Angústia e morte

Resolvi escrever este post após ver este texto que fala um pouco do que é sobreviver a uma morte do ente querido a vida é um fio e me lembrei também do que uma amiga escreveu sobre a morte de pais no blog.

Estou com um livro em minhas mãos chamado A História Universal da Angústia “concebido segundo a História Universal da Infâmia, de Jorge Luis Borges, que compilou uma série de contos sobre bandidos de vários países e épocas”.

Na contracapa existe uma advertência: ele contém de fato, toda a humanidade. No que ela tem de mais e menos humano. “História da Angústia” fala do evangelista Lucas internado em um manicômio, Saul diante de Davi e Golias, a família Graco tentando fazer reforma agrária no império Romano, Parsifal, e ainda não podia faltar Hamlet.

A parte que mais chocou foi que entre os contos escritos havia um grande capítulo chamado A GIGANTESCA MORGUE apresentando apenas notícias reais com assassinatos (sem motivos, passionais, familiares), massacres (raciais, ideológicos, étnicos, políticos, religiosos, atômicos), atentados frustados ou não, suicídios, serial killers, violência sexual…126 fatos que em meio à ficção chocam por sabermos que existiram e infelizmente alguns não muito distantes de nós.

O psicólogo austríaco Freud cunhou o termo Todestrieb, pulsão de morte em português e também relacionada com o deus Tânato (grego transl. Thánatos). Tive um colega de universidade que trabalhava com os ritos da morte na área de antropologia, e o presenteei com um livro que se chama “O Dicionário dos Suicidas Ilustres”. Nele, o autor lista não apenas aqueles que conseguiram, mas aqueles que tentaram se suicidar (alguns tiveram vida longa):

Kurt Cobain, Ernest Hemingway, Ana C. Cesar, Reinaldo Arenas, Jacqueline Kennedy Onassis, Aristóteles, Roland Barthes, Jean Michel Basquiat, Walter Benjamin, Cleópatra, Florbela Espanca, Patrícia Galvão, a Pagu, Gogol, Adolf Hitler, Judas, Getúlio Vargas, Akira Kurosawa, Virgínia Woolf, Stefan Sweig, Anna Karenina, Romeu & Julieta – alguns personagens da vida real e/ou da ficção marcam mais que outros.

Tenho interesse pelo tema, e no início do Clube da Leitura promovido pela Baratos da Ribeiro tive um dos primeiros contos a ser publicado online em 2007: http://baratosdaribeiro.com.br/blog/?p=77
Mais tarde com um blog próprio, o primeiro volume de contos lançado na FLIP e com o segundo volume no forno; outro conto nesta mesma linha: http://www.baratosdaribeiro.com.br/clubedaleitura/2011/06/17/para-fora-por-gloria-celeste/

A angústia e estranhamento estão presentes em outro post que fiz aqui sobre Woyzeck, que luta para se humanizar enquanto o ambiente o bestializa violentamente.

Teremos que por muito tempo ainda conviver com palavras como mentira, bullying, abuso de poder e autoridade, assédio moral e sexual, corrupção, coerção, coação, burn out, injúria, calúnia, difamação. Aqui não existe a morte física, mas a psicológica que em muitos casos leva ao desejo de autodestruição.

Por outro lado existe um espectro que puxa a humanidade para frente e nos faz melhores, ou querer ser melhores com ações que contrastam em muito com as descritas “na gigantesca morgue”.

Quem realmente perde algo, e tem a impressão de se tornar um quase nada, vazio é possuído pelo desespero (experiência própria e de muitos seres viventes). Experiência vivida, conhecimento adquirido.  O instinto de preservação nos dá após algum tempo a possibilidade de reconstruir e caminhar aprendendo o que somos. Inteiros e com luz própria.

Se quer ler mais sobre a morte, uma boa indicação de leitura são os livros IV e IX das Confissões de Santo Agostinho.

Como trilha sonora gosto de finais felizes… lembra de Tower of Strength?

Sobre fuiobrigada

Escrever dói e é compulsivo. Delirium, tremens.

Publicado em 17/07/2011, em Uncategorized e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Freud era austríaco, não alemão. E Tânatos é o deus grego da morte e não tem nada a ver com o impulso de morte descrito por Freud, ok?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: