O Hobbit como cânon literário segundo Terry Eagleton

card limited

Tarefa 1 – Escolher uma obra que considera Literatura de acordo com Terry Eagleton e explicar como cânon algumas características.

A idéia de escrever a obra iniciou em 1928, e John Ronald Reuel Tolkien abandonou o projeto em 1930. Tolkien emprestou o manuscrito incompleto para a Reverenda Madre de Cherwell Edge quando ela estava doente, e foi visto por Susan Dagnall (estudante de Oxford), que trabalhava para a editora George Allen & Unwin. O livro foi analisado depois também por Rayner Unwin na época com 10 anos de idade e filho de um dos fundadores da editora, Stanley Unwin.

Ficcionalidade

O Hobbit pode ser definido inicialmente como uma escrita “imaginativa” – ficção que não é literalmente verídica.

Contexto histórico

O processo de escrita inicia no período entre guerras, e a publicação do livro se dá em 1937. As Olimpíadas de Berlim, com Adolf Hitler no poder aconteceram em 1936.

Os ditadores Franco na Espanha e Mussolini na Itália tomavam o poder, e se tornariam aliados da Alemanha na Guerra. O nazismo ascendia de forma fulminante nesta época, e o lançamento do livro se dá dois anos antes da invasão nazista à Polônia (1939).

Verossimilhança

Tolkien quando criança se encantava com nomes galeses, e mais tarde viria a se tornar filólogo. Aprendeu na infância com suas primas uma língua artificial e bem simples criada por elas chamada Animálico. Juntos criaram outra língua, uma mistura de vários outros idiomas – Nevbosh – traduzido como Novo Disparate. Mais tarde criou o Naffarin, mais complexa e baseada na língua de seu tutor padre Francis Morgan: o espanhol. Daí, podemos ver a riqueza de para cada povo especificar uma maneira de falar e agir, assim se apresenta o lingüista dentro do mundo ficcional criado. Muitos citam uma frase do autor: “O VolapuqueEsperanto, o Ido, o Novial, são línguas mortas, mais mortas do que antigas línguas sem uso, porque seus inventores jamais criaram lendas para acompanhá-las.” — Tolkien

A variedade de línguas a que foi exposto desde a mais tenra infância, e sua curiosidade posterior: Sua mãe apresentou a ele e a seu irmão os contos de fadas em línguas como o latim e o grego. Gostava do finlandês, que serviu de base para criação do idioma élfico Quenya e o galês, base para o outro idioma élfico, o Sindarin. Além do inglês, Tolkien estudou cerca de dezesseis idiomas (sem contar as suas criações): grego antigo, latim, gótico, islandês antigo, sueco, norueguês, dinamarquês, anglo-saxão, médio inglês, alemão, neerlandês, francês, espanhol, italiano, galês e finlandês. Na sua vida acadêmica pesquisou sobre o indo-europeu e filologia germânica, além de fazer parte da equipe do “New English Dictionary” assim que voltou da guerra e se recuperou do tifo.

Tolkien sempre foi ligado a sociedades, o primeiro era um grupo chamado Tea Club, Barrowian Society formado por Tolkien e mais três amigos; dois deles morreram na Primeira Grande Guerra.  The Coalbiters se dedicava à literatura nórdica, e foi fundado por Tolkien. The Inklings, também dedicado à literatura, que se reunia no pub The Eagle and Child (em português A Águia e a Criança) que os integrantes chamavam O Pássaro e o Bebê (The Bird and Baby em inglês). Os Inklings (grupo mais famoso) era formado na maior parte por acadêmicos da prestigiada Universidade de Oxford: C. S. Lewis e seu irmão H. W. Lewis, Charles Williams, Owen Barfield e Hugo Dyson.

