanha em meio digital de um candidato às eleições pela prefeitura de Niterói, dá aulas para turma de pós-graduação de Mídias Digitais da Estácio e está organizando com mais dois outros profissionais da área, um evento de métricas que acontecerá em São Paulo ainda este ano no mês de novembro. Abaixo, ela nos conta um pouco de sua trajetória, seus obstáculos, mostra sua visão do mercado de publicidade e dá dicas preciosas para quem está iniciando na área.

Carolline de Miranda – Por que você escolheu essa profissão?

Patrícia Moura – Eu sempre quis fazer Comunicação. É bem difícil dizer de onde surgiu esse meu desejo, mas eu sempre tinha uma ligação muito forte com os jingles, propaganda com a TV aberta… Acho que isso me despertou a curiosidade sobre o mundo da publicidade.

Flavia Moura – Quais foram seus primeiros passos profissionais?

PM – Bom, eu comecei como redatora e o estágio foi o primeiro passo profissional. Eu só consegui o estágio no sétimo período e isso é bastante complicado pra quem está querendo buscar uma carreira. Muito fácil conseguir emprego, trabalho, “freela”, o difícil é conseguir um bom estágio que vá te colocar dentro de uma empresa legal, ou de uma agência de publicidade que possa te proporcionar uma jornada dali pra frente.

FM – Eu queria saber em que momento você descobriu o nicho das mídias sociais em publicidade? Porque esse ainda não era um mercado de publicidade, então eu queria saber em que momento veio esse clique “é por aí que eu vou”?

PM – Primeiro teve a monografia, que é o projeto de conclusão de curso, onde eu optei por estudar o Orkut e subentende-se que eu tive que estudar teoria de redes sociais. À partir dali, eu não sabia muito bem com o quê que eu ia atuar. O que me vinha à cabeça era: nossa! Eu quero trabalhar no Google, ou para o Orkut. Mas não tinha muito idéia de em que mercado eu poderia atuar, porque a publicidade nas plataformas sociais ainda engatinhava, era um padrão de mídia muito tradicional.

Entre a faculdade e a pós, que na verdade só levou seis meses, eu conheci pessoas e conheci eventos da área de tecnologia, que me apresentaram ao mercado publicitário em São Paulo e lá já havia agências trabalhando com mídias digitais. Então acredito que isso tenha sido em meados de 2007, mas no Brasil já havia agências e empresas trabalhando com isso, mas muito poucas e quase todas concentradas em São Paulo.

FM – Ok. Sobre esse mercado de publicidade, qual o momento que ele está vivendo? Está em baixa…?

CM – Você acredita que ele está saturado, como dizem?

PM – Não, não sei se saturado é o termo. Mas houve um aprendizado geral no mercado publicitário. As mídias sociais realmente mexeram com a estrutura do mercado de comunicação. Todo mundo que fazia de um jeito teve que aprender um novo jeito de fazer. Todo mundo!

Desde o jornalista, ao diretor de arte, ao redator, criativo, ao cliente, planejamento, todo mundo teve que se dar conta de que hoje qualquer parte da campanha pode virar uma piada nas mídias sociais, ou pode se desdobrar em outras ações na web. Então, teve esse primeiro momento do aprendizado, da conscientização, teve um momento de conscientização… O mercado não sabia que isso ia tomar o tamanho que tomou. (…) a gente está num terceiro momento, onde boa parte das agências brasileiras já absorveu esse serviço de alguma maneira, já integraram esses serviços propostos, mas os clientes ainda não têm total consciência do poder das mídias sociais.

Hoje, 40% das empresas segundo pesquisas também, já estão dando atenção às mídias sociais. Ainda tem muita gente pra engatinhar no digital, pra aprender a criar seu próprio site, a criar canais de comunicação eficazes. Acho que o aprendizado do impacto do digital em todos os outros canais de comunicação ainda vai ser em longo prazo. Acho que todas as agências “Off” estão ainda testando muito na metodologia de tentativa e erro, pra chegar num modelo de negócio interessante pra eles mesmos e comprovar a lucratividade, rentabilidade pros clientes que querem atuar no digital.

Patrícia Moura online

CM – E é rentável para o profissional? Dá pra comprar a casa própria (risos)?

PM – Eu acho que é igual. Igual aos outros patamares salariais. Houve um tempo áureo da publicidade que não existe mais e eu nem sei se vai voltar que realmente quem trabalhava em grandes agências ganhava muito, muito, muito dinheiro, era o tempo da propaganda liberada pra cigarro, era o tempo que bebida alcoólica podia anunciar em qualquer horário… Hoje os clientes estão muito mais conscientes de onde estão colocando o dinheiro, eles querem resultado efetivo, cálculo de resultado, prova de que aquela campanha deu certo, trouxe o retorno, que é o que a gente chama de ROI – Retorno sobre O Investimento e ninguém está jogando dinheiro fora, ninguém está nessa brincadeira pra perder, né?

Houve um período do digital, em que eu também participei dessa “onda”, não havia profissionais com bagagem suficiente pra preencher a demanda do mercado, então esses profissionais tiveram uma supervalorização. Mas esse momento também já passou, agora todo mundo já se conscientizou. Todo mundo que está aprendendo, entrando na faculdade hoje já está com o olhar voltado pro digital, quem trabalhava com mídia offline há 10, 20 anos também, já está correndo atrás de aprender. Em 2012 já houve um freio no mercado, bem grande em relação a cargos, salários e oportunidades porque já estão aproveitando muita gente que já estava na área. Essas pessoas estão se qualificando e estão agregando essa função. O profissional que trabalha hoje no digital, ele não é privilegiado em relação ao profissional do offline.

Felipe Farias – Então, como se destacar na profissão quando tem tanta gente qualificada e se qualificando pra isso, nesse novo cenário?

PM – Existem coisas básicas, pelo menos na minha opinião. Um profissional que tem domínio do Inglês, ele é bem visto em qualquer área da comunicação. Ele tem um diferencial em qualquer área. Então ajuda quando você está no processo seletivo e quando a agência tem clientes internacionais. Cursos, qualificação de uma maneira geral, palestras, eventos. Existem milhares de eventos na área, existem eventos gratuitos, webnars (conferências pela web), você pode assistir às palestras via livestream, diretamente da sua casa ou do seu celular. Existe uma literatura vasta em teoria de redes sociais, de cibercultura. Eu pelo menos consegui a diferenciação muito através de teoria, porque em relação à prática, muita gente está no mercado e consegue chegar lá, mas existe um abismo entre o mundo acadêmico e o mundo do mercado, prático né? E eu segui muito a linha do meio. Eu quis muito ser as duas coisas e isso funcionou, então eu tento agregar o máximo de teoria ao meu trabalho. Você realmente tem milhares de artigos, notícias, livros, cases e de eventos, pra acompanhar ao mesmo tempo e aí, acho que se eu puder dar uma dica em cima disso, é escolher um viés que você queira atuar: “Ah, eu quero trabalhar com métricas, eu quero trabalhar com monitoramento, ou planejamento, ou com criação.” É saber eu quero isso e comer livro, mergulhar nesse mundo e tentar ser o cara que mais sabe daquilo que você escolheu.

FM – Tem algum profissional no qual você tenha se espelhado?

PM – Tem sim. Hoje a mulher no qual eu julgo ser a maior especialista em redes sociais do país. É a Raquel Recuero, da Universidade de Pelotas, porém a Raquel não é publicitária, ela é professora, pesquisadora, é uma teórica da comunicação. Ela tem alguns livros publicados sobre redes sociais e já publicava artigos sobre redes sociais desde a era do Fotolog, Myspace, etc; então ela é bibliografia recomendadíssima pra qualquer pessoa que queira entrar no mercado. O trabalho da Raquel me inspirou e me inspira até hoje!

CM – E como é que faz para o profissional não ficar “escravo” de trabalhar em agência pra sempre, só sendo “peão” a vida inteira? Tem que se arriscar, não é?

PM – Abrir sua própria agência (risos)… É uma saída que muita gente…É, hoje o home Office. Trabalhar como consultor, ou freelancer, é uma saída pra muita gente. Mas eu particularmente não vejo essa coisa de trabalhar em agência como ser peão. Eu gosto, mas talvez eu seja diferente das outras pessoas. (…) Por exemplo, tem o Roberto Justus e Walter Longo. Você pode ser o dono das seis agências, mas você pode ser o braço direito do cara que é o especialista, que está do lado dele o tempo todo e que não deve ter um salário pequeno (risos), então, ser empregado também tem suas vantagens, né? Você dorme com a cabeça mais tranqüila!

CM – Seguindo o pensamento que estamos nessa realidade das mídias sociais cuja tendência é, com o aumento da tecnologia, o uso delas aumentar junto. Então você acha que pode acontecer de o profissional de comunicação acabar sendo desnecessário? Por exemplo, uma pessoa coloca um vídeo no Youtube, vira sucesso, e a chamam pra fazer propaganda na televisão, entendeu? Será que daqui a pouco o profissional que pensa por trás disso vai ser meio obsoleto?

PM – Não, acho que não. Porque as pessoas fazem, sobem as coisas, publicam, compartilham espontaneamente. O profissional é estratégico. Ele vai traçar uma meta para que aquela campanha dê certo e alcance o target específico que ele determinou, os objetivos de comunicação e de marketing. Uma pessoa que não seja da área não vai ter essa visão. Acontece? Acontece. Tem um fenômeno que hoje toda a mídia fala dele, por exemplo, Felipe Neto fez isso sozinho sem ser publicitário. Ele conseguiu reunir uma audiência e essa é a graça, esse é o poder das mídias sociais, de qualquer pessoa, de qualquer usuário…

FF – O que fazer quando se está com os prazos atrasados e a criatividade parece que fugiu? Como se inspirar?

PM – Nossa… Eu acho que cada pessoa vai ter uma resposta diferente pra isso. Eu gosto muito de acessar blogs de comunicação que mostrem ações diferenciadas. Se eu estou sem uma idéia, desesperada, se falta uma hora pra entregar o planejamento e eu não tive “a” idéia que vai ser o mote daquele planejamento, eu acho que vou assistir cases na internet, pesquisar em blogs, vou procurar que marcas concorrentes, ou substitutas ou do mesmo mercado, o que elas fizeram.

CONTINUA!!!…

Entrevista concedida a Carolline de Miranda,
Felipe Farias e Flavia Moura em 23/09/2012
da esq p/ dir.: Felipe, Patrícia, Carolline, Flávia Moura

Sobre fuiobrigada

Escrever dói e é compulsivo. Delirium, tremens.

Publicado em 24/11/2012, em Uncategorized e marcado como , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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