Mês da Consciência Negra

Neste dia 20 de novembro foi comemorado mais um Dia Nacional da Consciência Negra.  Apesar de não concordar com o governo Bush, nem com a sua política… acima está a foto de uma de suas mais importantes assessoras: Condoleezza Rice em uma biografia. Além desta existem outras, mas neste mês ela lançou No Higher Honor: A Memoir of My Years in Washington (Não há Honra Maior: Memórias dos Meus Anos em Washington) com 784 páginas.  Ela descreve um Muammar Kadhafi com apaixonite platônica (os rebeldes encontraram um álbum de recortes no quarto do ditador), negociações secretas sobre o estado palestino, Iraque,  furacão Katrina.

O fato dela e Powell serem negros – o trecho a seguir foi copiado da Revista VEJA: Segunda mulher a ser secretária de Estado em mais de dois séculos de República, e segunda pessoa negra a ocupar o posto — o primeiro foi o general Powell –, Condoleezza não deixa de abordar a questão e o impacto em outras pessoas. “Uma secretária de Estado negra não se enquadrava com o estereótipo geral dos EUA”, comenta, a certa altura. “[O primeiro-ministro britânico Tony] Blair resumiu isso muito bem quando disse que, no primeiro encontro [com Bush] em Camp David [casa de campo oficial dos presidentes americanos] ficou algo chocado ao ver o presidente ladeado por Colin Powell e por mim”.

Condoleezza, que atualmente ensina política internacional e negócios na Universidade de Stanford comenta sobre o Brasil.  Ela gostou muito da Bahia, e relata a impressão que teve do país:

“Durante a visita me surpreendi com a divisão racial no Brasil. Os brasileiros sempre sustentaram que não tem problema racial. Pareceu-me que nos serviços braçais ficam os africanos (com pele escura); nos serviços, os mulatos (bi raciais); e os funcionários do governo têm ascendência europeia/portuguesa. O Brasil foi o país (que visitei) mais parecido com os EUA na sua composição étnica, mas parece ter tirado pouco proveito da revolução pelos direitos civis que mudou a face da política e da sociedade americana”

Leia mais sobre a autora e outros assuntos relacionados à mulher negra no Portal Geledés.  http://www.geledes.org.br/

Infelizmente o fenômeno se repete em outros setores da nossa vida política: Como explicar que países europeus por muito tempo tinham um número maior de negros nos seus quadros do que o Instituto Rio Branco? Para não passar mais constrangimentos internacionais, o IRB implantou uma política de incentivo… este e outros fatos demonstram a importância das cotas, e de outras medidas tomadas para diminuir a desigualdade que existe de fato na sociedade atual. E serei sempre a favor das cotas enquanto nas estatísticas do IBGE e outros estudos o homem branco (com menos estudo, só pelo fato de ser homem) ganhar mais que o homem negro, que ganha mais que a mulher branca, que ganha mais que a mulher negra – muitas vezes sem que a qualificação ou preparo pesem na seleção profissional.

Nesta semana, a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) Luiza Bairros recebeu a medalha Zumbi dos Palmares em Salvador.  Conheça a biografia da atual ministra.

Para fechar veja comentário de Chico Buarque sobre racismo – “As pessoas pensam que são brancas, inclusive que eu sou branco. E isso só acontece no Brasil”

Sobre fuiobrigada

Escrever dói e é compulsivo. Delirium, tremens.

Publicado em 22/11/2011, em Uncategorized e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Sempre que eu leio sobre racismo e consciência negra eu lembro de um texto do Cristovam Buarque sobre o movimento negro no final dos anos 1990:
    “Não mais o direito de ser igual, mas o direito de ser diferente e mesmo assim ter acesso aos valores essenciais da humanidade. As ‘minorias’ se emancipam do desejo de imitar a maioria”.
    Acho pertinente…

  2. Ou direito de ser humano, Danilo como pregam alguns militantes. E olha o que recebi por mensagem agora “Em 2002, eram assassinados proporcionalmente 45% mais negros que brancos. Em 2008, esta taxa já havia subido para impressionantes 111,2%.

    O número de pessoas assassinadas por policiais militares fora do serviço aumentou 50% entre setembro de 2010 e agosto de 2011” http://revistaafricas.com.br/archives/35775

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