Tolkien foi avesso a trens, automóveis, televisão e comida congelada, a indústria em si. Ele parecia acreditar que essa dominação e controle que a tecnologia moderna exerce sobre o Homem, mesmo que usadas para o bem, “trazem sofrimento à criação”: amoralidade. Este ponto de vista pode ter sido criado devido a sua experiência como veterano da Primeira Guerra Mundial, e como pai de soldados que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Com esse pensamento, ele coloca o problema da tecnologia e o seu mau uso nos seus livros.

Ideologia

Mabel Suffield se tornou católica em 1900, e a situação financeira da família piorou. A família anglicana cortou a ajuda financeira, e assim ela morreu por diabetes, sem tratamento. Tolkien, que considerava isto um sacrifício da mãe em nome da fé, e converteu-se também ao Catolicismo. Após a morte e por vontade da mãe, ele e o irmão foram entregues ao Padre jesuíta amigo da família, Francis Xavier Morgan.

Apesar de não ser óbvia, existem traços fortes da ideologia cristã nos livros escritos por Tolkien. O melhor exemplo é o Smarillion (chamado primeiramente de The Book os Lost Tales), que é iniciado em 1917 quando era oficial na Primeira Guerra Mundial e retornou com a febre das trincheiras da França. Esta narrativa descreve a criação da Terra Média e muitos podem notar neste “Esboço de Mitologia” paralelos com o Antigo Testamento. Depois do sucesso inicial do Hobbit foi apresentado para publicação e recusado pela editora que solicitou uma continuação do primeiro livro. E Tolkien escreveria “O Senhor dos Anéis”.

Estranhamento

No livro “O Hobbit” o estranhamento acontece quando o narrador cita em diferentes línguas, e explica o que cada raça considera/apresenta seu conceito de beleza e do que é bom e/ou ideal a ser seguido. Os anões, a riqueza no fundo da terra, os elfos a beleza das canções, as tradições da língua e história e da natureza.

O livro relata a história de um hobbit pacato, Bilbo Bolseiro, que é “convidado” por um mago, Gandalf, a entrar numa aventura como ladrão, com mais 13 anões. O objetivo é recuperar o tesouro dos anões, há muito tempo saqueado por um dragão chamado Smaug no tempo de Thror, o avô de Thorin.

Se for pesquisar, o estúdio promete o lançamento com trailers desde o final de 2009… a produção inclusive passou pelas mãos do diretor Guillermo del Toro… mas Peter Jackson voltou . O último trailer do filme é este:

Valor da obra

O Hobbit é considerado um livro infanto-juvenil, e foi somente após o lançamento da continuação/trilogia de “O Senhor dos Anéis” (1954-1955) que Tolkien passou a ser reconhecido internacionalmente, isto é literatura -> Literatura.

A legitimação deste sucesso acontece a partir da década de 60, e existem várias referências ao autor: em jogos (RPG , D&D), desenhos animados, histórias em quadrinhos, os jogos de computador

Referências no mundo artístico:

– Música: Led ZeppelinBlind GuardianRushJethro Tull, dentre outras

– Cinema e televisão: o desenho animado Caverna do Dragão e o filme Dungeons & Dragons foram baseados no RPG D&D, e por isso também pode-se dizer que foram influenciados pela obra de Tolkien. Outras produções cinematográficas: O Dragão e o Feiticeiro (1981), Heavy Metal – Universo em Fantasia (1981), O Cristal Encantado(1982), Krull (1983), A História Sem Fim (1984), Labirinto (1986), A Lenda (1986), Willow – Na Terra da Magia (1988), Coração de Dragão (1996), Dungeons & Dragons (2000), Os Caçadores de Dragões (2008),  e muitos outros… Fora do circuito comercial temos a iniciativa lançada em 2009 http://www.thehuntforgollum.com/. Para depois de 2012, os  jogos World of Warcraft, e livros de James A. Owen da série “The Chronicles of the Imaginarium Geographica” – Here, There Be Dragons” e “The Search for the Red Dragon” serão adaptados para o cinema.

Obras de Tolkien viraram longas animados para a TV inglesa: O Hobbit (1977) e O Retorno do Rei (1980), ambas dirigidas por Jules Bass, o mesmo produtor de Thundercats e Silverhawks e co-diretor do longa metragem Rudolph, a rena do Nariz Vermelho.

O animador britânico Ralph Bakshi ( Super Mouse e Gato Felix) adaptou “O Senhor dos Anéis” em 1978 (legendado) para o cinema numa animação de duas horas.

Peter Jackson, um antigo fã de Tolkien, dirigiu três filmes produzidos simultaneamente (divididos do mesmo modo que os livros, entre 2001e 2003). A triologia rendeu 17 Oscars à série: 4 ao primeiro, 2 ao segundo e 11 concedidos ao terceiro, igualando-o aos recordes de Titanic e Ben-hur. Agora em 2011, Jackson iniciou as filmagens do Hobbit,  e prometeu que será lançado no formato  3D em dezembro de 2012. Acompanhe no blog oficial http://www.thehobbitblog.com/.

Neste vídeo – um dos únicos que achei legendado – a equipe conta como foram os primeiros quatro meses de filmagem (making off algumas cenas e personagens já  caracterizados)

Sabe de outras influências? Concordou ou discordou??? Comente…

REFERÊNCIAS

Eagleton, Terry.  O que é Literatura? cap. 1

Consultado no dia 19 de abril de 2011  http://pt.wikipedia.org/wiki/J._R._R._Tolkien

Consultado no dia 16 de abril de 2011 http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Inklings

TOLKIEN, J. R. R. (1996).  O Hobbit. Martins Fontes.

http://www.valinor.com.br/

Sobre fuiobrigada

Escrever dói e é compulsivo. Delirium, tremens.

Publicado em 18/05/2011, em Uncategorized e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 9 Comentários.

  1. CARACA!!! Dossiê “O Hobbit!”

  2. Sabe aquele card que ilustra o trabalho? (sim, é um trabalho acadêmico) Tenho a coleção quase completa que foi lançada muitos anos antes dos filmes. #nerdice

  3. Texto muito bom!
    Parabéns!

  4. Legal, várias coisas que eu não sabia.

    O desenho de Jules Bass eu vi e, apesar de ser resumido e meio apressado, representa muito bem o visual fantástico da Terra-Média.

    Muito bom.🙂

  5. Glória, depois de me enrolar 6 meses (e a você quase 1 ano), comecei a ler “O Hobbit”. Está sendo uma experiência MUITO melhor do que eu imaginei! Antigamente eu era descrente sobre o livro ser voltado para o público infanto-juvenil, mas conforme fui lendo, percebi certas características que cativam o público alvo, como os nomes dos anões, que rimam pelo menos em dupla ou a piada sobre o nascimento do golfe.
    Nunca te disse isso, mas parabéns pela análise! Planos pra fazer outras?

  6. Muito bacana. Adorei os vídeos e a puta história de Tolkien.
    Nunca soube de uma pessoa que falasse tantas línguas!

  7. Respondendo a pergunta feita no facebook “qual a relação com Terry Eagleton?” No seu livro Teoria da Literatura, no primeiro capítulo chamado “O que é Literatura?” Eagleton fala sobre as diversas características do texto literário e suas modificações no decorrer da história. E também o que tornaria o texto um clássico, isto é, o que a obra teria para fazer parte do cânon/cânone literário. E com os conceitos apresentados por este teórico apresento a obra de Tolkien como parte dos clássicos ocidentais. (existem muitos na academia que não concordam com isso ainda hoje em dia, infelizmente) https://www.facebook.com/groups/237283700739/permalink/10151178212915740/

    Leia o capítulo integral da obra de Terry Eagleton: (um professor digitou e colocou online) http://pt.scribd.com/doc/20847333/EAGLETON-Conceito-de-Literatura ou leia em inglês http://ebookbrowse.com/terry-eagleton-what-is-literature-pdf-d218740423

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